Queda do estrogênio acelera o envelhecimento cutâneo, mas cuidados dermatológicos e avanços estéticos oferecem caminhos para uma pele saudável e bonita durante o climatério
A menopausa, fase natural do ciclo de vida da mulher que marca o fim da fertilidade, é amplamente conhecida pelas alterações hormonais e seus efeitos no corpo. Mas um dos impactos mais visíveis – e muitas vezes menos discutidos – é o que acontece com a pele. Textura, firmeza, viço e hidratação sofrem mudanças drásticas, resultado da queda abrupta dos níveis de estrogênio, hormônio diretamente ligado à saúde cutânea.
Segundo o IBGE, cerca de 30 milhões de brasileiras estão atualmente na faixa do climatério (período de transição até a menopausa) e menopausa, o que representa 7,9% da população feminina. Contudo, apenas 238 mil mulheres receberam diagnóstico formal pelo Sistema Único de Saúde (SUS), revelando uma lacuna de atenção e cuidado com essa fase. De acordo com a revista científica Climacteric, 82% das brasileiras nessa faixa etária relatam sintomas que afetam diretamente sua qualidade de vida – muitos deles refletidos na pele.
Como a menopausa afeta a pele?
A Dra. Samara S. O. Kouzak, médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em estética avançada, explica que o estrogênio é essencial para manter a estrutura e função da pele. Com a queda hormonal, a produção de colágeno despenca: até 30% nos primeiros cinco anos após a última menstruação.
“Esse colágeno é responsável por dar firmeza e sustentação à pele. Com sua perda, surgem a flacidez, rugas mais profundas, ressecamento e maior sensibilidade”, detalha a dermatologista.
Além disso, ocorrem alterações nas fibras elásticas, redução da espessura da derme e comprometimento da barreira cutânea, o que prejudica a retenção de água e a defesa contra agressões externas. A pele torna-se mais seca, mais frágil e menos elástica.
Outro sintoma comum é o flushing, aquelas ondas de calor intenso e vermelhidão súbita no rosto e pescoço, provocadas pela dilatação rápida dos vasos sanguíneos.
Como cuidar da pele durante a menopausa?
A Dra. Samara destaca que o primeiro passo é adequar a rotina de cuidados à nova realidade hormonal. Isso inclui:
Uso de hidratantes potentes, que restauram a barreira cutânea;
Aplicação diária de protetor solar;
Inclusão de antioxidantes tópicos, como vitamina C e ácido ferúlico;
Produtos com ativos que estimulam a renovação celular, como retinoides (quando bem tolerados);
Alimentação equilibrada, sono de qualidade e exercícios físicos regulares, que também influenciam na saúde da pele.
Reposição hormonal pode ajudar?
A Terapia de Reposição Hormonal (TRH), embora não seja indicada exclusivamente com fins dermatológicos, pode sim ter efeito positivo sobre a pele. Estudos mostram que o uso de estrogênio pode melhorar a densidade do colágeno e reduzir a progressão da flacidez, especialmente se iniciada logo após o início da menopausa.
Contudo, a TRH não é indicada para todas as mulheres, alerta a médica. Histórico de câncer, trombose ou doenças cardiovasculares podem contraindicar a terapia.
“Por isso, a reposição hormonal deve ser sempre avaliada por um ginecologista ou endocrinologista, em conjunto com o dermatologista, caso o objetivo inclua benefícios para a pele”, orienta Dra. Samara.
Para quem não pode ou não deseja a TRH sistêmica, alternativas tópicas, como cremes com estrogênio em baixas doses ou fitoestrogênios (derivados vegetais), estão em estudo. Apesar de promissoras, essas abordagens ainda exigem mais comprovação científica.
A boa notícia é que a dermatologia estética avançou muito e hoje oferece uma série de recursos para quem deseja suavizar os efeitos do envelhecimento cutâneo nessa fase.
Entre os procedimentos mais eficazes estão:
Toxina botulínica – para suavizar linhas de expressão;
Preenchimentos com ácido hialurônico – para devolver volume, contorno e hidratação profunda;
Bioestimuladores de colágeno – injetáveis que estimulam a produção natural de colágeno, com resultados progressivos;
Lasers fracionados, ultrassom microfocado e radiofrequência – tecnologias que atuam na firmeza, textura e rejuvenescimento global da pele.
“Esses procedimentos ajudam não apenas na estética, mas na autoestima e bem-estar emocional da mulher. A menopausa não precisa ser sinônimo de perda – ela pode ser vivida com leveza e beleza, com os recursos adequados”, conclui Dra. Samara.
O recado é claro: cuide da sua pele em todas as fases da vida
A menopausa é inevitável, mas o envelhecimento da pele pode ser conduzido com mais saúde, conforto e autoconfiança, desde que haja atenção especializada. A orientação dermatológica individualizada é essencial para encontrar o equilíbrio entre tratamentos, autocuidado e saúde geral.


