João pedro Issa
Estudante de ciências sociais
No Islam Mohamed é assimilado no logos enquanto tal, o que não é nenhum absurdo, já que toda religião faz isso com seu respectivo profeta. Mas os profetas anteriores a Mohammed exercem uma função dentro do próprio Islã, já que o Islã se propõe a reestruturar e ser uma síntese dos monoteísmos anteriores a ele. O Islã não inventa o monoteísmo do zero, ele se vê como o “selo”. No Islã, existem três elementos: el-imã, el-islam, el-ishan(Fé, lei, caminho) ou iman, sharia, tariqa. Com cada um dos profetas anteriores exercendo algum dos três elementos: Abraão a fé, Moisés a lei e Jesus o caminho.
Como já tratado anteriormente, cada um dos elementos tem um aspecto predominantemente e absorve os demais elementos por extensão. O islã, por sua vez, se propõe a ser um equilíbrio deles, que fica expresso na sua doutrina dos 3 elementos.
Os profetas possuem todas as virtudes, sem dúvidas, mas na ótica islâmica, Mohammed é a síntese clara e expressa dessas virtudes e qualidades. Pode-se até dizer que determinada virtude possui um determinado profeta, porém esse profeta possui outras virtudes, sob o aspecto que lhe é primordial. Cada profeta é um aspecto do Absoluto no setor cósmico que lhe é reservado. O partidarismo religioso que já tratei anteriormente, como um elemento crucial para a virilidade religiosa, faz os muçulmanos verem Mohammed como, como logos enquanto tal.
Um aspecto compensatório do Islam, é a pequenez que o próprio profeta impôs a ele mesmo, uma simplicidade que prova a sua sinceridade, um imposto qualquer que viesse depois de Jesus Cristo não deixaria de declarar que ele é também filho de Deus. O Profeta admitia é deixou expresso no Corão o nascimento virginal de Cristo, o que não lhe era nenhum pouco vantajoso. Em nenhum momento Mohamed se colocou como um Super-homem, mas como um homem comum que recebeu uma missão Divina.
Tendes no mensageiro de Allah um belo exemplo, diz o Corão. As virtudes que observamos nos muçulmanos mais piedosos não seriam praticadas se o próprio profeta não as tivesse também praticado. É inconcebível que as virtudes tenham sido emprestadas de outra religião, pois ela tem um modo que são especificamente islâmicos. Se os Muçulmanos igualam outros Profetas a Mohamed não é por mau-caratismo, é pelo partidarismo religioso que é próprio de toda religião.
O Islam dá ênfase no homem-divino, que é o homem primordial, imagem do criador, mas não a divindade. O Cristianismo opta pelo Homem-Deus, que é Deus tomando forma humana. Existe então, dois aspectos de santidade: uma formal e outra substancial. A santidade formal se dá pelo rigor a forma divina, o santo é tão perfeito que é Deus enquanto tal. A santidade substancial se realiza pela similaridade a forma divina. O Muçulmano vai dizer: os atos daquele que possui um caráter divino, só podem ter qualidade divina, mas não são Deus enquanto tal. A santidade forma não é possível sem a santidade substância. O Cristão que acredita na santidade forma, deslegitima atos ambíguos que a santidade substância abarca, por não seguirem o rigor formal. Mohamed apesar de ter muitas esposas era casto, não luxurioso, apesar de fazer guerra contra os inimigos da fé, pregava e fazia tratados de paz. Essas ações provam não que ele era hipócrita, mas que era um homem, é a pequenez que ele próprio se impôs por pura humildade. É também um exercício de fé ao crente, de perceber que o último dos mensageiros de Deus era tão homem quanto o crente. Estar engajado nos acidentes e intemperes do mundo, mas ao mesmo tempo ter a preferência pela essência e pelo frescor divino é o que legitima a mensagem de Mohamed.
O Islam insiste na pobreza do Profeta, que aparece como uma quintessência das virtudes. No Islam, a pobreza ganha uma grande nobreza, que vai da Sunnah até a arte, a grandiosidade das mesquitas é ofuscada por uma sublime monotonia, a recitação do Corão é a fonte dessa pobreza grandiosa e sublime, recitá-lo é beber da Santa pobreza. A secura do estilo corânico gera força ao crente que o recita. isso inclusive é um dos motivos para a arte islâmica não ter caído no individualismo da arte cristã. A tenacidade e coragem do Árabe é fruto da sua pobreza, seu ethos é do deserto.
O Santo pauperismo não é encontrado somente no islam., mas também no evangelho, embora o evangelho não se tenha a monotonia e secura do Corão. A mensagem evangélica lembra que o mundo não merece o máximo, mas o mínimo. A pobreza evangélica é pela gratidão, a corânica pela secura que se torna mais tarde tenacidade.


