Após uma temporada marcada por altos e baixos, o Atlético Mineiro já começa a desenhar o planejamento para 2026. Apesar da campanha que levou o clube à final da Copa Sul-Americana, o desempenho irregular no Campeonato Brasileiro evidenciou fragilidades no elenco, especialmente em termos de profundidade, equilíbrio tático e opções confiáveis ao longo do calendário. Diante desse cenário, a diretoria alvinegra, em conjunto com o técnico Jorge Sampaoli, o CSO Paulo Bracks e o Centro de Informação do Galo (CIGA), terá desafios importantes na próxima janela de transferências.
A avaliação interna é de que o time precisa passar por uma reformulação pontual, mas estratégica, capaz de elevar o nível técnico, rejuvenescer o grupo e oferecer soluções para carências que ficaram evidentes ao longo da temporada. A seguir, os cinco principais objetivos do Atlético no mercado da bola para 2026.
Uma das prioridades do Atlético para a próxima temporada é a recomposição das laterais. Pela direita, a tendência é que Saravia não tenha seu contrato renovado. Embora seja um jogador experiente, o argentino não conseguiu se firmar como titular absoluto. Natanael, outra opção utilizada por Sampaoli, ainda não transmitiu total confiança à comissão técnica.
Pela esquerda, Guilherme Arana teve uma temporada considerada apenas regular, longe do nível que já apresentou em anos anteriores. Caio Paulista, que chegou por empréstimo, não correspondeu às expectativas e deve retornar ao Palmeiras. Com isso, a diretoria trabalha com a possibilidade de buscar ao menos dois laterais no mercado, repetindo a estratégia adotada em 2024.
Entre os nomes especulados, aparece Juninho Capixaba, atualmente no RB Bragantino, visto como um jogador versátil, com boa capacidade ofensiva e experiência em competições nacionais.
A ausência de um volante de marcação com características claras de primeiro homem de meio-campo é uma das lacunas mais antigas do elenco alvinegro. O problema se agravou desde as saídas de Rodrigo Battaglia e Otávio, negociados com Boca Juniors e Fluminense, respectivamente.
Fausto Vera acabou se tornando a única opção de origem para a função, mas não conquistou a confiança nem de Cuca nem de Jorge Sampaoli. O argentino, inclusive, está próximo de acertar sua transferência para o River Plate. Com isso, Alan Franco passou a ser utilizado como primeiro volante em boa parte da temporada.
Apesar de cumprir bem o papel defensivo, o equatoriano não apresenta uma saída de bola tão qualificada e também não oferece a presença física desejada para duelos mais intensos. Os demais jogadores do setor — Alexsander, Patrick, Gabriel Menino e Igor Gomes, adaptado por Sampaoli — atuam com mais conforto como segundos volantes.
De acordo com a imprensa argentina, um dos alvos monitorados pelo Atlético é Matías Galarza, do Talleres, jogador jovem, com bom poder de marcação e potencial de crescimento.
O estilo de jogo de Jorge Sampaoli valoriza muito os atacantes de lado, especialmente pontas rápidos, dribladores e com capacidade de gerar superioridade ofensiva. Pela esquerda, o treinador encontrou boas respostas com Dudu, que cresceu na reta final da temporada, além de Cuello, que também teve bons momentos.
Já pelo lado direito, o cenário foi mais problemático. Júnior Santos passou grande parte do ano afastado por lesões, enquanto Biel não conseguiu manter um rendimento consistente. Em diversas partidas, o setor foi ocupado por improvisações, com laterais ou até mesmo Rony atuando aberto.
Para 2026, a ideia é buscar um ponta direita de maior regularidade, capaz de assumir protagonismo ofensivo, abrir defesas adversárias e oferecer alternativas táticas ao treinador.
A falta de um centroavante com características clássicas ficou evidente em 2025. Sem Deyverson, que cumpriu bem esse papel na temporada anterior, o Atlético teve apenas jovens como Isaac e João Marcelo no elenco, que acabaram sendo pouco utilizados.
Hulk e Rony foram os principais nomes acionados para atuar por dentro, mas nenhum deles tem como principal virtude o jogo aéreo ou a atuação de costas para o gol. Em partidas mais travadas, o time sentiu falta de um atacante de referência, capaz de reter a bola no ataque, brigar com zagueiros e finalizar dentro da área.
A busca por um centroavante mais experiente, com presença física e faro de gol, é vista como fundamental para dar mais equilíbrio ao setor ofensivo.
Além de suprir carências pontuais, o Atlético também tem como meta reduzir a média de idade do elenco e realizar contratações que realmente representem um salto qualitativo. Essa é uma preocupação manifestada publicamente por Jorge Sampaoli.
“O importante é que cheguem jogadores que nos deem a possibilidade de um salto qualitativo que o time merece. Em qualquer posição, mas têm que ser jogadores diferenciados, que façam a diferença com essa camisa”, afirmou o treinador. Ele também destacou a necessidade de rejuvenescimento: “Os times de alto nível hoje precisam ter uma média de idade entre 26 e 27 anos, por causa da intensidade do jogo”.
O desafio, no entanto, passa pela realidade financeira do clube. O novo CEO do Atlético, Pedro Daniel, já afirmou que não será possível realizar grandes contratações em 2026, o que obriga o clube a ser mais assertivo no mercado. A aposta será em eficiência, bom mapeamento de atletas e redução de erros nas escolhas.
Com um planejamento cuidadoso, o Atlético espera montar um elenco mais equilibrado, competitivo e preparado para brigar por títulos em 2026, alinhando ambição esportiva com responsabilidade financeira.


