Paula Pereira
A saúde é, para qualquer ser humano, a base de tudo. Como destacou o médico e empresário Ruy Muniz, “não adianta ter dinheiro, poder, nada disso se não houver saúde. Sem ela, a vida não funciona”. É com esse entendimento — simples, direto e profundamente verdadeiro — que Montes Claros se prepara para um dos maiores mutirões de atendimento já realizados na região, dentro do programa lançado pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde.
O Brasil acertou ao garantir, na Constituição de 1988, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Consultas, exames e cirurgias fazem parte desse direito universal. Porém, ao longo dos anos, muitos municípios enfrentaram dificuldades para atender toda a demanda, permitindo que pacientes esperassem meses — às vezes, anos — por procedimentos que poderiam devolver qualidade de vida, autonomia e dignidade.
Agora, com o Mutirão Nacional de Cirurgias, iniciativa do presidente Lula e do ministro Padilha, hospitais filantrópicos e instituições de referência se unem para acelerar atendimentos e reduzir filas antigas. Em Montes Claros, participarão a Santa Casa, o Aroldo Tourinho, o Dilson Godinho e o Hospital Mário Ribeiro.
E é justamente no Mário Ribeiro que acontecerá uma grande força-tarefa nos dias 13 e 14 de dezembro, com a realização de 600 cirurgias — 300 no sábado e 300 no domingo — além de 400 procedimentos complementares, como exames, aplicações e intervenções de menor complexidade. Serão 1.000 pessoas atendidas em apenas dois dias.
Muniz explica que não se trata de uma ação improvisada: houve preparação rigorosa, triagem criteriosa e acompanhamento prévio. “Cada hospital elencou seus procedimentos. Pacientes passaram por exames, raio-x, eletrocardiograma, consulta com cirurgião e anestesista. Tudo para que, no dia da cirurgia, estejam completamente prontos”, destaca.
Além do mutirão, o Governo Federal lançou o programa “Agora Tem Mais Especialistas”, de caráter contínuo. O Hospital Mário Ribeiro é uma das unidades habilitadas, garantindo atendimentos de segunda a domingo. Isso significa que a região passa a contar com uma linha permanente de cirurgias eletivas em ritmo acelerado.
Hoje, segundo Ruy Muniz, o hospital tem capacidade para realizar 100 cirurgias por dia, chegando a 3.000 por mês. “Nossa média já é de 15 dias entre a consulta e a cirurgia. Queremos baixar para 10. Se o exame está pronto, o risco cirúrgico está ok, em 10 dias a pessoa resolve seu problema”, explica.
Os procedimentos atendidos são amplos: ortopédicos, ginecológicos, urológicos, pediátricos, oncológicos, bariátricos, oftalmológicos e até plásticas reparadoras — como casos pós-bariátricos, reconstruções e mamoplastias redutoras. A única exceção, por enquanto, são cirurgias plásticas puramente estéticas. Mas Ruy afirma que seguirá defendendo a inclusão futura, argumentando que a autoestima também faz parte do bem-estar.
Ele reforça ainda que o programa é exclusivo para cirurgias eletivas, e que casos de urgência e emergência devem continuar sendo encaminhados para os prontos-socorros da rede — seja no Mário Ribeiro, Santa Casa ou demais hospitais.
O chamado agora é para que a população participe: quem precisa operar deve procurar seu posto de saúde no bairro, garantir o encaminhamento e comparecer ao hospital. “A gente quer surpreender o paciente pela qualidade e pela rapidez. É saúde sendo tratada como prioridade”, afirmou Muniz.
Com o mutirão e o novo programa, Montes Claros vive um momento decisivo: a chance real de enxugar filas históricas e transformar o acesso a cirurgias em algo rápido, eficaz e humano. Para quem espera há anos por um procedimento, pode ser — finalmente — o início de uma nova vida.


