Lenda do MMA, Cris Cyborg finaliza judoca até então invicta, conquista título inédito da PFL e projeta desafio ousado para encerrar carreira em alto nível
A idade definitivamente não é um fator limitante para Cris Cyborg. Aos 40 anos, a brasileira voltou a escrever mais um capítulo histórico em uma das carreiras mais vitoriosas do MMA mundial. Neste sábado (13/12), em Lyon, na França, a curitibana confirmou o status de lenda viva do esporte ao finalizar a australiana Sara Collins, até então invicta, e conquistar o cinturão inaugural do peso-pena feminino da Professional Fighters League (PFL), considerada a segunda maior organização de MMA do mundo.
O combate foi o co-evento principal do PFL Europe 4, realizado na LDLC Arena, e simbolizou não apenas mais um título para a extensa coleção da brasileira, mas também a prova de que, mesmo após duas décadas no alto nível, Cyborg segue competitiva, dominante e capaz de se reinventar dentro do octógono.
Experiência, domínio e frieza nos momentos decisivos
Conhecida mundialmente por sua trocação agressiva e potência física, Cris Cyborg adotou uma estratégia inteligente diante de uma adversária especialista em judô. Nos dois primeiros rounds, a brasileira controlou a distância, trabalhou bem o jab e conectou os golpes mais contundentes, desgastando progressivamente Sara Collins, que encontrava dificuldades para impor seu jogo.
O momento mais dramático do confronto veio no terceiro assalto. Aproveitando uma brecha, Collins conseguiu aplicar uma queda e prender Cyborg em uma posição de imobilização lateral, cenário que parecia favorável à australiana. No entanto, foi justamente nesse instante que a experiência da brasileira fez toda a diferença.
Demonstrando força, técnica apurada no solo e leitura precisa da luta, Cyborg escapou da pressão, fez a transição rapidamente, tomou as costas da adversária e encaixou um mata-leão justo. Aos 2 minutos e 55 segundos do terceiro round, Sara Collins foi obrigada a bater em desistência, encerrando sua invencibilidade e confirmando mais um feito histórico da brasileira.
Com a vitória, Cris Cyborg chegou à impressionante marca de 29 vitórias e apenas duas derrotas na carreira profissional, além de conquistar o quinto cinturão em organizações diferentes, um feito raríssimo no MMA mundial, especialmente entre as mulheres.
Cinturão da PFL e mais um marco histórico
O título conquistado na França representa não apenas o domínio esportivo de Cyborg, mas também sua longevidade e capacidade de se manter no topo em diferentes fases da carreira e sob regras variadas. Ao levantar o cinturão da PFL, a brasileira se tornou campeã em Strikeforce, Invicta FC, UFC, Bellator e agora PFL, consolidando-se como uma das lutadoras mais completas e vitoriosas de todos os tempos.
A conquista também reforça o papel da PFL como uma organização em crescimento no cenário global, agora com uma campeã de enorme apelo midiático e legado esportivo.
Superluta inesperada antes da aposentadoria
Após a vitória, Cris Cyborg surpreendeu fãs e especialistas ao projetar seus próximos passos. Com a aposentadoria do MMA prevista para 2026, a brasileira deixou claro que pretende encerrar a carreira com desafios ousados e de alto impacto.
Ao pegar o microfone ainda no cage, Cyborg lançou um desafio inesperado: uma superluta na categoria de 61 kg contra a estrela da PFL Dakota Ditcheva, atual campeã peso-mosca (57 kg) da organização. A proposta causou espanto, já que Cyborg construiu praticamente toda a carreira no peso-pena (66 kg).
A última vez que a brasileira lutou próxima dessa divisão foi em setembro de 2016, quando enfrentou uma luta em peso casado de 63,5 kg. Mesmo assim, Cyborg demonstrou confiança e deixou claro que está disposta a sair da zona de conforto para protagonizar grandes eventos antes de pendurar as luvas.
Uma carreira marcada por títulos e rivalidades históricas
A trajetória de Cris Cyborg no MMA é marcada por conquistas, domínio e enfrentamentos históricos. Seu primeiro cinturão veio em 2009, quando derrotou Gina Carano no Strikeforce, luta que ajudou a popularizar o MMA feminino mundialmente. Na organização, Cyborg defendeu o título três vezes antes da aquisição do evento pelo UFC.
Em 2013, a brasileira conquistou o cinturão do Invicta FC ao vencer Marloes Coenen, defendendo o título com sucesso em três oportunidades. O auge de sua carreira ocorreu em 2017, quando se tornou campeã do UFC ao derrotar Tonya Evinger pelo cinturão vago do peso-pena feminino. No Ultimate, Cyborg defendeu o título contra Holly Holm e Yana Santos, consolidando seu domínio.
A rivalidade com Amanda Nunes marcou um dos capítulos mais intensos de sua carreira. Em 2018, Cyborg perdeu o cinturão do UFC para a compatriota, mas se recuperou em 2019 com vitória sobre Felicia Spencer. Pouco depois, deixou a organização em meio a conflitos com o presidente Dana White.
Em 2020, Cyborg voltou a ser campeã ao derrotar Julia Budd e conquistar o cinturão do Bellator, onde realizou cinco defesas bem-sucedidas. Com a compra do Bellator pela PFL em 2023, a brasileira manteve seu protagonismo e, agora, soma mais um título à sua galeria.
Legado e inspiração
A vitória em Lyon reforça que Cris Cyborg não é apenas uma campeã, mas uma referência histórica para o MMA feminino. Sua longevidade, disciplina e capacidade de se reinventar servem de inspiração para novas gerações de atletas, especialmente em um esporte que exige tanto fisicamente.
Aos 40 anos, Cyborg segue escrevendo sua história com autoridade, títulos e ambição. Se depender dela, os próximos capítulos antes da aposentadoria prometem ser tão grandiosos quanto todo o legado que construiu dentro e fora do octógono.


