A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS), entidade representativa que reúne 96 municípios do Norte de Minas Gerais, intensificou o alerta sobre a gravidade dos impactos da estiagem que atinge a região e enviou ofícios ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, solicitando medidas emergenciais e estruturantes para mitigar os efeitos da seca extrema deste ano, que já figura entre as mais severas das últimas décadas.
A escassez de chuvas tem provocado a perda de lavouras inteiras, reduzindo drasticamente a produção de alimentos, grãos e forrageiras. Como consequência direta, tem sido verificada a mortandade de animais, a queda expressiva da produção de leite, o esgotamento acelerado de pequenos reservatórios, barraginhas, cacimbas e cisternas, além de danos irreversíveis ao solo e ao equilíbrio ambiental. Em boa parte dos municípios, a água já não chega mais às casas de forma regular, sendo necessário reforçar o abastecimento por meio de carros-pipa, o que agrava custos e limita a autonomia do produtor rural.
Diante desse cenário, diversos municípios nortemineiros decretaram situação de emergência, e os prejuízos econômicos já somam cifras milionárias, afetando diretamente a renda e a subsistência de milhares de famílias. Segundo a AMAMS, sem uma resposta célere e pactuada entre governos, o impacto poderá se estender pelos próximos anos, comprometendo a produção e a segurança alimentar da região.
Nos ofícios enviados aos chefes dos Executivos Estadual e Federal, a AMAMS solicita:
* Perdão total ou parcial das dívidas rurais, especialmente daqueles que se enquadram como agricultores familiares, pequenos e médios produtores;
* Criação de um programa robusto de renegociação com prazos ampliados, juros subsidiados e encargos reduzidos, que permita a reestruturação produtiva após o fim da estiagem;
* Implementação imediata de políticas emergenciais de apoio à produção rural, como crédito facilitado, distribuição de insumos, ração, sementes adaptadas ao semiárido e ações para a recuperação de áreas degradadas e de pastagens comprometidas;
* Ampliação de programas de abastecimento de água potável, inclusive com reforço logístico de carros-pipa e ações de recuperação de nascentes.
O presidente da AMAMS e prefeito de São João da Lagoa, Ronaldo Soares Mota Dias, reiterou, em tom de urgência, o caráter crítico da situação e fez um apelo por medidas concretas: “O Norte de Minas vive uma crise silenciosa, mas devastadora. A seca tem comprometido a economia regional e a dignidade de milhares de famílias. Precisamos de ações imediatas dos governos estadual e federal para garantir a sobrevivência do nosso povo e a continuidade da produção rural.”
A AMAMS reforça ainda que a estiagem atual não é um episódio isolado, mas parte de um ciclo que vem se intensificando com o passar dos anos, e destaca que o Semiárido mineiro precisa estar no centro de uma agenda permanente de Estado, com políticas estruturais voltadas à convivência com a seca, fortalecimento hídrico regional, ampliação de infraestrutura de captação de água e apoio técnico ao produtor rural.


