Museu Regional abre programação com cinema, curta montes-clarense e clássico premiado internacionalmente - Rede Gazeta de Comunicação

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Museu Regional abre programação com cinema, curta montes-clarense e clássico premiado internacionalmente

O Museu Regional do Norte de Minas inicia a programação cultural de fevereiro apostando na força do audiovisual e na valorização da produção artística local. Vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros, o espaço recebe nesta terça-feira (24/02) três sessões do curta-metragem “Uma Grande Joana”, obra dirigida pela cineasta montes-clarense Lara Firmino.

Com duração de 24 minutos, o filme foi viabilizado por meio de recursos da Lei Aldir Blanc/2025, mecanismo que tem ampliado oportunidades para criadores independentes em diversas regiões do país. As exibições estão previstas para ocorrer às 18h30min, 19h e 19h30min, permitindo ao público diferentes opções de horário.

Além da projeção cinematográfica, a programação inclui apresentação de integrantes do Segundo Terno de Catopês de São Benedito, manifestação tradicional profundamente enraizada na identidade cultural do Norte de Minas. A proposta é integrar diferentes linguagens artísticas, conectando cinema e expressões populares em uma mesma experiência cultural.

O curta apresenta uma narrativa sensível centrada na personagem Ayla, jovem criativa que enfrenta dificuldades de adaptação no ambiente escolar. Suspensa após um atraso, ela passa a vivenciar experiências fora da rotina acadêmica, quando conhece uma mulher em situação de rua que sofre lapsos de memória. A convivência entre as duas personagens conduz a trama, marcada por encontros, trocas afetivas e reflexões sobre empatia, amadurecimento e pertencimento.

Para o jornalista e curador Elpídio Rocha, a exibição reforça o crescimento qualitativo do audiovisual montes-clarense. Segundo ele, iniciativas como essa ampliam o diálogo entre artistas e comunidade, além de consolidar o museu como espaço dinâmico de difusão cultural.

“O curta evidencia não apenas talento técnico, mas também a capacidade da produção local em abordar temas humanos universais. É um cinema que dialoga diretamente com o público, trazendo sensibilidade e identidade regional”, observa.

Na quinta-feira (26/02), o museu dá início à temporada 2026 do CineMuseu, projeto que mantém sessões regulares e propõe ao público um mergulho em obras relevantes da história do cinema. A nova mostra, intitulada “Olhares que Falam: Vencedores Internacionais do Oscar”, busca celebrar a diversidade das cinematografias mundiais e promover contato com produções consagradas.

A sessão de abertura, marcada para as 19h, exibirá “Ladrões de Bicicleta” (Itália, 1948), dirigido por Vittorio De Sica. Considerado um dos marcos do Neorrealismo Italiano, o longa é amplamente reconhecido como uma das obras-primas do cinema mundial.

O filme acompanha a trajetória de Antonio Ricci, trabalhador que luta para sustentar a família em meio às dificuldades do pós-guerra. Ao conseguir um emprego que depende do uso de bicicleta, ele empenha os poucos bens domésticos para adquirir o veículo. No entanto, logo no primeiro dia de trabalho, a bicicleta é roubada, desencadeando uma busca angustiante pelas ruas de Roma, ao lado do filho Bruno.

A narrativa, marcada por realismo e profundidade emocional, tornou-se referência estética e temática, influenciando gerações de cineastas. A escolha da obra para abertura da temporada sinaliza o compromisso do CineMuseu em aproximar o público regional de clássicos fundamentais da linguagem cinematográfica.

Os eventos integram uma estratégia mais ampla de fortalecimento do museu como polo cultural ativo no centro histórico de Montes Claros. As atividades são realizadas em parceria com o Cinema Comentado Cineclube, iniciativa voltada à difusão e debate de obras audiovisuais, com apoio da Fulô Comunicação e Cultura.

Ambas as programações acontecem na sede do Museu Regional do Norte de Minas, localizada na rua Coronel Celestino, 75. O acesso é gratuito, reforçando a proposta de democratização cultural e ampliação do alcance das atividades promovidas pelo espaço.

Combinando produção local contemporânea e clássicos consagrados internacionalmente, a agenda reafirma o papel do museu como ambiente de encontro entre arte, reflexão e comunidade, consolidando o cinema como ferramenta de expressão, memória e diálogo social.