Ex-jogador do Atlético relembra pancadaria histórica em final contra o Lanús: “Valeu muito à pena” - Rede Gazeta de Comunicação

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Ex-jogador do Atlético relembra pancadaria histórica em final contra o Lanús: “Valeu muito à pena”

A memória do futebol sul-americano é feita de grandes jogos, de talentos que desafiaram limites – e, não raramente, de episódios que extrapolaram o esporte. Às vésperas de uma nova decisão entre Atlético e Lanús, agora pela Copa Sul-Americana de 2025, o passado volta a bater na porta do torcedor alvinegro com força. O ex-zagueiro Edgar, figura marcante das campanhas do Galo nos anos 1990 e início dos 2000, relembrou a pancadaria generalizada que tomou conta do Estádio La Fortaleza na final da Copa Conmebol de 1997. O relato, quase três décadas depois, ainda carrega tensão — mas também orgulho. Para ele, viver aquele caos “valeu muito à pena”.

A volta de um duelo carregado de história

Atlético e Lanús não são meros adversários ocasionais. A história das duas equipes se cruza justamente em momentos decisivos, e assim será novamente neste sábado (22/11), quando disputam o título da Sul-Americana no Defensores del Chaco, em Assunção. Para reforçar o clima de rivalidade e memória, Edgar, hoje aos 49 anos, revisitou um dos capítulos mais emblemáticos dessa relação.

Natural de Belo Horizonte, o defensor teve três passagens pelo Atlético: 1995 a 2000, 2001 a 2002 e 2004. Foi em 6 de novembro de 1997, porém, que ele viveu uma das experiências mais intensas da carreira. Naquela noite, diante do Lanús, no sempre hostil La Fortaleza, o zagueiro foi titular do time de Emerson Leão na primeira partida da final.

“De repente… virou guerra”

Em entrevista à GaloTV, Edgar contou que o duelo, até o apito final, transcorria surpreendentemente bem.

“Grande tensão. Engraçado que o jogo estava transcorrendo em uma tranquilidade absurda. Um jogo leal. A equipe deles estava fazendo um jogo leal, sem muita pancadaria. Nós tínhamos um time muito técnico, fazendo um jogo de alto nível. De repente, o que aconteceu foi que o jogo acabou e começou aquela confusão absurda, que ninguém entendeu, do nada. Foi um momento muito tenso para nós, porque realmente foi perigoso.”

O Atlético venceu 4 a 1 com autoridade, mas o resultado inflamou os ânimos dos adversários. Assim que o juiz encerrou a partida, jogadores argentinos partiram para cima dos brasileiros. O gramado virou campo de batalha.

Túnel fechado, torcedores invadindo e 15 minutos de terror

Edgar detalhou cenas dignas de filme — mas longe de qualquer glamour. Segundo ele, o principal desespero começou quando a polícia local fechou o túnel inflável que dava acesso ao vestiário visitante.

“A gente ficou ilhado entre o vestiário e o campo. Torcedores deles invadiram para brigar com a gente. O que nos restava era tentar nos proteger e, de alguma forma, enfrentar os caras também.”

A situação escalou rapidamente. O técnico Emerson Leão, conhecido por seu temperamento forte, acabou sendo agredido.

“Eu sei que o Leão tomou um soco na cara e quebrou o maxilar”, relatou o ex-zagueiro.

Outro momento marcante foi o drama vivido pelo volante Roberto, preso no alambrado enquanto levava golpes dos dois lados — jogadores e torcedores adversários.

“Foram uns 10 a 15 minutos bem ruins, bem difíceis.”

A recompensa: título continental

Apesar da violência, o Atlético voltou para Belo Horizonte com vantagem decisiva. Um mês depois, empatou 1 a 1 no Mineirão e conquistou o bicampeonato da Copa Conmebol.

É justamente essa lembrança — a de levantar uma taça continental com a camisa do clube — que faz Edgar relativizar o sofrimento.

“Ao final de tudo, valeu à pena demais. Eu passaria de novo para poder ter a sensação de sair dali vencedor e de ter a possibilidade de levantar um troféu pelo Atlético novamente. Valeu muito à pena.”

Invencibilidade do Galo sobre o Lanús

3 vitórias

10 gols marcados

5 gols sofridos

2 títulos conquistados (Conmebol 1997 e Recopa 2014)

O encontro de 2025

O novo capítulo dessa rivalidade está marcado para sábado, às 17h (de Brasília), no Defensores del Chaco. O Lanús busca seu segundo título da Sul-Americana. O Atlético, por sua vez, mira a primeira conquista da competição e tenta manter o retrospecto positivo diante do adversário argentino.

O passado, cheio de cicatrizes, faz o duelo ganhar contornos ainda mais épicos. E, como lembra Edgar, certos sacrifícios ficam eternizados — principalmente quando vem acompanhados de glórias.