O custo de vida em Montes Claros (MG) voltou a subir em março de 2026, conforme aponta o levantamento do Índice de Preços ao Consumidor do Município de Montes Claros (IPC Moc), divulgado pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O índice registrou variação de 0,70%, acima dos 0,30% observados em fevereiro, acumulando alta de 1,72% no ano.
Segundo a coordenadora do IPC Moc, professora Vânia Vilas-Boas, o cenário geral indica relativa estabilidade, mas com impactos relevantes no poder de compra das famílias, sobretudo as de menor renda. Ela destaca que a expectativa para os próximos meses é de inflação moderada, com possível desaceleração dos alimentos, embora os combustíveis ainda representem fator de pressão sobre os preços.
Alimentação e combustíveis puxam alta da inflação
O grupo Alimentação, que possui o maior peso na composição do orçamento familiar (29,47%), foi o principal responsável pela elevação do índice, com variação de 1,27% e impacto de 0,37% no resultado geral.
Entre os itens com maiores altas estão repolho (32,21%), cenoura (29,39%), kiwi (28,16%), tomate (17,03%), cebola (16,49%), maracujá (16,22%) e manga (15,87%), além de banana, vagem, batata inglesa e ovos. Também registraram aumento carne bovina (2,01%) e feijão (9,12%).
Por outro lado, houve redução em produtos como chuchu (-48,70%), quiabo (-17,37%), abacate (-15,89%), mexerica/tangerina (-11,50%), além de açúcar, óleo de soja e café, entre outros.
O grupo Transportes e Comunicação também teve forte influência, com alta de 1,04%, impulsionado principalmente pelo óleo diesel (12,11%), gasolina (2,75%) e etanol (1,20%).
Habitação tem leve queda, mas itens sobem
O grupo Habitação apresentou leve variação negativa de -0,05%, influenciado pela redução de preços em itens como amaciante, sabão em pó, chuveiro e materiais de construção. Em contrapartida, houve aumento em produtos como sabão em barra, pilha, carvão, verniz, caixa d’água e lâmpadas.
Já o grupo Artigos de Residência teve alta de 0,42%, com destaque para churrasqueira (8,60%), liquidificador (4,06%) e antena parabólica (5,83%), enquanto eletrodomésticos como micro-ondas e ar-condicionado registraram queda.
O grupo Vestuário também apresentou leve alta de 0,14%, enquanto Educação e Despesas Pessoais subiu 0,74%, influenciado por itens como canetas, cadernos e cigarros.
Cesta Básica acumula forte alta em 2026
A Cesta Básica de Montes Claros, composta por 13 itens essenciais, registrou aumento de 5,07% em março, após alta de 2,08% em fevereiro. No acumulado do ano, o avanço chega a 7,42%.
Os dados são calculados com base na Pesquisa Mensal de Preços ao Consumidor, coordenada pelo IPC da Unimontes, e refletem diretamente o impacto no orçamento das famílias.
Com rendimento médio mensal estimado em R$ 1.621,00, o trabalhador destinou 37,38% da renda para a compra da cesta básica em março. O custo total foi de R$ 605,94, acima dos R$ 576,69 registrados no mês anterior.
Após a aquisição dos itens essenciais, restaram R$ 1.015,06 para outras despesas como moradia, saúde, transporte e lazer. O tempo médio de trabalho necessário para adquirir a cesta básica também aumentou, passando de 97 horas e 22 minutos em fevereiro para 102 horas e 19 minutos em março.
Pressão no orçamento das famílias
O levantamento reforça a tendência de pressão sobre o orçamento das famílias montes-clarenses, especialmente em itens essenciais como alimentos e combustíveis. A alta simultânea da inflação e da cesta básica evidencia a perda de poder de compra, principalmente entre famílias de menor renda.
A Unimontes ressalta que o IPC Moc é um indicador histórico, calculado desde 1982, que acompanha a variação de preços de bens e serviços consumidos por famílias com renda entre um e seis salários mínimos, servindo como importante referência para análise econômica regional.



