Nem 8, nem 80 - Rede Gazeta de Comunicação

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Nem 8, nem 80

Adelaide Valle Pires

Psicologa por formação, arqueologa de coração

Inspirada na série coreana “Fitness na academia e no amor”, sobre os exageros que nos afastam do equilíbrio e de nós mesmos.

Ela entrou na academia com o coração meio partido, tentando levantar mais do que halteres: queria erguer a auto estima. Ele, o diretor fisiculturista, parecia ter esculpido não só músculos, mas também uma filosofia: “O corpo retrata a história da pessoa.”

Ela olhou para ele desconfiada, pensando: será que o amor também pode ser levantado, exercitado, modelado?

Naquele dia, o ar estava cheio de suor e lições. Ela mergulhou numa dieta rigorosa, ele se jogou no excesso de treino. Resultado: alterações de humor, descontrole, impaciência. Dois extremos, dois exageros, uma lição clara: nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. O equilíbrio é o que mantém o corpo e a alma estáveis.

Entre os pesos e os espelhos, três senhoras fiéis à academia lembravam que o exercício mais importante é o da convivência. Iam mais para conversar do que para malhar, e talvez por isso fossem as mais constantes. Eram o lembrete vivo de que o vínculo e o afeto também fortalecem.

Quando uma criança entrou na academia, a mãe pedindo desculpas e dizendo que não tinha tempo, foi uma dessas senhoras que respondeu, com sabedoria de quem já viveu muitas pressas: “O tempo é agora. Se não fizer seu tempo hoje, ele vai escapar amanhã.”

O diretor, então, pegou a criança no colo e deixou a mãe treinar.

Ela entendeu: o amor próprio não espera, não pede licença. É exercício diário.

E enquanto os corpos se esticavam, os olhares se erguiam, os neurônios malhavam também. Postura erguida, peito aberto, olhos frente: mais do que músculos, eles treinavam coragem, alegria e auto estima.

No fim, ela percebeu que o maior romance era consigo mesma — e que um pouco de suor, conversa e equilíbrio podia curar qualquer coração partido.

 Reflexão CHARME

C – Captura

Você tem capturado os sinais do seu corpo e da sua mente — ou está deixando que o excesso fale mais alto?

O seu corpo está querendo te dizer o quê?

H – Hábito

Você cultiva o hábito de cuidar de si, de se movimentar, de conversar, de se ouvir — ou vive sempre adiando o seu próprio tempo?

A – Agir

Quando sente que algo precisa mudar, você age? Ou espera que alguém segure a sua “criança interior” enquanto corre atrás dos outros?

R – Reflexão

Quantas vezes você exagerou tentando acertar?

Em que momentos percebe que o equilíbrio — e não o extremo — é o que te devolve serenidade?

M – Mudança

Que pequenas mudanças podem fortalecer não só seus músculos, mas também seus vínculos e a sua auto estima?

E – Expansão

Como o seu cuidado e o seu equilíbrio podem se expandir para inspirar e fortalecer quem está à sua volta?