A noite de segunda-feira, 1º de dezembro, marcou mais um capítulo relevante da produção artística universitária em Montes Claros. No auditório do Centro de Ciências Humanas (CCH), prédio 2 da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), foi apresentada a peça teatral “Antropoceno”, uma construção cênica potente e de forte impacto simbólico, idealizada e executada pelo Núcleo de Teatro da Unimontes, coordenado pela professora Nelcira Durães. O espetáculo, gratuito e aberto ao público, mobilizou estudantes, professores, gestores institucionais e convidados que lotaram o espaço com grande expectativa.
Logo na abertura das atividades, estiveram presentes importantes representantes da gestão universitária, reforçando o compromisso institucional com a arte, a cultura e a extensão: o reitor, professor Wagner de Paulo Santiago; o pró-reitor de Extensão, professor Rogério Othon Teixeira Alves; o diretor do CCH, professor Jânio Marques Dias; além da vereadora Iara Pimentel, que acompanha debates e ações culturais na cidade. A participação dessas autoridades reforçou a relevância do projeto para a comunidade acadêmica e para o cenário cultural regional.
A construção da peça “Antropoceno” é resultado de um processo cênico desenvolvido ao longo de todo o segundo semestre de 2025 pelo Núcleo de Teatro. A iniciativa teve início em junho e envolveu intensamente 16 estudantes do curso de Teatro, que contaram com o apoio de uma emenda parlamentar da deputada estadual Leninha, cinco professores e outros 20 colaboradores inscritos para auxiliar na produção. A montagem reuniu, ao final, 17 estudantes em cena, além de docentes que contribuíram diretamente com o processo criativo.




O espetáculo, que dialoga com o debate contemporâneo sobre os limites da ação humana no planeta, mergulha nas discussões que caracterizam o termo “Antropoceno”, conceito utilizado por cientistas, filósofos e ambientalistas para designar a época geológica marcada pela influência irreversível das atividades humanas sobre os ecossistemas terrestres. Para construir a dramaturgia e os elementos narrativos da peça, o Núcleo de Teatro se apoiou em referências de grande peso no cenário intelectual contemporâneo.
Segundo explicou a professora Nelcira Durães, coordenadora da montagem, a peça “representa o colapso ambiental provocado pela ação humana”, e traz à cena inquietações profundas sobre o futuro da vida na Terra. Ela destaca que o processo criativo utilizou textos e ideias de grandes pensadores indígenas e ambientalistas contemporâneos, como Ailton Krenak (“Como adiar o fim do mundo”), Davi Kopenawa (“A queda do céu”) e Antonio Bispo dos Santos – Nego Bispo (“A terra dá, a terra quer”). Além desses referenciais, artigos acadêmicos e ensaios sobre o conceito de Antropoceno também serviram de base teórica para a construção estética e narrativa do espetáculo.
A apresentação, que combinou elementos de performance, expressão corporal, uso simbólico de objetos e dramaturgia fragmentada, convidou o público a refletir sobre temas urgentes, como destruição ambiental, exaustão dos recursos naturais, violência contra povos originários e apagamento de modos tradicionais de existência. A montagem provocou forte reação entre os espectadores, que, ao final, destacaram a potência artística e a relevância social da obra.
Núcleo de Teatro como espaço permanente de criação
O Núcleo de Teatro integra o Projeto de Extensão do Curso de Teatro – TU, concebido para funcionar como um espaço contínuo de criação, experimentação e produção cênica dentro da universidade. O objetivo é estimular a vivência artística entre os acadêmicos, promover novas linguagens e fomentar processos criativos que resultem em produções capazes de dialogar com a comunidade universitária e com o público externo.
A extensão, considerada um dos pilares da universidade pública, ganha força com iniciativas como essa, que aproximam a produção acadêmica da sociedade e consolidam a Unimontes como referência regional em arte, cultura e pensamento crítico.
Visita ao novo Teatro da Unimontes
Após o encerramento da peça, a professora Nelcira Durães, acompanhada por docentes e estudantes do curso, participou de uma visita técnica ao Teatro da Universidade, que leva o nome do ex-reitor José Geraldo de Freitas Drumond (in memoriam). Em fase final de acabamento no campus sede, o espaço será entregue em breve à comunidade acadêmica e promete transformar profundamente a dinâmica cultural da instituição.
O grupo foi acompanhado pelo reitor Wagner de Paulo Santiago, que apresentou os ambientes do novo teatro, detalhou equipamentos, estrutura técnica, espaços de palco, plateia, bastidores e sistemas de iluminação e acústica. O espaço, moderno e multifuncional, foi projetado para receber desde produções universitárias até grandes espetáculos nacionais.
A coordenadora do Núcleo de Teatro enfatizou a relevância da visita para os estudantes e para o futuro das artes dentro da Unimontes. “O novo espaço representa um avanço para as artes, de forma geral. Trata-se de um espaço digno, que certamente movimentará a cena na universidade, na cidade e na região. Tem estrutura para receber grupos e artistas de expressão nacional”, afirmou Nelcira Durães.
A arte como instrumento de reflexão e transformação
A apresentação de “Antropoceno” reforça a importância da arte como ferramenta de reflexão, crítica social e consciência coletiva. Na Unimontes, a construção de espaços de criação e de iniciativas de extensão voltadas para as artes cênicas contribuem para formar profissionais sensíveis, críticos e preparados para atuar em diversos contextos culturais.
Com o envolvimento de estudantes, professores, gestores e comunidade externa, a peça consolida o papel da universidade como agente transformador, capaz de promover diálogos urgentes e necessários sobre o mundo contemporâneo.


