Montes Claros sedia simulado nacional de combate à febre aftosa e reforça status de Minas Gerais como território livre da doença sem vacinação - Rede Gazeta de Comunicação

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Montes Claros sedia simulado nacional de combate à febre aftosa e reforça status de Minas Gerais como território livre da doença sem vacinação

A cidade de Montes Claros, localizada no coração do Norte de Minas Gerais e reconhecida por sua forte tradição agropecuária, está no centro das atenções do cenário agro nacional e internacional ao sediar, entre os dias 23 de setembro e 3 de outubro, o Simulado Nacional de Combate à Febre Aftosa, promovido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), com o apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O exercício simulado reúne representantes de 23 estados brasileiros e também de países fronteiriços ao Brasil, mobilizando profissionais da área de defesa agropecuária, técnicos, médicos veterinários, estudantes, lideranças rurais e agentes públicos de todo o país.

O evento é considerado um marco histórico para Minas Gerais, primeiro estado da região Sudeste a ser reconhecido, oficialmente, como território livre da febre aftosa sem vacinação — título conferido pelo Ministério da Agricultura em 2024 e posteriormente ratificado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em 2025. O status sanitário é de extrema importância para a abertura de mercados internacionais, aumentando a competitividade da carne bovina mineira e brasileira, além de garantir maior valor agregado aos produtos de origem animal.

Montes Claros foi escolhida para sediar este primeiro grande simulado por seu protagonismo dentro da cadeia pecuária estadual. O município possui, atualmente, um rebanho bovino estimado em 106,4 mil cabeças, tanto de corte quanto de leite, conforme dados atualizados do IMA referentes ao ano de 2023. A cidade, portanto, representa não apenas uma potência regional na produção agropecuária, mas também um centro estratégico para testes de resposta rápida e controle de emergências zoossanitárias, como a febre aftosa — doença viral altamente contagiosa que pode causar impactos devastadores à economia do setor.

Segundo Luísa Moreira Arantes de Castro, diretora-geral do IMA, o simulado é mais do que um treinamento técnico: é uma vitrine das capacidades que o estado de Minas Gerais possui para preservar sua sanidade animal e consolidar a confiança dos mercados internacionais. “É como se fosse um baile de formatura. Vamos simular o atendimento a um eventual foco de febre aftosa, demonstrando a força e a capacidade do sistema de defesa agropecuária de Minas Gerais. Assim, nossos acordos bilaterais de comércio permanecem vigentes e todos os países que comercializam conosco têm segurança no nosso produto”, pontuou a diretora.

O exercício prevê o diagnóstico simulado de um surto da doença, seguido de todas as etapas técnicas e logísticas que seriam adotadas em um cenário real: contenção da área, vigilância ativa, coleta de amostras, comunicação com os produtores rurais, vacinação de emergência (apenas em caráter demonstrativo), auditoria documental, desinfecção de propriedades e transporte de animais, além de protocolos de rastreabilidade e gestão de crise. Todos os passos serão monitorados por autoridades sanitárias brasileiras e internacionais

Para o secretário municipal de Agricultura de Montes Claros, Osmani Barbosa Neto, a escolha do município como sede do simulado evidencia sua relevância nacional e o comprometimento da cidade com a sanidade agropecuária. “É importante frisar que estamos falando de um simulado, uma estratégia preventiva contra a febre aftosa, que não assola o nosso município há muitos anos, assim como o restante de Minas Gerais. No entanto, essa simulação é crucial para que os produtores se preparem e saibam como agir em caso de um surto, visando o controle da situação. Esperamos que isso não aconteça, pois, seria catastrófico para todos”, explicou o secretário.

Barbosa também agradeceu ao IMA e ao Governo de Minas por reconhecerem a estrutura e a organização do município. “Nosso agradecimento ao prefeito Guilherme Guimarães, que colocou toda a estrutura da administração municipal à disposição desta iniciativa. É fundamental mostrar ao mundo que Montes Claros, o Norte de Minas e todo o estado estão prontos e equipados para lidar com qualquer situação, garantindo que, se preciso for, saberemos agir com eficiência para proteger nossos produtores, nosso rebanho e nossa economia”, reforçou.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Almeida Pereira Fernandes, destacou que o simulado não apenas reforça o status sanitário de Minas, mas também simboliza um novo momento para a agropecuária brasileira, que se prepara para uma atuação ainda mais sólida no cenário global. “Nossa intenção é demonstrar ao mundo que estamos prontos para aproveitar novas oportunidades de mercado, mesmo diante de um cenário desafiador, como o tarifaço, as exigências ambientais e sanitárias. O Brasil é, hoje, o maior exportador de carne bovina do mundo e precisa mostrar que mantém a qualidade sanitária e a rastreabilidade de seus produtos com excelência”, disse o secretário.

Segundo ele, a realização do simulado em Montes Claros é estratégica. “A cidade foi escolhida por sua diversidade de produtores, pelo tamanho do rebanho e por ser referência na pecuária mineira. Adicionalmente, a região conta com frigoríficos habilitados para exportação e estamos trabalhando constantemente para aumentar essa capacidade, tornando Minas Gerais um modelo a ser seguido por todo o país”, concluiu Thales Almeida.

O que está em jogo?

A febre aftosa, erradicada em Minas desde 1996, ainda representa uma ameaça real para países com grande produção pecuária. Sua simples suspeita pode provocar o fechamento imediato de mercados internacionais, embargos, retração de exportações e prejuízos bilionários. O status de livre da aftosa sem vacinação é o ponto máximo de reconhecimento sanitário e permite que os produtos de origem bovina entrem em mercados de alto valor agregado, como Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e União Europeia.

Por isso, os simulados e exercícios estratégicos como o de Montes Claros não são meros protocolos burocráticos. São testes decisivos que demonstram a capacidade de reação do estado brasileiro diante de possíveis emergências sanitárias, garantindo a continuidade da confiança internacional na cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Minas Gerais, com sua forte tradição agropecuária e compromisso com a segurança alimentar, se projeta cada vez mais como referência nacional em sanidade animal, e Montes Claros, mais uma vez, mostra sua força e protagonismo no mapa do agronegócio brasileiro.