De acordo com levantamento realizado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais, a expectativa é de que a data movimente todo o estado
Uma das datas mais relevantes para o comércio varejista brasileiro, o Dia das Mães deve impulsionar significativamente a economia de Minas Gerais em 2026. De acordo com levantamento realizado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais, a expectativa é de que a data movimente aproximadamente R$ 4 bilhões em todo o estado, consolidando-se como um dos períodos mais importantes para o consumo no primeiro semestre.
Segundo a pesquisa, cerca de 13,8 milhões de mineiros — o equivalente a 69,6% da população economicamente ativa — pretendem comprar presentes neste Dia das Mães. O ticket médio estimado é de R$ 249,13, valor considerado expressivo diante de um cenário econômico ainda marcado por cautela e reorganização financeira por parte das famílias.
Além das compras, o levantamento também revela o forte caráter afetivo da data: 68% dos entrevistados afirmaram que pretendem celebrar a ocasião com um almoço ou jantar especial, reforçando o impacto do Dia das Mães não apenas no varejo, mas também nos setores de alimentação e serviços.
Para o economista da FCDL-MG, Vinícius Carlos Silva, o apelo emocional é o principal motor desse aquecimento nas vendas. Segundo ele, mesmo diante de restrições orçamentárias, os consumidores tendem a priorizar a data.

“O Dia das Mães tem um peso emocional muito forte, que o diferencia das demais datas comemorativas. Esse fator, aliado a estratégias comerciais bem estruturadas, cria um ambiente favorável ao consumo. Mesmo com um cenário econômico desafiador, os mineiros procuram reservar parte do orçamento para homenagear suas mães”, analisa.
Motivos para não presentear
Apesar da maioria dos consumidores planejar compras, uma parcela significativa — 30,4% — afirmou que não pretende presentear neste ano. Entre os principais motivos apontados, destaca-se a ausência da mãe (63,2%), seguida por razões pessoais (26,3%) e dificuldades financeiras (10,5%).
Os dados evidenciam que, além dos fatores econômicos, questões emocionais e circunstanciais também influenciam diretamente o comportamento de consumo nessa data.
Preferências de compra
Entre os consumidores que irão às compras, os itens mais procurados refletem tanto a tradição quanto a versatilidade de opções disponíveis no mercado. Cosméticos e perfumaria lideram as intenções de compra, com 24,1%, empatados com vestuário. Em seguida aparecem flores (16,5%) e calçados (10,1%).
Outros produtos também figuram na lista, ainda que com menor participação, como dinheiro ou PIX (8,9%), livros (5,1%), itens de supermercado (5,1%), eletrônicos (3,8%) e eletrodomésticos (2,5%).
De acordo com o economista, a preferência por esses produtos está diretamente ligada à possibilidade de atender diferentes perfis e orçamentos.
“A diversidade de preços e opções permite que o consumidor encontre um presente adequado, independentemente do valor disponível. Além disso, há um cuidado maior na escolha, já que o presente é direcionado a uma pessoa especial, o que aumenta o valor simbólico da compra”, explica.
Formas de pagamento mostram mudança de comportamento
O estudo também aponta mudanças importantes nos hábitos de pagamento. O cartão de crédito parcelado lidera, com 30% das intenções, seguido de perto pelo PIX, que já representa 28% das transações previstas. O cartão de débito aparece com 20%, enquanto o crédito à vista soma 18%. O uso de dinheiro em espécie segue em queda, com apenas 4%.
Para Vinícius Silva, o avanço do PIX demonstra uma transformação no comportamento financeiro do consumidor.
“O PIX se consolidou como uma ferramenta essencial no varejo. Sua praticidade e rapidez fizeram com que ele deixasse de ser apenas um meio de transferência para se tornar protagonista nas compras, competindo diretamente com o cartão de crédito. Isso também reflete um consumidor mais cauteloso, que busca evitar o endividamento prolongado”, destaca.
Período de compras
A pesquisa mostra ainda que a maioria dos consumidores prefere se antecipar. Cerca de 68% afirmaram que irão adquirir os presentes na primeira semana de maio, enquanto 20% devem deixar para os dias que antecedem a data. Outros 12% planejam comprar ainda no mês de abril.
Esse comportamento, segundo especialistas, favorece o planejamento do varejo, permitindo a criação de campanhas promocionais escalonadas e melhor gestão de estoques.
Oportunidades e desafios para o comércio
Diante dos números, a FCDL-MG avalia que o cenário é positivo para o comércio mineiro, especialmente pelo aumento no número de consumidores e pela diversificação nas formas de pagamento e nos produtos escolhidos.
“O Dia das Mães segue como uma oportunidade estratégica para os lojistas. Investir em criatividade, promoções atrativas e variedade de produtos será essencial para aproveitar o potencial da data”, afirma o economista.
Por outro lado, ele alerta para a necessidade de atenção ao contexto econômico.
“Apesar das boas expectativas, ainda existe uma parcela da população impactada por restrições financeiras, reflexo da inflação acumulada e da necessidade de reorganização das finanças pessoais. O varejo precisa estar atento a esse cenário, oferecendo opções acessíveis e condições facilitadas”, completa.



