Descrição da imagem

Educação de jovens e adultos ainda preocupa em Minas - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Educação de jovens e adultos ainda preocupa em Minas

A educação de jovens e adultos (EJA) segue como um dos principais desafios da política educacional em Minas Gerais, mesmo diante de avanços recentes em alguns indicadores do ensino médio e da educação profissional. O tema foi destaque durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (16/4), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), dentro da programação do Assembleia Fiscaliza – Tema em Foco.

O encontro integrou a terceira audiência de monitoramento do cumprimento das metas do Plano Estadual de Educação (PEE), instituído em 2018 e com vigência até 2027. A reunião reuniu autoridades, especialistas e representantes do governo para avaliar o desempenho do estado em metas consideradas estratégicas, como a universalização do ensino médio e a ampliação da educação profissional.

Avanços, mas metas ainda não foram atingidas

Durante a audiência, a deputada Beatriz Cerqueira, presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, apresentou dados atualizados sobre o cumprimento das metas do plano.

No caso da Meta 3, que trata da universalização do atendimento escolar para jovens de 15 a 17 anos e da elevação da taxa de matrículas no ensino médio, Minas Gerais alcançou 93,7% de adolescentes frequentando a escola ou com educação básica concluída, e 83,6% dessa faixa etária no ensino médio ou com escolaridade completa.

Apesar dos avanços, os números ainda estão abaixo das metas estabelecidas. Em comparação com outros estados, Minas ocupa a 16ª posição no indicador de universalização e a 4ª colocação na taxa de matrículas, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Educação profissional cresce, mas EJA segue abaixo do esperado

Já em relação à Meta 11, que prevê a ampliação da educação profissional técnica de nível médio, o estado apresentou desempenho expressivo. Em 2026, foram contabilizadas 258 mil matrículas, impulsionadas principalmente pelo programa Trilhas de Futuro, consolidando Minas como um dos estados com maior participação proporcional nessa modalidade no país.

Por outro lado, a Meta 10, que trata da integração da EJA à educação profissional, ainda apresenta resultados tímidos. Após anos com indicador zerado, o estado chegou a cerca de 4,5 mil matrículas nessa modalidade em 2026, o que representa aproximadamente 7% do total da EJA — número ainda distante da meta de 25%.

Baixa procura e desafios estruturais

A baixa adesão à EJA foi um dos principais pontos de debate durante a audiência. Representantes do governo atribuíram parte da dificuldade à reduzida procura da população por essa modalidade de ensino.

No entanto, especialistas e representantes da sociedade civil questionaram essa justificativa. A coordenadora do Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais, Analise de Jesus, apontou falhas nas estratégias de busca ativa e destacou obstáculos enfrentados pelos estudantes.

Entre os principais desafios estão a necessidade de conciliar trabalho e estudo, a falta de formação específica de professores para atuar com esse público e o fechamento de turmas, o que dificulta o acesso e a permanência dos alunos.

A promotora de Justiça Giselle Oliveira também defendeu a adaptação dos conteúdos pedagógicos e a criação de estratégias que facilitem a frequência dos estudantes, tornando o ensino mais atrativo e acessível.

Dados revelam cenário preocupante

Durante o debate, foram apresentados dados que reforçam a dimensão do problema. Segundo Analise de Jesus, cerca de 11,1 milhões de mineiros — praticamente metade da população do estado — não concluíram a educação básica. Desses, aproximadamente 985 mil não são alfabetizados.

Outros indicadores também acendem o alerta: cerca de 39% das crianças que ingressam na escola em Minas não chegam ao ensino médio, conforme dados da plataforma Qedu, do Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede).

Desigualdade entre redes pública e privada

Outro ponto levantado foi o desequilíbrio na participação das redes pública e privada na expansão da educação profissional. Segundo a deputada Beatriz Cerqueira, entre 2022 e 2024, a rede privada apresentou vantagem média de 82% no crescimento das matrículas, o que levanta preocupações sobre o acesso equitativo à formação técnica.