Paula Pereira
Jornalista/ Programadora visual/ Analista de marketing
Ah, Minas Gerais… sempre nos brindando com surpresas que nem a mais inventiva ficção policial ousaria escrever. Na madrugada deste sábado, por volta de 1h30, no km 333 da BR‑251 — no trecho conhecido carinhosamente (ou não) como “Curva do Piso”, em Fruta de Leite — dois veículos de carga protagonizaram uma colisão frontal digna de manchete internacional.
No sentido de Salinas para Montes Claros seguia uma carreta carregada de uvas. Do sentido contrário, uma “bauzina” refrigerada, dizendo carregar steaks de frango. Só que, com o impacto, o compartimento estufa desse baú se rompeu — e, voilà: junto aos produtos alimentícios, jorrou sobre o asfalto uma carga extra de toneladas de maconha.
Os dois condutores ficaram feridos (ninguém saiu ileso desse “combo” de fruta, frango e fumo). Uma equipe do CBMMG fez o desencarceramento, e as vítimas foram levadas ao hospital de Salinas pelo SAMU — o que conduzia a carreta com a “merenda artística” ficou sob escolta da PMMG.
E os números para temperar a história? Estima-se que eram cerca de duas toneladas de maconha — ~2 000 kg — o que já faz parte de “uma das maiores apreensões desse tipo em Minas Gerais”.
Ora, se o objetivo era disfarçar — missão quase cumprida. Afinal, quem esperaria uma carreta de ‘steaks’ servir de escudo para um carregamento de “erva” rastreável? Quem diria que a “fruta” (uvas) de um lado e o “frango” do outro seriam coadjuvantes dessa comédia de erros e ilegalidades? Mas a estrada de Salinas não perdoa: a curva traiçoeira, o baú rompido, a maconha no meio da carga — tudo conspirou para revelar o plano como quem abre a tampa de lata.
O episódio, apesar do tom quase cômico (no absurdo), acende alerta: o corredor da BR-251, essa artéria que liga interior a interior, não é apenas rota de cargas lícitas — é escoadouro de negócios escusos. A cena do “verde derramado” no asfalto deveria estar em folder de campanha contra o tráfico: “Evite camuflagem, você pode deparar com a Curva do Piso” — com direito a foto.
No mais, resta a pergunta: quem raios planejou isso e achou que iria passar incólume? A resposta: talvez tantos que o Norte de Minas já virou palco de operações logísticas criativas demais para o próprio bem. E o caminhão tombou, o baú estourou e a carga… bem, essa ficou ali, à vista de todos, perguntando “o que faço aqui?”.
Que essa notícia sirva de lição — ou ao menos de título para charge —: no interior, os trâmites podem até tentar passar despercebidos, mas não por muito tempo. E aquela “mistura” entre fruta, frango e fumo… ah, essa vai dar o que falar.


