Um dos capítulos mais marcantes — e dolorosos — da história recente do vôlei brasileiro voltou ao noticiário neste início de ano. O russo Dmitriy Muserskiy, protagonista da final dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, anunciou sua aposentadoria das quadras aos 37 anos. O central, que naquela decisão entrou como oposto e foi determinante para tirar a medalha de ouro do Brasil, encerra a carreira mais de 13 anos após protagonizar uma das viradas mais emblemáticas da modalidade.
A final olímpica disputada em 12 de agosto de 2012, na Inglaterra, ainda é lembrada com frustração pelos torcedores brasileiros. Na ocasião, a Seleção Brasileira Masculina de Vôlei abriu 2 sets a 0 contra a Rússia e chegou a ter dois match points no terceiro set. O título parecia encaminhado, até que Muserskiy, com seus impressionantes 2,19 metros de altura, mudou completamente o rumo da partida.
Escalado de forma surpreendente como oposto, posição diferente daquela em que costumava atuar, Muserskiy dominou o jogo ofensivamente. Ele foi o maior pontuador da decisão, com 31 pontos, e liderou a reação russa que culminou na virada por 3 sets a 2. A vitória garantiu à Rússia a medalha de ouro olímpica — a primeira e única do país no vôlei masculino desde que passou a competir como nação independente.
A atuação histórica transformou Muserskiy em símbolo daquele ouro e, ao mesmo tempo, em algoz eterno da Seleção Brasileira. O trauma ficou marcado na memória do esporte nacional, embora quatro anos depois, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Brasil tenha conseguido a redenção ao eliminar a Rússia na semifinal e conquistar o ouro diante da Itália, no Maracanãzinho.
Curiosamente, o reencontro com o algoz de 2012 não aconteceu em solo brasileiro. Por conta de problemas físicos, Dmitriy Muserskiy ficou fora da Olimpíada do Rio-2016 e não pôde ajudar a seleção russa, que terminou a competição na quarta colocação. Desde então, o central enfrentou uma sequência de lesões que limitaram sua participação em grandes torneios internacionais.
Além das questões físicas, o contexto esportivo da Rússia também mudou nos últimos anos. Atualmente, o país está proibido de participar de competições internacionais em diversas modalidades, incluindo o vôlei, em razão de sanções esportivas. Em meio a esse cenário, Muserskiy decidiu colocar um ponto final em sua trajetória como atleta profissional.
Ídolo do Suntory Sunbirds, tradicional clube japonês sediado em Osaka, Muserskiy defendia a equipe desde 2018 e se tornou uma das principais referências da liga japonesa. Mesmo em meio à temporada no Japão, o jogador anunciou oficialmente sua aposentadoria neste domingo (4/1). A confirmação foi feita pelo próprio clube, por meio de publicações nas redes sociais, destacando a importância e o legado deixado pelo atleta.
Ao longo da carreira, Dmitriy Muserskiy construiu uma trajetória marcada por títulos, atuações decisivas e uma presença física imponente que redefiniu padrões para a posição. Para o vôlei brasileiro, seu nome ficará eternamente associado a uma final inesquecível — não pelo desfecho desejado, mas pela grandeza esportiva de um atleta que escreveu seu nome na história olímpica.


