Ex-jogador critica declarações de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira durante evento da CBF e classifica comportamento como ultrapassado
O ex-jogador e comentarista Walter Casagrande criticou duramente as declarações de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira feitas durante o Segundo Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro, nessa terça-feira (4/11). As falas dos dois ex-técnicos de Atlético e Cruzeiro, contrárias à presença de treinadores estrangeiros no futebol brasileiro, deixaram constrangido o italiano Carlo Ancelotti, atual comandante da Seleção Brasileira.
Em sua coluna publicada pelo UOL Esporte, Casagrande classificou o comportamento dos veteranos como um verdadeiro “discurso de ódio”. Segundo ele, Leão, embora conhecido por sua veemência e postura intensa, manteve-se dentro de seu perfil, mas Oswaldo de Oliveira demonstrou “mal-educação, grosseria e um ódio explícito”, carregando críticas pessoais e indiretas ao treinador italiano.
“Foram muito constrangedoras e vergonhosas, com uma deselegância e agressividade desnecessária, as falas do Emerson Leão e do Oswaldo de Oliveira”, disse Casagrande.
“Leão já está aposentado há bastante tempo e sempre teve esse jeito direto e agressivo. Não me surpreendeu. Mas a fala do Oswaldo foi carregada de vaidade e ego ferido, parecendo um ataque pessoal. Ele não aceitou que ficou ultrapassado, principalmente para treinar a Seleção Brasileira”, acrescentou.
Durante o evento, Leão afirmou que não aprecia treinadores estrangeiros no Brasil, mas reconheceu que o problema não está na nacionalidade dos profissionais, e sim na atuação dos próprios treinadores brasileiros. Já Oswaldo declarou desejar que, após Ancelotti conquistar títulos no país, a Seleção e os clubes voltem a ser comandados por técnicos brasileiros, em uma fala que Casagrande classificou como “xenofóbica e constrangedora”.
“Carlo Ancelotti é o melhor e mais vencedor treinador do mundo neste momento. Ele não pediu para vir trabalhar no Brasil, não tomou o lugar de nenhum brasileiro e não invadiu território de ninguém. Por ser educado, engoliu o constrangimento, mas sem dúvida ficou surpreso com o ódio expresso por alguns treinadores”, afirmou Casagrande.
O ex-centroavante também elogiou a postura do italiano durante o evento, ressaltando que, apesar do clima tenso, Ancelotti manteve compostura e profissionalismo diante das declarações agressivas. Além disso, Casagrande destacou a posição da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol, que condenou publicamente as falas de Oswaldo de Oliveira e pediu desculpas ao treinador italiano, reforçando que o episódio não representa a opinião da maioria dos profissionais brasileiros.
Trajetórias de Leão e Oswaldo no futebol brasileiro
Emerson Leão teve três passagens pelo Atlético, com 83 jogos e conquista da Copa Conmebol de 1997, e atuou brevemente no Cruzeiro, comandando o time em 13 partidas em 2004. Já Oswaldo de Oliveira treinou o Atlético entre 2017 e 2018, totalizando 20 jogos, e o Cruzeiro em 2006, com 24 partidas. Ambos os profissionais têm longa história no futebol nacional, mas segundo Casagrande, suas críticas recentes refletem uma postura ultrapassada diante do contexto moderno e globalizado do esporte.
O episódio reacende o debate sobre a presença de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro, um tema que gera discussões frequentes sobre qualidade de trabalho, intercâmbio de experiências e valorização de profissionais locais. Especialistas e ex-jogadores como Casagrande defendem que a postura de abertura e respeito à diversidade profissional é essencial para o crescimento e modernização do futebol no país, evitando atitudes que beirem a xenofobia ou exclusão.
Com a repercussão negativa, o evento deixou claro que a maioria dos profissionais do futebol brasileiro ainda valoriza a convivência harmoniosa e o aprendizado com técnicos de diferentes nacionalidades, ressaltando que episódios isolados, como os de Leão e Oswaldo, não representam a visão do setor como um todo.


