Paula Pereira
Jornalista/ Programadora visual/ Analista de marketing
Tem coisa que chega como vento bom depois de seca braba. Não traz alarde, mas vem soprando esperança, firme e mansa. Assim é o anúncio da criação da Vara da Mulher em Montes Claros — uma ideia que floresce no chão batido do Norte de Minas, onde o povo aprendeu, desde menino, que justiça de verdade é aquela que alcança os mais esquecidos.
Não é só mais uma estrutura de tribunal, não. É um gesto civilizatório, um passo miúdo e gigante ao mesmo tempo, rumo a uma Montes Claros que acolhe, protege e respeita suas mulheres.
Essa semente foi lançada por mãos que conhecem o valor da união: o Lions Clube Montes Claros Sertanejo, a OAB Mulher, o Conselho Municipal da Mulher e tantas lideranças que, com coragem e ternura, decidiram dar forma àquilo que o coração da cidade já pedia há tempos.
No meio dessa história, nomes se destacam — Luiz Carlos Azevedo, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que abriu diálogo com firmeza e sensibilidade; Jefferson Trindade e Daniel Pereira, diretores do Lions, que botaram o projeto debaixo do braço e saíram costurando apoios, com aquele jeito sertanejo de quem fala olhando nos olhos. E não se pode deixar de lado a força de Márcia Beatriz, do Conselho da Mulher, e Camila Lima, da OAB Mulher, vozes firmes que há tempos ecoam por dignidade e segurança.
A juíza Cibele Lopes Macedo, diretora do Fórum Gonçalves Chaves, também deu seu aval, com a convicção de quem vê de perto a sobrecarga de processos — cerca de 6.500 casos de violência doméstica tramitando em varas comuns. Uma Vara da Mulher é, portanto, não apenas um avanço, mas uma necessidade urgente, uma forma de dar agilidade e humanidade ao que, hoje, anda lento e pesado.
E a verdade é que o sertão ainda carrega marcas antigas. Por aqui, o machismo ainda fala alto em muitas casas e, não raras vezes, conflitos que deveriam se resolver com diálogo acabam se perdendo na poeira da violência. É por isso que essa nova vara representa tanto: porque vem lembrar que respeito não é favor, é direito. E que a justiça precisa estar perto de quem, por tanto tempo, foi silenciada.
No sertão, a gente sabe: cada passo precisa de firmeza e fé. E esse projeto vem com os dois. Porque uma vara especializada não é só papel e carimbo — é símbolo. É espaço de escuta, de acolhimento, de empatia.
Nela, cada caso será tratado com a sensibilidade que o tema exige. Cada mulher encontrará ali não só uma juíza, mas um olhar que entende o medo, a dor e a coragem. Com processos mais céleres, decisões mais rápidas e, principalmente, o sentimento de que a justiça não está distante — está ali, de mãos dadas com quem precisa.
Montes Claros, com sua alma generosa e espírito de liderança, está pronta para esse passo. A criação da Vara da Mulher mostra que aqui se constrói cidadania com afeto e se enfrenta a violência com firmeza.
Quem anda pelas ruas da cidade, ou pelos distritos e povoados que a cercam, sente que há um novo fôlego no ar. O projeto não é de gabinete — é de chão, de quem acredita na força do coletivo. E o Lions Sertanejo, junto com a OAB Mulher e o Conselho da Mulher, vem mostrando que é possível transformar boa vontade em ação concreta.
Outras cidades já colhem bons frutos com suas varas especializadas. Agora, é a vez de Montes Claros abrir essa porteira e deixar a justiça correr livre. Há quem diga que, com o novo Fórum recém inaugurado, veio em um momento muito propício — um símbolo de recomeço, de novo tempo, de cuidado com as mulheres do Norte.
Essa é uma daquelas notícias que fazem o coração bater mais leve. Porque ela fala de esperança. Fala de mudança. Fala de gente que não se acomoda, que vê na justiça um instrumento de reconstrução.
A criação da Vara da Mulher em Montes Claros é o tipo de avanço que dá orgulho de contar. É prova de que, quando instituições e pessoas se unem — quando Luiz Carlos Azevedo, Jefferson Trindade, Daniel Pereira, a OAB Mulher e o Conselho da Mulher somam esforços —, nasce um projeto que ultrapassa a burocracia e alcança o humano.
Aqui no Norte, a gente tem um ditado: “quando o povo se junta, até o vento muda de lado”. Pois que mude, então. Que sopre um vento de proteção, respeito e igualdade. Que as mulheres, em cada canto do nosso sertão, sintam que a justiça agora fala com voz mais doce e firme — com sotaque de Montes Claros, com coração do Norte de Minas.
Um novo tempo chega. E ele chega com nome bonito e propósito justo: Vara da Mulher.


