EDITORIAL – O AUTOMÓVEL CLUBE RESSURGE: Entre a memória que aconchega e o futuro que chama - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL – O AUTOMÓVEL CLUBE RESSURGE: Entre a memória que aconchega e o futuro que chama

Paula Pereira

Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing

Tem coisas em Montes Claros que não se explicam — se sentem. São raízes que a gente pisa, histórias que a gente escuta desde menino, paredes que guardam risos, encontros e até decisões que mudaram os rumos da cidade. O Automóvel Clube é uma dessas joias do nosso passado: elegante, vivo, pulsante, misturado com a alma geraizeira que sempre soube celebrar a vida mesmo nos tempos mais duros.

Em entrevista ao Jornal Gazeta Norte Mineira, o empresário Ruy Muniz falou sobre o futuro desse patrimônio recém-adquirido. E o tom da conversa foi de esperança, coragem e responsabilidade com aquilo que Montes Claros tem de mais precioso: sua memória. Visionário — como muitos já o chamam — Ruy chegou com a intenção de revitalizar o Automóvel Clube, não apagando sua história, mas acendendo novas luzes sobre ela.

A verdade é que esse prédio, nascido em 1965, no embalo da juventude de Brasília e do otimismo brasileiro da época, foi palco de tantas noites iluminadas que até hoje ecoam nos corredores da cidade. Festas, encontros sociais, negócios, política, cultura: tudo passou por ali. E agora, segundo Ruy, tudo será preservado com zelo: a fachada, o restaurante, uma nova galeria de arte, os salões que voltarão a receber celebrações, congressos, formaturas e a tão querida “hora dançante”, tradição das décadas de 1950 e 1960 que promete reencontrar seu público — e encantar novas gerações.

Mas o projeto não para na memória. Ele atravessa o tempo e se finca no futuro. Ruy revelou que está em curso a aquisição de todo o quarteirão aos fundos do clube, onde será erguido um moderno Centro Médico ligado ao Hospital Mário Ribeiro, empreendimento estimado em cerca de R$ 200 milhões. Serão dois andares subterrâneos de garagem, um térreo vibrante com lojas da área de saúde e educação, pavimentos destinados a consultórios, exames e cirurgias eletivas, até chegar ao 15º andar: um restaurante panorâmico e escritórios corporativos com vista privilegiada da cidade.

Um hospital dia, como explicou o empresário, sem urgência e emergência, pensado para ser eficiente, resolutivo e sustentável. Parte das unidades será comercializada; outra parte ficará para locação, garantindo renda para manter o Automóvel Clube vivo, forte e bem cuidado.

Além disso, áreas laterais, antigos puxadinhos e estruturas esportivas serão requalificados. A nova entrada ficará pela Rua Visconde de Ouro Preto, com acessos pela São Francisco e pela Coronel Joaquim Costa — um reposicionamento que respeita a história e melhora a funcionalidade. E, para coroar, está prevista a implantação de um museu interno, que contará o papel do Automóvel Clube na formação social e cultural de Montes Claros.

Tudo isso aponta para um Ruy que, além de gestor arrojado, carrega também um lado saudosista, um afeto silencioso pelas tradições montes-clarenses. Ele mesmo disse: demolir o Automóvel Clube jamais foi cogitado. E completou, com simplicidade que toca: “Seria uma audácia muito grande. Nossa intenção é resgatar a história, revitalizar e entregar à cidade um espaço moderno, econômico e sustentável, sem apagar o passado.”

É isso que este editorial celebra: a rara união entre memória e futuro, entre o orgulho do que fomos e a coragem de sonhar o que ainda podemos ser. Montes Claros cresce, muda, se expande. Mas quando um projeto consegue honrar o ontem ao mesmo tempo em que constrói o amanhã, a cidade inteira cresce junto.

O Automóvel Clube, símbolo de tantas histórias, volta a ocupar seu lugar de protagonismo — agora como um complexo que integra saúde, cultura, convivência e desenvolvimento.

E, do jeito geraizeiro de crer nas coisas boas, ficamos com a certeza de que esse renascer é só o começo de um novo capítulo para Montes Claros e toda a região.