Minas Gerais registra quase 10 mil internações por infarto no 1º semestre de 2025 - Rede Gazeta de Comunicação

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Minas Gerais registra quase 10 mil internações por infarto no 1º semestre de 2025

Com 3.437 óbitos por infarto e mais de 2 mil mortes por AVC, números reforçam a necessidade de ampliar a rede de atenção em saúde cardiovascular na região

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil e em Minas Gerais, refletindo uma realidade que se repete também no Norte do estado. Dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) apontam que, entre janeiro e junho de 2025, foram registradas 9.893 internações por infarto agudo do miocárdio, que resultaram em 3.437 óbitos em Minas. No mesmo período, o estado contabilizou 10.378 internações por acidente vascular cerebral (AVC), com 2.030 mortes.

Em 2024, os números foram ainda mais altos: 21.324 internações e 6.379 óbitos por infarto, além de 24.704 internações e 4.180 mortes por AVC.

Cenário no Norte de Minas

A macrorregião Norte, que tem como referência o município de Montes Claros e atende também parte do Vale do Jequitinhonha e do Noroeste, enfrenta um desafio particular: a alta demanda e a concentração de serviços especializados em poucos centros. A Santa Casa de Montes Claros, referência para mais de 2 milhões de habitantes, registra uma média mensal de mais de 150 atendimentos de emergência relacionados a infarto e AVC.

Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS), só em 2024 o Norte de Minas respondeu por cerca de 8% das internações por infarto em todo o estado. A dificuldade de deslocamento em municípios menores, somada à carência de unidades de hemodinâmica e cardiologia intervencionista, aumenta o risco de agravamento dos casos.

Mortalidade cardiovascular no Brasil e no mundo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 19,8 milhões de pessoas morreram em decorrência de doenças cardiovasculares em 2022, o que corresponde a 32% de todas as mortes no mundo. Dessas, 85% foram provocadas por infarto ou AVC.

No Brasil, os números seguem elevados: em 2023, foram 94.008 mortes por infarto e, em 2024, 93.641 óbitos. Já os casos de AVC se tornaram uma preocupação crescente: em 2024, o país registrou 192.220 mortes, mais que o quádruplo em relação ao ano anterior.

Importância da identificação rápida

Especialistas reforçam que a identificação precoce do infarto e do AVC é determinante para salvar vidas. A Organização Nacional de Acreditação (ONA) destaca que hospitais acreditados seguem protocolos clínicos rigorosos, como a realização de eletrocardiograma (ECG) em até 10 minutos após a chegada do paciente com dor torácica.

“Essas medidas reduzem o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento, fator que pode definir a recuperação ou a morte do paciente”, explica Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da ONA.

A acreditação também promove o uso de checklists, fluxos clínicos padronizados e treinamentos periódicos para equipes multidisciplinares, reduzindo falhas no processo de atendimento.

Acesso desigual no Norte de Minas

Apesar dos avanços, o acesso a hospitais acreditados é desigual. Dos mais de 380 mil serviços de saúde cadastrados no Brasil, apenas 0,45% possuem acreditação. Em Minas Gerais, a maioria está concentrada em Belo Horizonte e na Região Central. O Norte de Minas conta com poucas unidades acreditadas, o que evidencia a necessidade de ampliar a rede qualificada de atendimento para reduzir a mortalidade cardiovascular.

Caminhos para reduzir os índices

Autoridades de saúde defendem investimentos em:

Expansão da rede de hemodinâmica no interior, reduzindo a necessidade de transferências para Belo Horizonte.

Treinamento de equipes de urgência e emergência para diagnóstico rápido.

Campanhas de prevenção voltadas a hábitos saudáveis, controle de hipertensão, diabetes e colesterol.

Ampliação do acesso a medicamentos como aspirina, anticoagulantes e trombolíticos, fundamentais no atendimento imediato.

Impacto para a população

O cardiologista Dr. Carlos Henrique Ferreira, que atua em Montes Claros, reforça:

“A cada minuto perdido em um caso de infarto ou AVC, aumenta a chance de sequelas graves ou de óbito. No Norte de Minas, a distância entre os municípios e a sobrecarga de hospitais de referência tornam a situação ainda mais delicada. Precisamos descentralizar o atendimento especializado”.

Enquanto Minas Gerais figura entre os estados com maior número de internações cardiovasculares no país, o desafio para o Norte continua sendo garantir acesso rápido, diagnóstico eficiente e tratamento de qualidade, condições essenciais para reduzir os impactos de duas das doenças que mais matam no Brasil.