EDITORIAL | Voltamos a falar de futebol - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL | Voltamos a falar de futebol

Paula Pereira

Jornalista/ Programadora visual/ Analista de marketing

Tem coisa que é boa demais de se ver, sô. Depois de umas semanas corridas, cheias de notícia braba, poeira de estrada e conversa séria demais, voltamos a falar do que também move o coração do norte-mineiro: o futebol de várzea, a pelada da terça, a alegria simples do povo que joga por amor ao jogo.

E olha, eu sei que muita gente pensa que pelada é só um bocado de senhores correndo atrás de bola, mas pra quem acompanha de perto, sabe que ali tem mais história que muito campo profissional. Cada passe, cada grito do goleiro, cada chute torto é uma lembrança viva de que o futebol é parte da nossa alma.

Pois bem. Nesta terça-feira, na tradicional pelada sênior do Max Min Clube, teve espetáculo, risada e, claro, orgulho aqui deste lado da arquibancada. O time do meu marido, resolveu mostrar serviço. Jogaram bonito, tocando a bola como quem borda rede, e saíram de campo de cabeça erguida — ou melhor, tirando onda, como eles mesmos dizem entre um gole d’água e outro.

E, por tabela, confesso: me deixaram orgulhosa. Porque não é só o gol que a gente comemora, é o esforço, o compromisso, o tanto que se entrega. Ver aquele bando de homem com cara de cansado calçando chuteira com brilho no olho de menino, é coisa que enche a alma.

Mas preciso reforçar um detalhe pro meu amigo Eduardo — quem treina o jogador sou eu, viu? Não é ele! (risos). Ele que não venha tomar o crédito, porque aqui, nas conversas de antes e depois do jogo, eu também dou meus palpites, faço minhas críticas, ensino uns dribles imaginários. Futebol é coletivo, sim, mas orgulho também é partilhado.

E só pra constar, essa galera acima dos cinquenta tá arrebentando! Tão tirando onda no compromisso com a bola, chegando cedo, cumprindo horário, respeitando o jogo, jogando com vontade e com sorriso no rosto. Diferente de uns e outros do lado mais novo do clube, que mal conseguem manter a assiduidade e ainda têm coragem de querer atrapalhar a pelada dos veteranos. Fica o recado: futebol também se faz com respeito e presença, não só com fôlego jovem.

E é isso que essa pelada representa: amizade, convivência, risada, suor e, acima de tudo, pertencimento. Num mundo tão apressado, onde as pessoas esquecem de se encontrar, de conversar e até de torcer, ver aquela turma toda junta, unida em torno da bola, é um respiro bom demais.

Enquanto houver campo, camisa suada e um punhado de amigos dispostos a correr, a gente continua acreditando que o futebol ainda é poesia. E eu sigo aqui, torcedora, treinadora de coração e repórter desse amor simples que se joga toda terça-feira.