Paula Pereira
Jornalista/ Programadora Visual/ Analista de Marketing
Tem coisa que nasce pequena, na humildade, mas já carregando aquele faro de grandeza que só o povo do Norte de Minas conhece bem. A Fundação de Saúde Dilson de Quadros Godinho, que sopra velinhas pelos seus 30 anos, é uma dessas obras que começam fincadas na boa vontade e na fé no serviço ao outro — e seguem crescendo como pé de pequi em terra fértil.
Criada lá em 1995, como quem planta um sonho na beira da vereda, a Fundação se firmou na filantropia e no cuidado humanizado, sem nunca perder de vista o povo que mais precisa. Mas foi a partir de 2006, quando abraçou de vez a missão de ampliar os atendimentos e deu vida ao Hospital Dilson Godinho (HDG), que a história ganhou outro fôlego. Hoje, o HDG é referência regional, daqueles nomes que o norte-mineiro pronuncia com respeito, sobretudo quando o assunto é Oncologia, Nefrologia, Cardiologia e tantas outras áreas de média e alta complexidade que exigem ciência, tecnologia e, principalmente, sensibilidade.
De Montes Claros — essa metrópole sertaneja, a quinta maior de Minas — a Fundação estende seus braços por um território gigante. Como rio que desce da serra e abastece veredas distantes, atende mais de 2 milhões de habitantes, cobrindo os 86 municípios da macrorregião norte de saúde, alcançando ainda os Vales do Jequitinhonha e Mucuri e escorregando até as bandas do sul da Bahia. É chão demais, demanda demais — e, ainda assim, a Instituição segue firme, dia após dia, como quem conhece bem o peso e o valor de cuidar de vidas.
Em 2011, quando recebeu do Ministério da Saúde o certificado de entidade beneficente de assistência social, a Fundação apenas viu reconhecido aquilo que o povo já sabia: que o HDG e sua mantenedora são pilares essenciais na saúde pública do Norte de Minas. Não se trata só de prédios, aparelhos modernos ou estatísticas. Trata-se de humanidade — essa palavra que, para muita gente, é bonita no papel, mas que aqui foi transformada em prática cotidiana.
Três décadas depois, o que se celebra não é apenas o passado, mas a coragem de seguir apostando em tecnologia, infraestrutura e qualificação, sem esquecer o jeito acolhedor que é marca de todo hospital que aprende com seu próprio povo. Porque saúde, por essas bandas, não é só atendimento: é cuidado, olho no olho, mão estendida, fé no amanhã.
Que venham mais 30 anos — e que cada um deles seja, como o sertão gosta, resistente, generoso e cheio de esperança.


