Marcelo de Souza e Silva
Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas
O empreendedorismo feminino é hoje uma das forças mais vibrantes da economia mineira. São histórias de coragem, autonomia e transformação social. Em Minas Gerais, mais de 40% dos pequenos negócios são liderados por mulheres. Em números absolutos, isso significa quase 1 milhão de empresas comandadas por empreendedoras, dentro de um universo de cerca de 2,6 milhões de pequenos negócios ativos no estado, segundo levantamento do Sebrae Minas com base em dados da Receita Federal.
Os dados revelam a crescente presença das mulheres no mundo dos negócios, mas ao mesmo tempo, evidenciam também uma realidade marcada por desafios muitas vezes invisíveis.
Conciliar o negócio com a vida pessoal ainda é uma equação complexa para elas. Uma pesquisa recente do Sebrae Minas mostra que 44% das empreendedoras dizem estar satisfeitas com o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, mas uma proporção equivalente relata algum nível de insatisfação. O principal motivo aparece de forma clara: 49% apontam a carga mental constante como o maior obstáculo para conseguir se desligar do trabalho.
Esse dado chama ainda mais atenção quando se observa a rotina dessas mulheres. Quatro em cada dez empreendedoras trabalham entre oito e doze horas por dia em seus negócios, enquanto outras 16% dedicam mais de 12 horas diárias à empresa. É uma jornada intensa que, muitas vezes, se soma às responsabilidades familiares.
O perfil dessas empreendedoras ajuda a entender melhor esse cenário. Mais de 60% têm entre 31 e 50 anos, fase da vida em que carreira, família e projetos pessoais frequentemente caminham juntos. Mais da metade é casada e seis em cada dez têm filhos, o que torna ainda mais desafiador equilibrar as múltiplas demandas do cotidiano.
Mesmo diante dessa realidade, a decisão de empreender, para a maioria, nasce da oportunidade. Cerca de 65% das empreendedoras afirmam que abriram o próprio negócio por enxergar uma oportunidade de crescimento ou realização, enquanto 35% empreenderam por necessidade. Entre as principais motivações estão a realização pessoal e profissional (35%), a busca por maior flexibilidade de tempo (22%) e a independência financeira (21%).
Apesar desses avanços, para elas, iniciar um negócio ainda exige superar barreiras importantes. Mais da metade das empreendedoras (51%) aponta a falta de conhecimento em gestão empresarial como uma das maiores dificuldades para começar. Em seguida, aparecem desafios como conciliar trabalho e vida pessoal e o acesso a crédito.
Outro dado chama a atenção: 60% das mulheres afirmam que não participaram de cursos, treinamentos ou mentorias antes de empreender, um fator que pode limitar o crescimento e a sustentabilidade dos negócios.
Quando o negócio já está em funcionamento, os desafios continuam. Fazer marketing é a maior dificuldade apontada por 56% das empreendedoras, seguida pela gestão financeira (49%). Também aparecem como obstáculos definir metas, fazer planejamento estratégico (39%) e pensar fora da caixa e inovar (38%).
Ao mesmo tempo, as mulheres mostram grande capacidade de adaptação às transformações do mercado. Quase metade das empreendedoras (45%) vende exclusivamente por canais digitais, enquanto 33% combinam presença online com loja física. Apenas 22% atuam exclusivamente no modelo físico, o que mostra que a maioria já aposta no ambiente digital como estratégia de crescimento.
Apesar desse dinamismo, ainda existe um grande espaço para fortalecer redes de apoio. Nada menos que 93% das empreendedoras afirmam não participar de grupos ou redes colaborativas de empreendedorismo feminino, o que evidencia o potencial de iniciativas que estimulem conexões, troca de experiências e construção coletiva de soluções.
É justamente nesse contexto que o trabalho do Sebrae Minas se torna ainda mais relevante. A instituição atua para fortalecer os pequenos negócios e ampliar as oportunidades para quem empreende, oferecendo capacitações, consultorias, mentorias e programas específicos voltados ao empreendedorismo feminino.
Minas Gerais, inclusive, tem um papel central nessa agenda. Foi no estado que nasceu o Sebrae Delas, programa criado para incentivar, capacitar e fortalecer o empreendedorismo feminino. A iniciativa começou em Minas, ganhou escala e demonstrou resultados tão consistentes que passou a ser adotada em nível nacional pelo Sistema Sebrae.
Ao apoiar mulheres empreendedoras, o Sebrae Minas não fortalece apenas empresas, fortalece trajetórias de autonomia, geração de renda e desenvolvimento social.
No Dia Internacional da Mulher, olhar para o empreendedorismo feminino é reconhecer a potência dessas histórias que se multiplicam por todo o estado e, principalmente, incentivar cada vez mais a evolução das mulheres que decidem estar à frente dos negócios. Mulheres que conciliam múltiplas jornadas, enfrentam desafios diários e, ainda assim, transformam sonhos em oportunidades de trabalho e prosperidade.
Porque quando uma mulher empreende, ela não constrói apenas uma empresa.
Ela ajuda a construir um futuro mais próspero, mais justo e diverso.


