O debate sobre arbitragem voltou a dominar a conversa do futebol brasileiro na tarde deste domingo (9), após o empate sem gols entre Cruzeiro e Fluminense, pela 33ª rodada da Série A, no Mineirão, em Belo Horizonte. E desta vez o centro da discussão não foi apenas a cabine do VAR, mas sim a leitura de jogo e de contexto do árbitro de campo. O meia Matheus Pereira, do Cruzeiro, esteve no olho do furacão após lance com o volante Facundo Bernal, do Fluminense, que gerou reclamação forte dos jogadores tricolores, debate entre torcedores e opiniões divididas em programas e redes sociais. Ao analisar o episódio, o jornalista Gabriel Simões, comentarista da CazéTV, surpreendeu ao celebrar o fato de o camisa 10 celeste não ter sido expulso. Para ele, o futebol precisa deste tipo de sensibilidade e interpretação contextual do árbitro. “Respira o futebol”, resumiu.
O lance começou com o jogador do Fluminense puxando Matheus Pereira pelo braço enquanto o cruzeirense tentava seguir em disputa, e terminou com o cotovelo do meia da Raposa atingindo o rosto do adversário. Bernal caiu imediatamente e acabou sangrando na região do supercílio, o que acendeu o alerta visual e a reação imediata do time carioca. O árbitro Rodrigo José Pereira de Lima, inicialmente, exibiu o cartão amarelo ao camisa 10 do Cruzeiro. Seria o segundo cartão e resultaria em expulsão. Porém, acionado pelo VAR, o juiz conferiu a jogada no monitor e interpretou que Pereira foi puxado e teve o movimento do braço alterado pela força do adversário. Reverteu a decisão e anulou o cartão.
A opção pela retirada do amarelo — e consequente manutenção de 11 contra 11 — provocou irritação dos jogadores do Fluminense, que deixaram o campo ao intervalo discutindo a decisão e cobrando critérios. Samuel Xavier, Thiago Silva e outros atletas se aproximaram da equipe de arbitragem para demonstrar descontentamento, reforçando a leitura de que o impacto no rosto e o sangramento justificariam punição mais dura.
Mas para Gabriel Simões, comentarista da CazéTV, a jogada deve ser interpretada dentro da dinâmica real do jogo, e não apenas pela imagem congelada. Ele considerou o lance um “acidente de trabalho”. O jornalista elogiou a postura do árbitro e destacou que expulsão seria desproporcional, afastada da lógica da partida e da essência competitiva do futebol. “Me surpreendeu a não expulsão do Matheus Pereira. Respira o futebol! Só quem nunca jogou bola na vida pra achar que um lance desse é passível de expulsão ou qualquer punição. Sofreu a falta, lutou pra ficar em pé, e o braço pegou no rosto do Bernal. Acidente de trabalho”, disse o comentarista.
O resultado do jogo mantém praticamente tudo como estava na parte de cima da tabela. O Cruzeiro foi de 63 para 64 pontos, segue em terceiro lugar, já com vaga de Libertadores assegurada e ainda perseguindo a melhor posição possível na classificação geral, em busca do maior prêmio esportivo e econômico. Palmeiras lidera com 68 pontos, Flamengo aparece logo atrás com 65, e ambos ainda têm uma partida extra para disputar por terem participado do Mundial de Clubes.
O Fluminense, que vive disputa mais apertada na zona intermediária-alta, ganhou apenas um ponto e foi de 50 para 51. O Tricolor ocupa a sétima posição e ainda sonha em terminar entre os seis primeiros para garantir passagem direta ao torneio continental — ou ao menos assegurar as fases preliminares da principal competição da América do Sul, dependendo dos últimos resultados antes do encerramento da temporada.


