Festival Sabiá encanta Pirapora com música, teatro e tradição às margens do Velho Chico - Rede Gazeta de Comunicação

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Festival Sabiá encanta Pirapora com música, teatro e tradição às margens do Velho Chico

Pirapora viveu uma noite de pura arte, memória e celebração cultural no último sábado, 23 de agosto, durante a realização do Festival Sabiá, que transformou o tradicional Vapor Benjamim Guimarães em palco de música, dança, teatro e tradição popular. O evento, aberto ao público e gratuito, reuniu centenas de pessoas no porto de ancoragem da histórica embarcação, reforçando a vocação da cidade como espaço de efervescência cultural às margens do Rio São Francisco.

A iniciativa contou com a parceria da Prefeitura de Pirapora, por meio da Secretaria de Esporte, Juventude e Cultura (SEJUC) e da Empresa Municipal de Turismo (EMUTUR), além de apoio dos Governos Estadual e Federal, da Cemig e de recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. Produzido pelo grupo QueVoa, o festival uniu tradição e inovação em uma programação que encantou os moradores e turistas que prestigiaram a festa.

Cultura barranqueira como protagonista

Entre os destaques da noite esteve a riqueza da cultura barranqueira piraporense, elemento essencial da identidade do município e das comunidades ribeirinhas. A abertura ficou por conta da Companhia de Danças Parafolclóricas Zabelê, que levou ao palco coreografias que traduzem a alma popular e preservam tradições transmitidas de geração em geração.

O encerramento da programação coube à Banda Pirão de Peixe, que trouxe ao lado da cantora Kenia Freedom uma apresentação vibrante, carregada de brasilidade e emoção. O grupo fez o público dançar e cantar, deixando um rastro de alegria e pertencimento. Foram mais de cinco horas ininterruptas de apresentações, em que o público demonstrou encantamento a cada atração, reforçando a força da música e da arte como formas de unir e emocionar.

O sertão de Guimarães Rosa ganha vida no palco

Um dos momentos mais marcantes da noite veio do teatro. Em uma interpretação arrebatadora, o ator Gilson de Barros deu vida ao personagem Riobaldo, ex-jagunço imortalizado por João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas.

Com emoção e intensidade, o artista conduziu a plateia pelas memórias do personagem, narrando suas batalhas e, sobretudo, suas histórias de amor e dilemas existenciais. A encenação trouxe para o festival a força da literatura rosiana, que representa o sertão mineiro em sua complexidade e beleza, antecipando o clima de emoção que culminaria no show mais aguardado da noite.

Paulinho Pedra Azul emociona o público

O ápice do festival aconteceu com a apresentação de Paulinho Pedra Azul, cantor e compositor que carrega mais de quatro décadas de carreira e é considerado um dos grandes nomes da música mineira. Dono de uma voz inconfundível e de uma simplicidade cativante, Paulinho emocionou a plateia ao revisitar sucessos de seu repertório, que atravessam gerações e continuam a marcar a vida de muitos brasileiros.

Ao som de músicas que falam de amor, de sertão e de vida, o público acompanhou em coro cada canção, transformando a apresentação em uma experiência coletiva de emoção e memória. A presença de Paulinho Pedra Azul reforçou o caráter especial do Festival Sabiá, tornando a noite inesquecível para todos os que tiveram a oportunidade de vivê-la às margens do Velho Chico.

Oficinas e formação cultural

Além dos shows e apresentações artísticas, o Festival Sabiá também se dedicou à formação cultural e artística da comunidade. Na manhã de sábado, o Centro de Convenções recebeu a Oficina de Dança de Salão, conduzida pelo professor e coreógrafo Erasmo Passos, que reuniu interessados em aprender passos e movimentos que unem técnica e expressão corporal.

Paralelamente, o Mercado Municipal se tornou espaço para a Oficina de Tingimento de Tecido, ministrada pelo mestre artesão Delin Brasil, que compartilhou técnicas de produção artesanal, reforçando o valor das práticas manuais e do artesanato como expressões da identidade cultural local.

Essas atividades ampliaram o alcance do festival, garantindo que ele não fosse apenas um evento de fruição artística, mas também um espaço de aprendizado, troca de saberes e valorização de talentos locais.

Pirapora e o Velho Chico como cenários de cultura

Ao transformar o Vapor Benjamim Guimarães em palco, o Festival Sabiá reafirmou a importância do Rio São Francisco como símbolo de memória, identidade e inspiração cultural. A embarcação histórica, que por décadas navegou pelas águas do Velho Chico, é também patrimônio vivo da região e foi cenário perfeito para uma noite em que tradição e contemporaneidade se encontraram.

Mais do que um evento, o Festival Sabiá se consolidou como um marco cultural para Pirapora, demonstrando a capacidade da cidade de sediar iniciativas que unem música, teatro, literatura, dança e artesanato em um só movimento.

Festival Sabiá – um voo alto da cultura mineira

A edição de 2025 do Festival Sabiá reafirma o papel transformador da cultura, que une pessoas, resgata memórias e fortalece laços comunitários. Ao proporcionar um encontro tão plural de linguagens e artistas, Pirapora mostrou que é capaz de transformar suas margens e sua história em palco para experiências artísticas inesquecíveis.

No balanço final, o festival cumpriu sua missão: encantar, emocionar e valorizar as tradições locais, sem deixar de abrir espaço para novas expressões culturais, mostrando que o canto do sabiá continua ecoando alto às margens do Velho Chico.