Adelaide Valle Pires
Psicologa por formação, arqueologa de coração
Inspirada na série coreana “Fitness na academia e no amor”, sobre os exageros que nos afastam do equilíbrio e de nós mesmos.
Ela entrou na academia com o coração meio partido, tentando levantar mais do que halteres: queria erguer a auto estima. Ele, o diretor fisiculturista, parecia ter esculpido não só músculos, mas também uma filosofia: “O corpo retrata a história da pessoa.”
Ela olhou para ele desconfiada, pensando: será que o amor também pode ser levantado, exercitado, modelado?
Naquele dia, o ar estava cheio de suor e lições. Ela mergulhou numa dieta rigorosa, ele se jogou no excesso de treino. Resultado: alterações de humor, descontrole, impaciência. Dois extremos, dois exageros, uma lição clara: nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. O equilíbrio é o que mantém o corpo e a alma estáveis.
Entre os pesos e os espelhos, três senhoras fiéis à academia lembravam que o exercício mais importante é o da convivência. Iam mais para conversar do que para malhar, e talvez por isso fossem as mais constantes. Eram o lembrete vivo de que o vínculo e o afeto também fortalecem.
Quando uma criança entrou na academia, a mãe pedindo desculpas e dizendo que não tinha tempo, foi uma dessas senhoras que respondeu, com sabedoria de quem já viveu muitas pressas: “O tempo é agora. Se não fizer seu tempo hoje, ele vai escapar amanhã.”
O diretor, então, pegou a criança no colo e deixou a mãe treinar.
Ela entendeu: o amor próprio não espera, não pede licença. É exercício diário.
E enquanto os corpos se esticavam, os olhares se erguiam, os neurônios malhavam também. Postura erguida, peito aberto, olhos frente: mais do que músculos, eles treinavam coragem, alegria e auto estima.
No fim, ela percebeu que o maior romance era consigo mesma — e que um pouco de suor, conversa e equilíbrio podia curar qualquer coração partido.
Reflexão CHARME
C – Captura
Você tem capturado os sinais do seu corpo e da sua mente — ou está deixando que o excesso fale mais alto?
O seu corpo está querendo te dizer o quê?
H – Hábito
Você cultiva o hábito de cuidar de si, de se movimentar, de conversar, de se ouvir — ou vive sempre adiando o seu próprio tempo?
A – Agir
Quando sente que algo precisa mudar, você age? Ou espera que alguém segure a sua “criança interior” enquanto corre atrás dos outros?
R – Reflexão
Quantas vezes você exagerou tentando acertar?
Em que momentos percebe que o equilíbrio — e não o extremo — é o que te devolve serenidade?
M – Mudança
Que pequenas mudanças podem fortalecer não só seus músculos, mas também seus vínculos e a sua auto estima?
E – Expansão
Como o seu cuidado e o seu equilíbrio podem se expandir para inspirar e fortalecer quem está à sua volta?


