Paula Pereira
Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing
Tem notícia que não avisa, não pede licença, não respeita o tempo da gente. Chega rasgando o peito feito faca no mato, dessas bem amoladas, que cortam fundo e deixam a gente sem fala. Foi assim que eu recebi a notícia da partida de Patrícia Silva, nossa Pati. E sei que não fui só eu. Foi o Norte de Minas inteiro que sentiu esse baque.
Falar de Pati não é fácil. Porque ela não era só uma colega de profissão, não. Era dessas presenças que a gente se acostuma a ter por perto e, sem perceber, passa a achar que nunca vão faltar. Patrícia fazia parte do cotidiano da imprensa, da vida social, das conversas, das construções silenciosas que sustentam muita coisa sem aparecer.

O câncer tentou lhe roubar o brilho, mas não conseguiu levar o que ela tinha de mais bonito: o sorriso aberto, infechável, e a capacidade de acolher. Mesmo nos dias mais duros, quando o corpo já cansava, ela ainda encontrava força pra olhar o outro, escutar, aconselhar, animar. Pati encarou a dor como sempre encarou a vida: de frente, sem arrodeio, com fé e dignidade.
Eu vi — e muita gente viu — o quanto ela foi guerreira. Vi o quanto ela lutou. Vi o quanto foi amada. E vi também aquela corrente bonita de solidariedade que se formou ao redor dela: amigos da imprensa, parceiros de caminhada, gente que talvez nem convivesse tanto, mas que reconhecia nela um valor raro. Isso diz muito sobre quem ela foi.
Patrícia não era só a superintendente da Revista Tempo. Era mais que um cargo, mais que um título. Era referência. Era porto seguro. Era daquelas mulheres que juntam pessoas, que organizam ideias, que ensinam sem impor e acolhem sem perguntar de onde vem. Mesmo cansada, ainda achava tempo pra quem precisava. E a gente, muitas vezes, esquece que até os alicerces mais fortes também sentem dor.
Filha, irmã, tia dedicada, Patrícia tinha esse dom de ajudar como quem respira. Ajudava porque era da essência dela. Não fazia conta, não media esforço. E talvez por isso doa tanto agora: porque quem vive assim deixa um vazio grande demais quando parte.
Hoje o ar tá mais pesado. O silêncio tá mais comprido. O coração da gente anda apertado. Ela descansou da luta dura que travou contra o câncer, mas deixou em nós essa sensação de ausência que não se explica fácil. A fé diz que Deus tem seus planos — e a gente até acredita —, mas o sentimento humano, esse, ainda tá tentando entender.
Escrevo essas linhas sabendo que muita gente gostaria de falar também. Sei que minhas palavras não dão conta de tudo. Mas que elas falem por mim e por tantos outros que hoje sentem a mesma coisa: a dor de perder alguém especial, dessas que fazem falta até no jeito da cidade acordar.
Pati, você não foi embora por completo. Você ficou espalhada em cada história que ajudou a contar, em cada mão que estendeu, em cada vida que tocou. E enquanto houver memória, gratidão e saudade, você continua aqui, bem perto da gente. Descanse em paz, amiga. Que Deus te receba com o mesmo carinho que você sempre ofereceu a nós.
“Um tributo de gratidão a Patrícia Silva, uma estrela da imprensa norte-mineira que sobe. A capital do Norte de Minas está de luto. Perdemos a grande guerreira Patrícia Silva, superintendente da Revista Tempo. Pati foi uma grande guerreira no espetáculo da vida. Como empresária, desde 2001 publicou mensalmente a mais famosa revista de variedades do interior mineiro, na maioria das vezes com quase cem páginas.


