Brasil faz história na neve: Cristian Ribera conquista primeira medalha paralímpica de inverno do país - Rede Gazeta de Comunicação

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Brasil faz história na neve: Cristian Ribera conquista primeira medalha paralímpica de inverno do país

O esporte brasileiro alcançou um feito histórico nesta terça-feira (10) nos Jogos Paralímpicos de Inverno de 2026. O esquiador Cristian Westemaier Ribera, de apenas 23 anos, conquistou a medalha de prata na prova de sprint sentado do esqui cross-country, garantindo a primeira medalha da história do Brasil em Paralimpíadas de Inverno. A disputa foi realizada no Tesero Cross-Country Stadium, em Val di Fiemme, região das Dolomitas italianas, palco das competições de neve da atual edição dos Jogos.

O resultado marca um momento histórico para o esporte paralímpico brasileiro e também para toda a América Latina, que passa a contar com sua primeira medalha na história das Paralimpíadas de Inverno. A conquista de Ribera representa mais um passo no crescimento das modalidades de neve no país, tradicionalmente associado a esportes de verão.

Prova decidida nos metros finais

Cristian Ribera chegou à final como um dos grandes favoritos à medalha. Atual campeão da Copa do Mundo de esqui cross-country paralímpico, o brasileiro confirmou o bom momento já nas classificatórias, nas quais registrou o melhor desempenho entre os competidores.

Na decisão, o atleta brasileiro manteve um ritmo forte desde a largada e liderou boa parte do percurso de 1.024 metros. No entanto, nos metros finais da prova, acabou sendo ultrapassado pelo chinês Liu Zixu, que cruzou a linha de chegada com o tempo de 2min28s9.

Ribera terminou logo atrás, registrando 2min29s6 e garantindo a medalha de prata. O pódio foi completado pelo atleta do Cazaquistão, Yerbol Khamitov, que marcou o tempo de 2min29s9 e ficou com o bronze.

Mesmo sem o ouro, o resultado foi celebrado como um marco histórico para o esporte brasileiro.

Sonho realizado

Após a prova, Cristian Ribera demonstrou emoção ao comentar a conquista. O atleta afirmou que seu objetivo era a medalha de ouro, mas reconheceu o mérito do adversário e celebrou o resultado histórico.

Segundo ele, subir ao pódio representando o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno é a realização de um sonho construído ao longo de muitos anos de dedicação ao esporte.

O esquiador também destacou que a medalha serve como motivação para continuar evoluindo nas próximas competições. Ribera ainda tem outras oportunidades de medalha nesta edição dos Jogos, já que participará de novas provas nos próximos dias.

Entre os desafios restantes estão a disputa dos 10 km, programada para quarta-feira (11), o revezamento misto no sábado (14) e a prova de 20 km no domingo (15).

Trabalho de longo prazo

A conquista também foi comemorada pela Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN). O presidente da entidade, Anders Pettersson, destacou que o resultado é fruto de um projeto de longo prazo voltado ao desenvolvimento das modalidades de inverno no país.

Segundo ele, foram quase 12 anos de trabalho para que o Brasil alcançasse esse momento histórico. O dirigente ressaltou ainda que a medalha simboliza a quebra de uma barreira importante para o esporte latino-americano nas competições de neve.

Trajetória de superação

Natural de Cerejeiras, em Rondônia, Cristian Ribera foi criado em Jundiaí, no interior de São Paulo. Sua história no esporte é marcada por superação desde o nascimento. O atleta nasceu com artrogripose, uma doença congênita que afeta as articulações das extremidades do corpo.

Ao longo da vida, ele precisou passar por 21 cirurgias nas pernas. Mesmo diante das dificuldades, encontrou no esporte um caminho de desenvolvimento e competitividade.

Ribera iniciou sua trajetória internacional ainda muito jovem. Em 2018, aos 15 anos, disputou seus primeiros Jogos Paralímpicos de Inverno, em PyeongChang, na Coreia do Sul. Na ocasião, terminou na sexta colocação na prova de 15 km do esqui cross-country, resultado que, na época, já representava o melhor desempenho brasileiro na história da competição.

Desde então, o atleta evoluiu rapidamente e passou a figurar entre os principais nomes do circuito internacional.

Consolidação no cenário mundial

Nos últimos anos, Cristian Ribera se consolidou como uma das principais referências do esqui cross-country paralímpico. Em 2025, alcançou um feito inédito ao se tornar o primeiro brasileiro campeão geral da Copa do Mundo da modalidade, conquistando o tradicional Globo de Cristal.

A temporada atual também começou de forma promissora para o atleta. Em janeiro, durante etapa da Copa do Mundo realizada em Finsterau, na Alemanha, Ribera conquistou duas medalhas de ouro nas provas de 1 km e 10 km.

Com esses resultados, ele chegou aos Jogos Paralímpicos de Inverno como um dos favoritos ao pódio — expectativa confirmada com a medalha de prata histórica conquistada nesta terça-feira.

Família ligada ao esporte

O esporte também faz parte da história familiar de Ribera. Sua irmã, Eduarda Ribera, também competiu no esqui cross-country e representou o Brasil em competições internacionais de inverno, contribuindo para o desenvolvimento da modalidade no país.

A trajetória da família se tornou uma das referências no esporte paralímpico brasileiro.

Outro resultado importante para o Brasil

Além da medalha histórica de Ribera, o Brasil também comemorou outro resultado expressivo nesta terça-feira nos Jogos Paralímpicos de Inverno.

A atleta paranaense Aline Rocha terminou na quinta colocação na prova de sprint sentado do esqui cross-country feminino, com o tempo de 3min21s. O resultado representa o melhor desempenho feminino da história do Brasil nas Paralimpíadas de Inverno.

Até então, o melhor resultado havia sido da própria Aline, que havia conquistado a sétima colocação nas provas de 15 km do esqui cross-country em Pequim 2022.

Paraplégica desde os 15 anos, após sofrer um acidente automobilístico, Aline Rocha também é considerada uma das pioneiras do esporte de inverno no Brasil. A atleta ainda disputará outras provas na competição, incluindo as distâncias de 10 km e 20 km.

Brasil amplia presença em esportes de inverno

A medalha de Cristian Ribera chega poucas semanas depois de outro feito histórico para o país. Nos Jogos Olímpicos de Inverno, encerrados em fevereiro, o Brasil também conquistou sua primeira medalha olímpica na neve.

Na ocasião, o esquiador Lucas Pinheiro Braathen conquistou o ouro no slalom gigante do esqui alpino, ampliando a presença brasileira nas competições de inverno.

Com a conquista paralímpica desta terça-feira, o Brasil passa agora a ter medalhas em todos os formatos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos — tanto nas edições de verão quanto nas de inverno.

Para o esporte nacional, o resultado representa não apenas uma vitória individual, mas também um símbolo do crescimento e da diversificação das modalidades praticadas por atletas brasileiros no cenário internacional.