Depois do café, eu me expresso - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Depois do café, eu me expresso

Adelaide Valle Pires

Psicóloga por formação, arqueologa de coração

Acordei energizada — daqueles dias em que o corpo desperta antes do relógio. Logo mais, café com a Aninha. Na parede, o lembrete: depois do café, eu me expresso.

Ontem ela me agradeceu. Disse que estava voltando quente na escrita diária e que nossas conversas tinham acendido nela um fogo bom — o de quem reencontra o próprio verbo.

Ouvi, sorri e percebi: essa energia tem nome, é o movimento da troca. Foi a corrente do bem — o mesmo gatilho que me fez criar e repaginar o Via Novo 2.

Terminei a noite assistindo Tudo bem, isso é amor.

E a cena do camelo solto e do camelo preso não me larga.

Tem algo ali — uma metáfora pedindo passagem.

A Aninha chegou. O que começou como conversa terminou como reportagem. Mas, no fundo, foi uma travessia de idéias.

Entre um gole e outro, ela me perguntou se eu percebia que os ventos de agosto estavam soprando agora em outubro.

Confesso: não havia pensado nisso.

Mas fiquei com a pergunta dançando dentro de mim, como um vento que insiste em abrir janelas.

Talvez seja isso mesmo — agosto, mês dos ventos e dos re começos, resolveu chegar atrasado.

Ou talvez no tempo certo.

Porque há ventos que só sopram quando a gente está pronta para escutar.

No meio da conversa, citei a série e o simbolismo dos camelos — o solto e o amarrado.

Ela lembrou o pai, que falava do dominó que vai caindo com a intenção do bem ou do mal.

Aproveitei para falar das premissas da comunicação: comunicar não é o que você diz, mas o que o outro entende.

Não tenho responsabilidade pelo entendimento do outro, mas tenho pelo que digo.

Ela reforçou a percepção sobre minha intenção — de ser um gatilho positivo para reacender o reencontro com o próprio verbo.

Isso nos levou a refletir sobre leitura e escrita: sempre juntas, mas com travessias distintas.

Mostrei a ela minha leitura Charme — o caminho dos dois camelos: um amarrado, que observa; o outro solto, que sente.

Eles coexistem

Mas a escrita DDD — Dialogando, Divertindo e Desenvolvendo — é o camelo que se solta de vez.

Escrever, para mim, é permitir que o vento entre, que o caos dance e que a alma respire.

E talvez seja isso que a Aninha quis me mostrar sem dizer:

os ventos de agosto sopram quando a gente se permite ser passagem —

nem tão amarrada, nem tão solta, mas inteira.

E o AMOR , percebi, não cura tudo.

Mas ele integra.

Não apaga as marcas, só ensina a conviver com elas em voz mansa.

E olho para o meu despertador QAMOR letra por letra  A de autoconhecimento M de movimento O de objetivos e R de relacionamentos