EDITORIAL | QUANDO A TERRA CHORA, O POVO RESISTE: A Força dos que não desistem - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL | QUANDO A TERRA CHORA, O POVO RESISTE: A Força dos que não desistem

Paula Pereira

Jornalista/ Programadora visual/ Analista de marketing

No sertão bravo de Montes Claros, quando o céu esquece de chover e a terra geme de sede, o povo do mato segue em frente — calejado, mas inteiro. A seca chegou de novo — mais quente, mais dura, mais cruel. Esturricou as lavouras, matou o que restava de verde e levou com ela o pouco que havia nos potes e nas panelas. Mas aqui, onde o sol castiga, o povo não entrega os pontos fácil.

É nesse cenário sofrido que a Defesa Civil de Montes Claros se agiganta. Feita de gente de coragem, essa equipe tem sido mais do que braço forte: tem sido coração estendido, levando ajuda onde a dor tem feito morada. Eles não só levam água em caminhão-pipa — que já é bênção no deserto —, mas também levam alimento, em forma de cestas básicas, que chegam como o cheiro do feijão na panela depois de dias de vazio.

A cada cesta entregue, a cada pacote de arroz, de farinha, de esperança, a Defesa Civil mostra que o sertanejo não está esquecido. Que, mesmo longe das manchetes e dos gabinetes, existe quem se importa, quem se move, quem chega com o pouco que tem — e transforma esse pouco em muito.

E quando o céu resolve virar e as nuvens ameaçam voltar com força demais, a mesma Defesa Civil, junto com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, assume outra missão: realizar vistorias preventivas em áreas de risco em Montes Claros. O intuito da operação é orientar os moradores de como proceder em casos de alagamentos, desabamentos e outras situações de risco ocasionadas pelas chuvas. É um trabalho silencioso, mas essencial. Porque, nesse sertão de extremos — onde ora falta água, ora ela vem demais —, a prevenção também é forma de amor.

Não é só comida, não. É um recado: “Você não está só.” É como se, junto com o fubá, viesse uma mão amiga batendo nas costas e dizendo: “Aguenta firme, que nóis tamo junto.” Porque o alimento mata a fome do corpo, mas a presença mata a fome de esperança, e isso vale ouro nesse sertão montes-clarense tão sofrido, mas tão resistente.

A Defesa Civil tem atravessado estradas ruins, comunidades isoladas, calor de rachar — tudo pra chegar até quem mais precisa. Tem dia que falta braço, tem dia que falta recurso, mas não falta vontade. Eles vão com fé no peito, com respeito no coração e com a certeza de que ajudar é mais do que missão — é vocação.

Montes Claros precisa olhar com gratidão pra essa turma. E o poder público, de todo canto, precisa olhar com responsabilidade. Porque a seca não é novidade, mas o abandono também não pode virar regra. O povo quer dignidade, quer viver da roça, quer criar seus filhos com o que planta e colhe. Mas enquanto o céu não manda a chuva, que pelo menos não falte o cuidado dos homens.

E nisso, a Defesa Civil tem sido firme. Seja com a água, com o alimento, com o abraço, com a escuta ou com a orientação nas áreas de risco, eles seguem. Como rio teimoso que não seca, como árvore que brota mesmo depois da queimada. Onde eles passam, renasce um fio de esperança, um riso tímido, uma certeza: tem quem lute por nós. E é a Defesa Civil.

Telefones de emergência:

Corpo de Bombeiros: 193

Defesa Civil: 199

Secretaria de Defesa Civil e Corpo de Bombeiros realizam vistorias preventivas em áreas de risco em Montes Claros. O intuito da operação é orientar os moradores de como proceder em casos de alagamentos, desabamentos e situações de riscos ocasionados pelas chuvas em Montes Claros.

“Defesa Civil somos todos nós.”