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Reforços “exóticos”, ambição e jogo reativo: rival do Atlético na Sul-Americana tenta surpreender - Rede Gazeta de Comunicação

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Reforços “exóticos”, ambição e jogo reativo: rival do Atlético na Sul-Americana tenta surpreender

O Atlético inicia sua caminhada na Copa Sul-Americana de 2026 diante de um adversário pouco tradicional no cenário continental, mas que carrega um projeto ambicioso e em franca evolução. A Academia Puerto Cabello, da Venezuela, será o primeiro desafio do Galo no Grupo B, em confronto marcado para a noite desta quarta-feira (8), no Estádio Misael Delgado, na cidade de Valência.

Com apenas 15 anos de fundação, o clube venezuelano ainda busca consolidar seu nome fora do país, mas já chama atenção por estratégias pouco convencionais no mercado da bola e por um modelo de jogo que pode oferecer riscos aos adversários mais tradicionais. A análise é do jornalista venezuelano Hermes Bermúdez, que detalhou as características da equipe em entrevista ao portal No Ataque.

Projeto ambicioso e investimento acima da média

Fundada em 2011, a Academia Puerto Cabello surge como uma das instituições emergentes do futebol venezuelano. Com maior capacidade financeira em comparação a boa parte dos clubes locais, a equipe tem investido de forma agressiva na montagem do elenco, apostando em contratações internacionais consideradas “exóticas” para os padrões do país.

O atual grupo de jogadores reúne atletas de diversas nacionalidades, o que evidencia a tentativa do clube de acelerar seu crescimento esportivo. Entre os nomes estão os uruguaios Gerónimo Bortagaray e Pablo Lima, o panamenho Jiovany Ramos, o sérvio Stefan Obradović, o angolano Giovani Bamba, o português João Barros e o nigeriano Musa Isah. Além disso, há presença de jogadores da seleção venezuelana, reforçando o nível técnico do elenco.

Segundo Bermúdez, esse perfil de contratações só é possível devido ao poderio econômico da instituição. “É um clube que consegue investir e trazer nomes internacionais, algo incomum no futebol venezuelano. Existe um projeto claro de crescimento a médio e longo prazo”, destacou.

Comando experiente e foco em resultados

À frente da equipe está o técnico Eduardo Saragó, figura conhecida no futebol venezuelano e com histórico de conquistas nacionais. O treinador já foi campeão por clubes como Deportivo Lara e Deportivo Táchira, o que reforça a credibilidade do projeto esportivo da Academia Puerto Cabello.

Desde que assumiu o comando, Saragó tem a missão de elevar o nível competitivo do clube, não apenas no cenário doméstico, mas também em competições internacionais. A expectativa interna é que a equipe consiga, ao menos, avançar de fase na Sul-Americana — o que já representaria um feito histórico.

Estilo de jogo: variação tática e contra-ataques

Dentro de campo, a Academia Puerto Cabello apresenta um estilo de jogo considerado versátil. Sob o comando de Saragó, a equipe alterna formações táticas de acordo com o adversário, já tendo atuado em esquemas como 4-4-2 e 3-4-3.

Apesar dessa flexibilidade, há uma característica predominante: o jogo reativo. O time costuma ter menos posse de bola e aposta na velocidade pelos lados do campo para surpreender nos contra-ataques. Jogadores rápidos e técnicos, como o destaque Gerardo Padrón, são peças-chave nesse modelo.

A estratégia pode se tornar perigosa especialmente diante de equipes que se expõem ofensivamente, cenário que exige atenção redobrada do Atlético.

Fragilidades e irregularidade

Por outro lado, o rival do Galo também apresenta limitações claras. De acordo com Bermúdez, uma das principais fragilidades da equipe está na dificuldade de criação quando precisa propor o jogo.

“Quando tem a posse de bola, muitas vezes não sabe o que fazer com ela. Falta criatividade e construção ofensiva mais elaborada, principalmente contra adversários mais fechados”, explicou o jornalista.

Além disso, a equipe vive um momento de instabilidade, alternando bons e maus resultados na temporada, o que levanta dúvidas sobre sua consistência em um torneio de maior nível competitivo.

Desafio internacional e sonho inédito

A participação na Copa Sul-Americana representa mais um capítulo importante na trajetória recente da Academia Puerto Cabello. O clube tenta quebrar a barreira histórica enfrentada por equipes venezuelanas em competições continentais, que tradicionalmente encontram dificuldades para avançar às fases decisivas.

Inserido em um grupo considerado equilibrado, que também conta com Cienciano, do Peru, e Juventud, do Uruguai, o time venezuelano enxerga a possibilidade real de disputar a classificação, especialmente pela segunda colocação.

Internamente, o discurso é de afirmação. A meta é mostrar competitividade e conquistar pontos importantes, principalmente atuando em casa, onde espera fazer a diferença.

Atlético busca impor favoritismo

Vice-campeão da Sul-Americana em 2025, o Atlético chega para a edição de 2026 com o objetivo de ir além e conquistar o título. Diante de um adversário em ascensão, mas ainda inexperiente em nível internacional, o clube mineiro tenta iniciar a campanha com vitória fora de casa.

O confronto desta quarta-feira servirá como termômetro tanto para o Galo, que busca confirmar o favoritismo, quanto para a Academia Puerto Cabello, que encara o duelo como oportunidade de provar sua evolução no cenário continental.

Em um duelo que coloca frente a frente tradição e projeto emergente, a partida promete ser mais equilibrada do que a diferença de história entre os clubes pode sugerir.