Norte de Minas recebe primeira remessa de nirsevimabe e amplia proteção a bebês prematuros e crianças vulneráveis - Rede Gazeta de Comunicação

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Norte de Minas recebe primeira remessa de nirsevimabe e amplia proteção a bebês prematuros e crianças vulneráveis

O Norte de Minas Gerais deu um passo importante no fortalecimento da assistência à saúde infantil com o recebimento da primeira remessa de nirsevimabe, imunobiológico incorporado recentemente ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, 766 doses do anticorpo monoclonal humano, de longa duração, começaram a ser distribuídas nesta semana para instituições estratégicas da região.

As primeiras unidades contempladas são o Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE) Regional de Montes Claros e as maternidades da Santa Casa de Montes Claros, do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira e do Hospital e Maternidade Sagrado Coração de Jesus, em Janaúba, mantido pela Fundação de Assistência Social de Janaúba (Fundajan).

O nirsevimabe representa uma inovação no enfrentamento do vírus sincicial respiratório (VSR), principal agente causador da bronquiolite e responsável por elevado número de internações em crianças pequenas. Diferentemente das vacinas tradicionais, o imunobiológico é um anticorpo monoclonal que oferece proteção imediata, reduzindo significativamente o risco de complicações respiratórias graves.

Proteção imediata e dose única

Indicado especialmente para recém-nascidos prematuros e crianças com condições clínicas especiais, o nirsevimabe tem como diferencial a administração em dose única, com efeito prolongado durante o período de maior circulação do vírus.

A coordenadora de Vigilância em Saúde da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes, destaca a relevância da medida.

“A incorporação do nirsevimabe no SUS representa um grande avanço na proteção de recém-nascidos prematuros e crianças com condições clínicas especiais. Trata-se de uma estratégia moderna, eficaz e de grande impacto na redução de internações”, avalia.

Até recentemente, o acesso ao imunobiológico era restrito à rede privada, com valores que variavam entre R$ 2,6 mil e R$ 3,5 mil por dose — custo proibitivo para grande parte das famílias brasileiras. A decisão do Ministério da Saúde de incorporá-lo ao SUS democratiza o acesso e amplia a cobertura protetiva para grupos mais vulneráveis.

Público-alvo prioritário

O anticorpo monoclonal é indicado para bebês prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e seis dias, além de crianças menores de 24 meses que apresentem condições clínicas de maior risco.

Entre as situações contempladas estão:

Cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica

Doença pulmonar crônica da prematuridade

Imunocomprometimento grave

Síndrome de Down

Fibrose cística

Anomalias congênitas das vias aéreas

Doenças pulmonares graves

Doenças neuromusculares severas

A estratégia busca reduzir complicações que frequentemente resultam em hospitalizações prolongadas, internações em unidades de terapia intensiva e, em casos mais graves, risco de óbito.

Cenário epidemiológico preocupa autoridades

Dados do Ministério da Saúde reforçam a necessidade de ampliação das medidas preventivas. O vírus sincicial respiratório é responsável por aproximadamente 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos.

Somente em 2025, o Brasil registrou 120.176 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados a vírus respiratórios. Desse total, 43.946 (36,6%) foram atribuídos ao VSR.

O impacto é ainda mais expressivo na população infantil: mais de 36 mil hospitalizações envolveram crianças menores de dois anos, correspondendo a 82,5% dos casos confirmados de VSR.

O cenário evidencia o peso da bronquiolite como problema de saúde pública e reforça a importância de intervenções preventivas, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social e desafios assistenciais.

Distribuição estratégica das doses

A distribuição das primeiras 766 doses foi planejada de forma a contemplar maternidades com maior volume de partos prematuros e o CRIE Regional, responsável por atender demandas especializadas de toda a macrorregião.

Durante reunião realizada na segunda-feira (9/2), com coordenadores de maternidades e profissionais de imunização, a referência técnica de vigilância em saúde da SRS, Mônica de Lourdes Rochido, detalhou a estratégia inicial.

“Inicialmente, estamos repassando imunizantes para quatro maternidades que, em conjunto, realizam mensalmente cerca de 120 partos de recém-nascidos prematuros. A expectativa é ampliar gradualmente a distribuição, à medida que outras unidades estruturarem salas de vacinação”, explicou.

Em Montes Claros, foram destinadas:

196 doses para a Secretaria Municipal de Saúde

103 doses para a Santa Casa

49 doses para o Hospital das Clínicas

44 doses para o HUCF

O CRIE Regional de Montes Claros recebeu 503 doses, destinadas ao atendimento de 86 municípios da macrorregião Norte.

Já Janaúba foi contemplada com 67 doses, direcionadas ao Hospital e Maternidade Sagrado Coração de Jesus.

Papel estratégico do CRIE

O Centro de Referência em Imunobiológicos Especiais desempenha função central na logística e na assistência a pacientes com indicações específicas. As solicitações de nirsevimabe serão encaminhadas pelos serviços municipais de atenção primária, garantindo avaliação técnica e rastreabilidade.

Além do fornecimento, o CRIE atua no monitoramento, orientação clínica e apoio às equipes de saúde dos municípios.

Rastreabilidade e segurança

Para assegurar controle rigoroso do imunobiológico, a SRS orienta as instituições quanto à necessidade de registro detalhado das doses aplicadas.

Mônica Rochido enfatiza a importância da rastreabilidade:

“As maternidades devem registrar as doses no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), no e-SUS APS ou em sistemas próprios, além de anotar no cartão de vacina e no prontuário médico do bebê.”

O procedimento garante monitoramento, segurança e transparência no uso da tecnologia.

Vacinação de gestantes reforça proteção

Além do nirsevimabe, o Ministério da Saúde também incorporou ao calendário nacional a vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes. A estratégia visa transferir anticorpos ao bebê ainda durante a gestação, ampliando a proteção nos primeiros meses de vida.

Na área de abrangência da SRS de Montes Claros, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, 2.769 gestantes foram imunizadas em 54 municípios.

A ação integra um conjunto de medidas voltadas à redução de casos graves de bronquiolite e outras infecções respiratórias na primeira infância.

Avanço para a saúde infantil

A chegada do nirsevimabe ao Norte de Minas simboliza não apenas a incorporação de uma nova tecnologia, mas também o fortalecimento das políticas públicas de proteção à infância.

Especialistas apontam que a prevenção é uma das estratégias mais eficazes para reduzir pressão sobre leitos hospitalares, minimizar sofrimento familiar e evitar desfechos clínicos graves.

Com a ampliação gradual da oferta, a expectativa é que mais maternidades da região passem a disponibilizar o imunobiológico, consolidando uma rede de proteção mais robusta para bebês prematuros e crianças com maior vulnerabilidade clínica.