IFNMG oferta 25 vagas para curso gratuito sobre a língua Pankararu e a reexistência indígena; inscrições seguem até 24 de dezembro - Rede Gazeta de Comunicação

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IFNMG oferta 25 vagas para curso gratuito sobre a língua Pankararu e a reexistência indígena; inscrições seguem até 24 de dezembro

O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) lançou o Edital nº 1237/2025, que estabelece as normas para a seleção simplificada de participantes do curso de extensão “A Palavra Encantada: A Língua Pankararu e a Reexistência no Território da Aldeia Cinta Vermelha Jundiba”. A iniciativa é desenvolvida por meio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), em parceria com a Escola Nacional de Saberes Nego Bispo, e reafirma o compromisso institucional do IFNMG com a valorização das culturas originárias, a diversidade étnica e a educação intercultural.

Com oferta totalmente gratuita, o curso disponibiliza 25 vagas e é direcionado a indígenas, estudantes de licenciatura e professores interessados na educação indígena, na preservação das línguas ancestrais e na defesa dos territórios tradicionais. A proposta formativa se destaca por articular saberes acadêmicos e conhecimentos tradicionais, reconhecendo a centralidade da língua como elemento fundamental de identidade, resistência e continuidade histórica dos povos indígenas.

Do total de vagas oferecidas, 15 são destinadas a indígenas maiores de 16 anos, com ou sem conhecimento prévio da língua Pankararu. Outras cinco vagas são reservadas a professores que atuam em escolas públicas ou que tenham interesse comprovado na educação indígena, e cinco vagas são voltadas para estudantes de cursos de licenciatura, independentemente da área de formação. A distribuição busca garantir diversidade de perfis e promover o diálogo entre diferentes experiências educativas e culturais.

As inscrições estão abertas no período de 18 a 24 de dezembro de 2025 e devem ser realizadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível no site do IFNMG. No ato da inscrição, os candidatos devem anexar documento de identificação, uma carta de motivação, conforme modelo disponibilizado no edital, além de comprovantes de vínculo profissional ou acadêmico, quando exigido. A documentação é fundamental para a validação da inscrição e para a correta classificação dos candidatos.

O processo seletivo será conduzido por uma comissão composta pelo mestre do saber, pela coordenação do projeto e por colaboradores indígenas, assegurando que a avaliação considere não apenas critérios formais, mas também o alinhamento dos candidatos com os princípios, valores e objetivos da proposta formativa. O resultado preliminar será divulgado no dia 7 de janeiro de 2026, enquanto o resultado final está previsto para o dia 9 de janeiro de 2026.

Formação como instrumento de resistência e reexistência

Mais do que uma atividade de extensão, o curso “A Palavra Encantada” propõe um percurso formativo profundo e singular, voltado à revitalização da língua Pankararu como eixo central de um processo de reexistência política, étnica, cultural e afetiva da Aldeia Cinta Vermelha-Jundiba, localizada no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O território, historicamente reconhecido como indígena, enfrenta atualmente ameaças relacionadas a grandes empreendimentos, como a mineração, o que torna a formação uma ferramenta estratégica de enfrentamento ao apagamento histórico e ao epistemicídio.

A proposta pedagógica se ancora na cosmogonia Pankararu e nas narrativas dos Encantados, compreendendo a língua originária como um elemento vivo, capaz de renomear rios, matas, lugares sagrados e histórias ancestrais. Ao longo do curso, os participantes serão convidados a reconstruir simbolicamente o território por meio da palavra, fortalecendo vínculos com a terra, a memória coletiva e os saberes tradicionais.

Um dos momentos centrais da formação será a elaboração de uma cartografia afetiva, entendida como um instrumento cultural, político e pedagógico de defesa do território sagrado. Essa cartografia vai além da representação geográfica, incorporando memórias, afetos, histórias e significados que reafirmam a presença e a resistência do povo Pankararu.

Integração entre territórios e saberes

A formação articula dois territórios fundamentais para o povo Pankararu. O primeiro é a Aldeia Mãe, em Brejo dos Padres (PE), berço cultural e espiritual da etnia, onde ocorrerá o reaprendizado da língua em seu contexto originário. O segundo é a Aldeia Cinta Vermelha-Jundiba (MG), espaço de luta, afirmação e resistência, onde os conhecimentos adquiridos serão materializados de forma coletiva, especialmente por meio da construção da cartografia afetiva.

Com essa iniciativa, o IFNMG reafirma seu papel como instituição comprometida com a inclusão, a justiça social e o reconhecimento dos saberes tradicionais, contribuindo para a preservação das línguas indígenas e para o fortalecimento das identidades originárias no Norte de Minas e em todo o país.