EDITORIAL — LUIZ MANA | O Doutor da bola e do sorriso - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL — LUIZ MANA | O Doutor da bola e do sorriso

Paula Pereira

Jornalista/ Programadora visual/ Analista de marketing

Hoje é terça-feira. E terça, o povo já sabe, é dia de pelada.

É o dia em que o coração parece bater no compasso da bola, quando a chuteira encosta no chão quente e o sol derrama claridade sobre o campo, como se também quisesse assistir.

Não tem canto desse Brasilzão em que a bola não role. Seja na poeira vermelha das periferias, no asfalto da cidade grande ou na grama cansada de tanto ser pisada, o futebol é um idioma universal — falado por pobres, doutores, meninos e velhos. É mais que esporte, é uma forma de respirar, de existir.

Mas hoje, a conversa não é sobre o futebol em si. É sobre um homem que parece ter nascido com o coração moldado em formato de bola. Um sujeito que trata o esporte com o mesmo zelo, o mesmo capricho e o mesmo amor que dedica à sua profissão.

Doutor de ofício, cirurgião de precisão. Especialista em tudo que envolve boca, osso e coragem: Buco Maxilo, Implantodontia, Farmacologia. Professor em cursos de graduação e pós-graduação, formador de gerações, exemplo de ética e de entrega.

Mestre em ensinar e em viver — porque o saber, pra ele, nunca foi soberba, foi partilha.

Formou-se em 1979. De lá pra cá, não fechou o consultório nem um dia sequer. Quarenta e seis anos de dedicação ininterrupta, de bisturi firme, de olhar calmo e mão certeira. O tempo passou, o corpo sentiu o peso das décadas, mas o brilho no olhar segue o mesmo: sereno, seguro, como o de quem aprendeu a domar a vida no compasso do trabalho.

Mas Luiz Mana, o homem que o povo conhece, não vive só de bisturi.

Vive de bola, de riso, de amizade.

Desde 2002, quando fundou a Flamoc, o campo virou igreja, e o futebol, sua forma de evangelizar pela alegria. Lá, todo sábado de manhã, antes do primeiro chute, tem palavra de fé. Tem agradecimento, tem abraço sincero e café quente passado na hora, cheiro bom de pão e de gente.

A pelada é democrática, mas disputada. Muita gente sonha em jogar com o Doutor — dizem que quem entra ali é sortudo. E é mesmo. Porque ali, naquele gramado batido, não há briga, não há confusão, não há vaidade. Só convivência, respeito e risada.

É o futebol voltando à sua pureza original, o jogo como ponte entre as almas.

E quem é de Montes Claros sabe: onde tem bola rolando e camisa vermelha e preta, o Doutor tá por perto.

Não há campeonato nessa cidade — de várzea ou de salão — que não conte com seu patrocínio, seu incentivo, seu entusiasmo. Seja qual for o clube, é certo que Luiz Mana vai estar torcendo, ajudando, dando um jeito de fazer o evento acontecer.

E se o uniforme é rubro-negro, ninguém estranha: flamenguista roxo, desses que carregam o escudo no peito como se fosse batismo. Falar de Fluminense perto dele é até pecado — a resposta vem rindo, mas firme: “Sou Flamengo, uai!”

O currículo é respeitável: cidadão honorário, benemérito, medalha de mérito esportivo pela Câmara Municipal de Montes Claros. Mas o que o povo guarda mesmo é outra coisa.

É a lembrança do homem simples, que trata o pedreiro e o juiz com a mesma consideração; que ouve, aconselha, e encontra tempo pra todo mundo.

Enquanto muitos se recolhem em suas vitórias, ele segue lá, no meio do campo, calçando chuteira, dividindo o mesmo chão, o mesmo suor e a mesma alegria.

Com o mesmo sorriso manso que já devolveu tantos sorrisos a seus pacientes.

E quem observa de fora entende: o amor de Luiz Mana pelo futebol é de natureza profunda. Vai além da competição, da técnica ou do resultado. É coisa de alma.

Um sentimento que não cabe em palavra, que escapa ao dicionário e mora no peito.

Talvez só o povo do Norte de Minas entenda direito — esse jeito de misturar fé, trabalho e bola, como quem reza com o corpo em movimento.

Porque o sertanejo é assim: aprende a sonhar com o pouco, e o pouco, nas mãos certas, vira grandeza.

E no meio dela, lá está ele — o Doutor da Bola e do Sorriso — querido por todos, com sua voz mansa e amiga, plantando amizade onde a poeira insiste em subir.

A bola gira, o tempo passa, mas o legado de Luiz Mana fica: o de quem entendeu que servir é a forma mais bonita de vencer.