A indústria mineira encerrou o ano de 2025 com saldo positivo na geração de empregos formais, mesmo em um cenário de juros elevados e desaceleração da atividade econômica. Ao longo do ano, o setor industrial de Minas Gerais criou 7.196 postos de trabalho com carteira assinada, resultado impulsionado principalmente pelos segmentos extrativo e de transformação, segundo dados do boletim da Gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
As informações foram consolidadas a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e indicam que, apesar do desempenho positivo, o ritmo de criação de vagas na indústria apresentou desaceleração significativa em relação ao ano anterior. Em 2024, o setor havia registrado a abertura de 37.589 empregos formais, o que representa uma redução de aproximadamente 80% no saldo anual de 2025.
De acordo com a FIEMG, o resultado reflete um ambiente econômico mais restritivo, marcado pela manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado, o que afeta diretamente os investimentos produtivos e a expansão das empresas. Ainda assim, a indústria extrativa e a indústria de transformação conseguiram sustentar a criação líquida de empregos, compensando parcialmente a retração observada em outros segmentos.
Os setores de energia e saneamento, assim como o da construção, apresentaram saldo negativo de vagas ao longo de 2025, contribuindo para a desaceleração do resultado agregado da indústria. A entidade avalia que esses segmentos são particularmente sensíveis às condições de crédito e ao custo do financiamento, fatores diretamente impactados pela política monetária mais restritiva.
O boletim da FIEMG também destaca que outros setores relevantes da economia mineira mantiveram saldo positivo na geração de empregos formais no ano passado, embora em ritmo inferior ao registrado em 2024. O comércio acumulou a criação de 20.286 vagas em 2025, contra 28.919 no ano anterior. Já o setor de serviços, tradicionalmente o maior empregador do estado, registrou saldo de 46.538 postos de trabalho, frente a 74.420 no mesmo período de 2024.
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, os números evidenciam um processo de desaceleração gradual do mercado de trabalho, tanto na indústria quanto nos demais setores da economia. Segundo ele, esse movimento é resultado dos efeitos acumulados de uma política monetária mais restritiva sobre a atividade econômica, além de um mercado de trabalho que já opera próximo ao pleno emprego.
“O cenário observado na indústria e nos demais setores evidencia um processo de desaceleração gradual do mercado de trabalho em resposta aos efeitos acumulados de uma política monetária mais restritiva sobre a atividade econômica e de um mercado de trabalho já apertado, operando próximo ao pleno emprego”, avalia o economista.
João Gabriel Pio ressalta, no entanto, que alguns fatores têm contribuído para evitar uma desaceleração mais acentuada da economia. “Apesar de a taxa Selic seguir em patamar elevado, medidas de ampliação da renda disponível, como os reajustes no salário-mínimo e as políticas de transferência de renda, têm ajudado a sustentar o consumo das famílias, ainda que não sejam suficientes para manter o dinamismo observado em anos anteriores”, explica.
Segundo a FIEMG, a expectativa para 2026 é de continuidade na geração de empregos formais em Minas Gerais, porém em níveis mais modestos. A projeção aponta para a manutenção de saldos positivos ao longo do ano, mas com tendência de redução gradual no ritmo de contratações, à medida que os efeitos dos juros elevados continuem influenciando as decisões de investimento e expansão das empresas.
Ainda assim, a entidade avalia que a resiliência demonstrada pela indústria mineira em 2025 reforça a importância do setor como vetor de emprego e renda no estado, mesmo em um contexto macroeconômico desafiador.


