Sem Rebeca Andrade, CBG convoca Seleção Brasileira para o Mundial de Ginástica Artística na Indonésia - Rede Gazeta de Comunicação

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Sem Rebeca Andrade, CBG convoca Seleção Brasileira para o Mundial de Ginástica Artística na Indonésia

Com Flávia Saraiva e Júlia Soares, equipe nacional busca novas medalhas e consolidação no cenário internacional

A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) anunciou, nesta quinta-feira (9/10), a lista oficial dos atletas convocados para representar o Brasil no Campeonato Mundial de Ginástica Artística de 2025, que será realizado de 19 a 25 de outubro, na moderna Indonésia Arena, em Jacarta. A competição reunirá os melhores ginastas do mundo em um torneio que marca o início do novo ciclo olímpico, rumo aos Jogos de Los Angeles 2028.

Sem a presença de sua principal estrela, Rebeca Andrade, a Seleção Brasileira feminina será liderada por Flávia Saraiva, que divide o protagonismo com Júlia Soares, duas das ginastas mais experientes e vitoriosas do país. A ausência de Rebeca, bicampeã mundial e multimedalhista olímpica, se deve a uma decisão médica: a atleta optou por se afastar das competições para concluir o tratamento de lesões acumuladas ao longo da carreira.

Equipes definidas: mistura de experiência e renovação

A equipe feminina foi confirmada com quatro ginastas:

Flávia Saraiva

Júlia Soares

Júlia Coutinho

Sophia Weisberg

No masculino, o time brasileiro contará com cinco representantes, combinando juventude e experiência:

Arthur Nory

Caio Souza

Diogo Soares

Vitaliy Guimarães

Yuri Guimarães

A delegação viaja com altas expectativas, especialmente após os resultados expressivos conquistados nas últimas temporadas. Com a saída temporária de nomes de peso, como Rebeca Andrade, Jade Barbosa e Lorrane Oliveira, o Brasil aposta na força coletiva e na nova geração para manter o país entre as principais potências da ginástica mundial.

As ausências sentidas: Rebeca, Jade e Lorrane fora do Mundial

A lista de desfalques da equipe brasileira é notável. Além de Rebeca, que vem passando por um intenso processo de recuperação física, Jade Barbosa — uma das atletas mais experientes e símbolo de longevidade no esporte — está grávida e fora do ciclo competitivo por tempo indeterminado. Já Lorrane Oliveira, finalista olímpica e uma das referências no solo, também enfrenta problemas físicos e não reuniu condições de competir neste momento.

Essas ausências representam não apenas uma perda técnica, mas também simbólica, já que as três ginastas estiveram juntas no histórico pódio olímpico de Paris 2024, quando o Brasil conquistou pela primeira vez uma medalha de bronze por equipes. Na ocasião, Rebeca ainda brilhou individualmente com ouro no solo, prata no salto e prata no individual geral, confirmando seu status como uma das maiores ginastas do mundo.

Flávia Saraiva assume papel de liderança

Com 26 anos, Flávia Saraiva assume oficialmente a condição de líder da Seleção, um posto que já pertenceu a ícones como Daniele Hypólito e Jade Barbosa. Carismática, técnica e com uma trajetória consolidada desde os Jogos do Rio, em 2016, Flávia chega ao Mundial com o desafio de equilibrar sua busca por resultados individuais com o papel de mentora para as mais jovens.

“Estou tendo a oportunidade de treinar com atletas dez ou onze anos mais novas do que eu. Eu e a Júlia Soares, que temos mais experiência, estamos aqui também para ensinar e mostrar o que é um Campeonato Mundial. Não é hora de cobrança, mas de aprendizado”, afirmou Flávia, durante coletiva promovida pela CBG.

A ginasta, que é uma das favoritas à medalha no solo e na trave, também ressaltou o espírito de união do grupo. “A gente consegue ensinar até sem palavras. Muita coisa se aprende observando postura, comportamento e disciplina. Nossa corrida pela vaga olímpica começa agora, e o objetivo é chegar a Los Angeles ainda mais fortes”, completou.

O desafio na Indonésia: início do ciclo olímpico

Esta será a 53ª edição do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, organizado pela Federação Internacional de Ginástica (FIG). Por ser o primeiro Mundial após os Jogos Olímpicos, a competição não contará com disputas por equipes completas — apenas provas individuais e por aparelhos, conhecidas como “Mundial de especialistas”.

O formato permite que os ginastas foquem em suas principais rotinas, testem novos elementos e pontuações, e acumulem experiência e confiança para os desafios do novo ciclo. A CBG considera o evento fundamental para avaliar o desempenho técnico, a consistência das séries e o potencial de evolução dos atletas rumo a Los Angeles 2028.

Antes de embarcarem para Jacarta, os ginastas brasileiros farão um período de aclimatação e treinamentos em Doha, no Catar, uma etapa estratégica para adaptação ao fuso horário e às condições climáticas do Sudeste Asiático. A preparação, que tem sido acompanhada de perto pela comissão técnica liderada por Valeri Liukin, visa maximizar o rendimento dos atletas durante as provas oficiais.

Expectativas e histórico recente

O Brasil chega ao Mundial em um momento de forte protagonismo internacional. Desde Tóquio 2020, quando Rebeca Andrade conquistou as primeiras medalhas olímpicas da história da ginástica artística feminina brasileira, o país tem se consolidado como potência emergente na modalidade.

Nos Mundiais de 2022 e 2023, a Seleção Brasileira subiu ao pódio em diversas ocasiões, acumulando resultados inéditos — como o ouro de Rebeca no salto e o bronze de Flávia Saraiva na trave, no ano passado, em Antuérpia. Mesmo com as ausências, a equipe mantém ambições de brigar por medalhas e colocar o Brasil novamente entre os destaques do torneio.

O ginasta Arthur Nory, campeão mundial na barra fixa em 2019, também é um dos nomes mais experientes da delegação. Recuperado de lesão, ele busca um novo pódio e deve liderar o grupo masculino ao lado de Caio Souza e Diogo Soares, ambos finalistas olímpicos.

Um novo ciclo, as mesmas ambições

Com renovação no elenco e espírito de superação, a Seleção Brasileira encara o Mundial da Indonésia como um divisor de águas. A expectativa da comissão técnica é que os jovens atletas, como Júlia Coutinho e Sophia Weisberg, ganhem ritmo e maturidade internacional, preparando o terreno para o próximo ciclo olímpico.

“É o momento de observar, aprender e crescer. O Brasil chega ao Mundial com um grupo talentoso, motivado e com ambições reais de chegar às finais por aparelhos. O legado das nossas campeãs continua inspirando essa nova geração”, destacou Henrique Motta, coordenador técnico da CBG.

Convocados para o Mundial de Ginástica Artística 2025

Feminino:

Flávia Saraiva

Júlia Soares

Júlia Coutinho

Sophia Weisberg

Masculino:

Arthur Nory

Caio Souza

Diogo Soares

Vitaliy Guimarães

Yuri Guimarães