Na tarde de 2 de outubro de 2025, a Venda do Fred, em Montes Claros, tornou-se palco de uma celebração singular: o lançamento do livro Arena da Comunicação, de Adelaide Valle Pires, um encontro que misturou literatura, simbologia e afeto — e que a própria autora definiu como “minha árvore da vida em forma de tarde quente”.
Mais do que uma sessão de autógrafos, o evento foi uma vivência de partilha e significados. Cada detalhe do espaço convidava à reflexão: a moeda “teneuro”, que comprava boas prosas; o espelho do nome, que provocava autoconhecimento; a árvore das mil e uma crônicas, repleta de mensagens; e a cumbuca do autógrafo poético, que transformava o gesto da escrita em memória.
Entre o sabor do arroz com pequi raiz e do arroz com pequi mimimi, o público foi convidado a escolher entre tradição e suavidade — metáfora viva da proposta do livro, que fala sobre escolhas, presença e comunicação genuína.
“Hoje não lancei apenas um livro. Hoje plantei raízes, ergui troncos e colhi frutos”, disse Adelaide, emocionada, ao iniciar sua fala. E foi assim que conduziu a tarde: entre pausas poéticas, sorrisos e lembranças.









O nome Arena da Comunicação surgiu em 2016, quando a autora criou um jogo com esse título. “Arena vem do latim, areia. E há uma frase que me acompanha desde então: ‘Escreva os momentos tristes na areia e os felizes na pedra’. A vida é cíclica — comunicar também é estar em movimento”, explicou.
Adelaide contou que a ideia do livro nasceu da necessidade de vencer a timidez e compartilhar sua luz natural. “Durante anos, trabalhei com treinamento e desenvolvimento, criando jogos e ferramentas corporativas. Mas o Arena nasceu de dentro, como um mergulho interno”, afirmou.
Com a mentoria do escritor Sandro Bier, no projeto Café do Escritor, o título se reafirmou. Antes disso, chegou a pensar em chamar a obra de Arqueologia dos Sonhos, inspirado por uma conversa com o filho Felipe, que a incentivou a se ver como uma “arqueóloga dos sonhos e objetivos das pessoas”.
Mas o livro quis “os pés na areia”, como definiu a autora — um lugar simbólico, de encontro entre o chão da vida e o voo das palavras.
Na capa, uma árvore traduz a filosofia da obra:
- Raízes representam o tempo e as memórias;
- Tronco, as conexões e os relacionamentos;
- Copa, os sonhos e contribuições.
O pequi, símbolo forte em sua trajetória, também ganhou destaque. “Sou mineira, e o pequi me acompanha desde menina. Roer o pequi é como se conhecer: o sabor e o valor estão no interior, protegidos por espinhos.”
O lançamento seguiu com um momento interativo: dois envelopes — um com um trecho romântico e outro com um texto metafórico do livro. O público escolheu o metafórico, e Adelaide encerrou com a leitura:
“A comunicação é sempre mais do que parece. É raiz que sustenta, tronco que conecta, copa que sonha.”
Entre os agradecimentos, a autora destacou o apoio da prima Alba Campos, que a levou até o Café do Escritor, e da família — pais, irmãos, filhos, noras e netos —, a quem chamou de “meu grande tesouro”.
O encerramento teve o toque simbólico do sinal PEM – Princípios, Escolhas e Mudanças, marcando o fim do evento e o início de novas travessias.
“Comunicar é aquecer corações na mesma chama da presença e da palavra”, disse Adelaide, em uma tarde em que literatura, afeto e identidade mineira se encontraram sob o sol da emoção.


