Atlético tem queda de público e vê receita com ingressos despencar em 2025 - Rede Gazeta de Comunicação

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Atlético tem queda de público e vê receita com ingressos despencar em 2025

Sem grandes resultados em campo, Galo registra quatro dos cinco piores públicos da história da Arena MRV na temporada e amarga redução superior a 50% no lucro com bilheteria

A temporada de 2025 foi marcada por um contraste significativo para o Atlético dentro e fora das quatro linhas. Sem o mesmo protagonismo esportivo do ano anterior, o clube viu refletir nas arquibancadas a frustração de parte da torcida e, consequentemente, uma queda expressiva em uma de suas principais fontes de arrecadação: a venda de ingressos. Os números revelam um cenário preocupante, com redução de 56,7% no lucro líquido com bilheteria em relação a 2024 e uma diminuição considerável na média de público como mandante.

De acordo com levantamento, o Atlético lucrou R$ 24,7 milhões com a venda de ingressos em 2025, contra R$ 57,1 milhões na temporada anterior. A queda acentuada evidencia o impacto direto do desempenho esportivo e do distanciamento entre time e torcida ao longo do ano, especialmente na reta final do Campeonato Brasileiro.

2024: arquibancadas cheias e recordes históricos

Em 2024, o cenário foi completamente diferente. Embalado pelas campanhas até as finais da Copa Libertadores e da Copa do Brasil, o Atlético viveu seu auge recente como mandante na Arena MRV. A média de público foi de 35.141 torcedores por partida, com estádios frequentemente lotados e clima de decisão em Belo Horizonte.

Foi naquela temporada que o clube registrou os dois maiores públicos da história da Arena MRV:

44.870 torcedores na semifinal da Libertadores contra o River Plate, vitória por 3 a 0;

44.876 torcedores na final da Copa do Brasil diante do Flamengo, apesar da derrota por 1 a 0.

Esses jogos não apenas entraram para a história em termos de presença de público, como também garantiram a maior renda líquida já registrada pelo Atlético no estádio, alcançando cerca de R$ 8,8 milhões em uma única partida.

No total, em 33 jogos como mandante em 2024, o clube somou R$ 80,6 milhões de renda bruta e R$ 57,1 milhões de renda líquida, com média de R$ 1,73 milhão de lucro por jogo. O público total ultrapassou 1,15 milhão de torcedores, consolidando a Arena MRV como um trunfo esportivo e financeiro.

2025: queda técnica, arquibancadas vazias e receita em baixa

O panorama mudou drasticamente em 2025. Fora da Libertadores e impedido de utilizar a Arena MRV no início do ano por conta da instalação do gramado sintético, o Atlético já previa dificuldades para repetir os números expressivos da temporada anterior. Ainda assim, o impacto foi mais profundo do que o esperado.

Nos primeiros meses do ano, atuando no Mineirão, o clube obteve lucro de apenas R$ 3,9 milhões em 11 jogos, um desempenho financeiro modesto. Embora os números tenham apresentado leve recuperação com o retorno à Arena MRV, a ausência de grandes objetivos no Campeonato Brasileiro e a queda de rendimento em campo provocaram um afastamento progressivo do torcedor.

O reflexo mais contundente desse cenário foi a presença do Atlético em quatro dos cinco piores públicos da história da Arena MRV, todos registrados em 2025. A lista inclui partidas decisivas e jogos do Campeonato Brasileiro:

Atlético 0 x 3 Palmeiras (Brasileiro 2025) – 13.878 torcedores

Atlético 1 x 1 Flamengo (Brasileiro 2025) – 18.231 torcedores

Atlético 4 x 0 Maringá (Copa do Brasil 2025) – 19.853 torcedores

Atlético 2 x 1 Bragantino (Brasileiro 2025) – 20.092 torcedores

Esses números contrastam fortemente com a capacidade e a expectativa criada em torno da Arena MRV desde sua inauguração.

Receita despenca e média de público cai

Ao fim da temporada, o balanço financeiro confirmou a tendência negativa. Em 35 jogos com público em 2025, o Atlético registrou renda bruta total de R$ 50,3 milhões e renda líquida de R$ 24,7 milhões, com média de R$ 707 mil de lucro por jogo — menos da metade do valor médio obtido em 2024.

O público total também caiu de forma expressiva: foram 931.277 torcedores ao longo do ano, contra mais de 1,15 milhão na temporada anterior. A média de público despencou de 35.141 para 26.607, uma redução de quase 10 mil torcedores por partida.

Além do desempenho esportivo irregular, o ambiente extracampo também contribuiu para o distanciamento da torcida. O vice-campeonato da Copa Sul-Americana, com derrota para o Lanús, gerou protestos, críticas à diretoria e até manifestações hostis contra alguns dos acionistas do clube, inclusive dentro do estádio.

Desafio de reconquistar a torcida

Diante desse cenário, o Atlético encara 2026 com o desafio de restabelecer a conexão com seu torcedor, fundamental não apenas para o ambiente esportivo, mas também para a saúde financeira do clube. O reencontro está marcado para 11 de janeiro de 2026, um domingo, às 16h, quando o Galo enfrentará o Betim, na Arena MRV, pela primeira rodada do Campeonato Mineiro.

Mais do que um simples jogo de abertura de temporada, a partida simboliza uma oportunidade de reaproximação. Para voltar a encher a Arena MRV e recuperar receitas, o Atlético sabe que precisará aliar planejamento, competitividade em campo e diálogo com sua torcida — ingredientes que fizeram de 2024 um ano memorável e cuja ausência marcou, de forma contundente, a dura realidade de 2025.