Dados regionais apontam caminhos urgentes para melhorar segurança viária e reduzir fatalidades
O Norte de Minas vive uma crescente preocupação com o trânsito nas rodovias: acidentes com vítimas seguem elevados em vários trechos, e a combinação de infraestrutura precária, fiscalização insuficiente e comportamento de risco resultam em perdas humanas e impactos econômicos para comunidades.Embora ainda faltem dados muito precisos para todos os municípios, levantamentos recentes revelam tendências que exigem ação urgente dos governos locais, estadual e federal.
Panorama regional: queda parcial, mas trechos críticos persistem
Segundo dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais para o primeiro semestre de 2025, a região da RISPs (Regiões Integradas de Segurança Pública) na qual Montes Claros está inserida (RISP‑11) registrou 1.827 acidentes com vítimas, o que aponta queda de 14,31% em comparação ao mesmo período de 2024.
No entanto, nem todas as áreas tiveram melhora. A RISP‑16 (Unaí e entorno), por exemplo, registrou um aumento de 10,47% no número de acidentes com vítimas no mesmo comparativo. Trechos como da BR‑251, em Unaí, da MG‑188, em Paracatu, e avenidas importantes nas sedes municipais aparecem entre os mais críticos.
Rodovias federais: riscos elevados e pontos negros
A BR‑251, que corta trechos do Norte de Minas, foi destaque negativo: em 2025, registrou um acidente a cada dois dias no trecho entre Francisco Sá e Grão Mogol, segundo levantamento da Sejusp‑MG.
Outro dado alarmante refere-se às rodovias federais mais movimentadas de Minas Gerais. A BR‑116, por exemplo, figura entre as mais letais: em 2024, foram 664 mortes em acidentes nesse trecho até outubro, de acordo com a Confederação Nacional de Transportes.
Além disso, há trechos identificados como especialmente perigosos — pontos críticos ou “quilômetros mortais” — onde o número de ocorrências de acidentes fatais é muito acima da média, segundo estatísticas da Polícia Rodoviária Federal.
Jovens e condutores inexperientes aparecem com frequência entre as vítimas. Embora o recorte específico para Norte de Minas seja menos divulgado, o estudo estadual aponta que faixa etária entre 20 e 29 anos lidera em número de vítimas.
As causas mais citadas dos acidentes com vítimas são falta de atenção, fatores relacionados ao condutor (como velocidade inadequada, desatenção ao volante ou uso de celular) e derrapagens, frequentemente ligadas ao estado das vias ou condições climáticas adversas.
Outro ponto que preocupa: a taxa de letalidade nas estradas do Norte de Minas é uma das maiores do estado, segundo o levantamento da SES‑MG e Corpo de Bombeiros.
Estradas estaduais: volume alto e fatalidades proporcionais
Dados de 2023 mostram que nas estradas estaduais de Minas Gerais houve 38.698 acidentes, o maior número desde 2019.
Cidades e Minerais
Esses acidentes envolvem diferentes tipos de sinistro (colisões, capotamentos, atropelamentos, etc.), e possuem taxas de morte mais elevadas nas estradas estaduais do que nas federais. Nas rodovias estaduais, há uma vítima fatal a cada ~14 acidentes, enquanto nas federais a proporção é menor (~1 morte a cada 28 acidentes).
Desafios estruturais e políticos
A partir desses dados, alguns obstáculos reiterados se destacam:
Infraestrutura – Muitas estradas possuem sinalização deficiente, pavimentação precária, pontos de risco como curvas perigosas sem acostamento ou sem barreiras adequadas, trechos sem iluminação. Trechos críticos na BR‑251 são exemplo disso.
Fiscalização e controle de velocidade – Há indícios de que locais com radares ou controle eletrônico de velocidade registram queda de acidentes graves. Em Minas Gerais, o DER‑MG já reportou reduções expressivas nos trechos onde tais dispositivos foram instalados.
DER MG
Educação no trânsito e comportamento dos condutores – Distrações ao volante, desatenção, uso de celular, desrespeito às regras de trânsito são causas frequentemente apontadas. A cultura de risco em rodovias também é reforçada pela falta de campanhas contínuas de prevenção e pela pouca visibilidade de ações coordenadas.
Resposta pós‑acidente – A rapidez de atendimento, estrutura de socorro e a capacidade de hospitais e serviços de emergência em áreas remotas têm impacto direto nas taxas de mortalidade. Em muitas regiões do Norte de Minas, distâncias longas e falhas logísticas agravam os desfechos.
Impactos locais: além das estatísticas
Para os municípios, as consequências vão muito além dos números:
Perdas humanas causam dor irreparável às famílias e comunidades;
Custos econômicos elevados com remoção de vítimas, tratamento em saúde, danos a veículos, seguros e perda de produtividade;
Desincentivo ao turismo ou uso de rotas alternativas, quando rodovias são vistas como perigosas;
Falta de confiança da população para investir ou residir em locais que dependem dessas vias para acesso a serviços básicos.
Medidas políticas urgentes e propostas
Diante desse quadro, atores políticos, sociedade civil e especialistas indicam algumas estratégias prioritárias para mitigar os acidentes:
Fortalecer programas de manutenção regular de estradas, com foco em trechos críticos — pavimentação, sinalização, iluminação, acostamentos e barreiras de segurança;
Aumentar e modernizar a fiscalização, instalação de radares e adoção de tecnologia para detecção de excesso de velocidade ou infrações;
Incentivar educação e campanhas contínuas de conscientização no trânsito, com ênfase nos jovens e usuários de motocicletas;
Melhorar a estrutura de atendimento de emergências nos principais trechos — postos de socorro, viaturas de resgate, treinamento de brigadistas;
Criar políticas de premiação ou incentivos para municípios que reduzam suas taxas de acidentes e mortes no trânsito, estimulando boas práticas locais;
Alocar orçamento dedicado no âmbito estadual para projetos de segurança viária no Norte de Minas, com participação de órgãos federais (DNIT, PRF) nos trechos de rodovias federais.


