(do dia 25/8/25 ao dia 31/8/25)
“Observar o longe nos capacita a compreender melhor o que está próximo!
Alysson Wanderley Teixeira Silva
Professor de Matemática e Coordenador do CEAMONTES
Herculys Soares Maia
Engenheiro e Coordenador do CEAMONTES
Olá, observadores do céu! A partir desta edição, ilustraremos nossa coluna com a série de fotos, nas quais destacaremos em primeiro plano um local do bairro selecionado tendo ao fundo uma constelação. Começaremos pelo Bairro Vila Guilhermina no qual se encontra a sede do Jornal Gazeta Norte Mineira. Fato interessante é que, no momento em que fizemos o registro fotográfico, estava no céu a bela Constelação da Águia. Ave evocada para simbolizar aquele que vê longe. E é isso que um órgão de imprensa sério propicia ao leitor, ouvinte ou telespectador: aproximar o cidadão dos fatos, ajudando-o a formar sua opinião.
Destaque da semana: A constelação de Aquila
Entre julho e novembro, o céu nos revela a constelação Aquila, cujo nome em latim significa águia. Sua estrela mais brilhante, Altair, destaca-se ao lado de Deneb e Vega, formando o chamado Triângulo de Verão. A denominação vem do hemisfério norte, onde esse triângulo domina as noites de verão; no Brasil, porém, ele se apresenta durante o inverno, reflexo da inversão das estações entre os hemisférios.
O nome da constelação não é por acaso. Desde a Antiguidade, diferentes culturas viram nesse conjunto de estrelas a figura de uma grande ave em voo. Para os gregos, Aquila representava a águia de Zeus, mensageira dos deuses e símbolo de força e velocidade. Foi ela quem conduziu o jovem Ganimedes ao Olimpo, episódio que garantiu à ave um lugar eterno nos céus.
Mais tarde, a águia também seria associada à realeza e à visão aguçada, reforçando sua imagem como guardiã. Assim, quando Altair cintila sobre nós, não brilha apenas como uma estrela isolada, mas como um fragmento de memória ancestral, lembrança de como a humanidade sempre buscou, no céu, símbolos de poder.
Dica observacional
O mês de setembro oferece condições ideais para observar Altair, a estrela mais brilhante da constelação de Aquila, a Águia. Logo após o pôr do sol, ao redor das 19h às 21h, Altair pode ser vista elevada no céu nordeste, deslocando-se gradualmente rumo ao norte ao longo da noite.
Altair é facilmente reconhecida por seu brilho branco-azulado intenso e por estar acompanhada de duas estrelas vizinhas mais fracas, Tarazed e Alshain, que formam uma linha reta característica. Essa disposição funciona como um guia natural para identificá-la entre a miríade de pontos luminosos.
Uma vez localizada Altair, torna-se possível vislumbrar a constelação de Aquila. Suas estrelas desenham a silhueta de uma águia em voo, com asas abertas que se estendem para os lados, cortando a faixa luminosa da Via Láctea. Embora nem todas as estrelas da constelação sejam intensas, o contexto celeste ajuda a percebê-la.
Observar Altair e Aquila em setembro é também apreciar a riqueza da Via Láctea, pois a constelação está situada em uma região densamente povoada de estrelas e nebulosas. Em um ambiente favorável e com auxílio de um binóculo simples já revela aglomerados estelares e nuances da galáxia, ampliando a experiência para além da estrela-guia.
Assim, no início da primavera austral, basta procurar um ponto brilhante e solitário no alto do céu nordeste, confirmar a linha de três estrelas em que Altair se insere, e deixar que a imaginação desenhe a águia que, desde a Antiguidade, cruza o firmamento.
Curiosidade:
Você sabia que, ao olhar para Altair, está enxergando a estrela como ela era 17 anos atrás? Isso acontece porque a luz, embora extremamente rápida, leva tempo para percorrer grandes distâncias no espaço. Até mesmo o Sol, que está muito mais perto de nós, demora cerca de 8 minutos e 20 segundos para ter sua luz alcançando a Terra. Já a luz de Altair viaja por quase duas décadas antes de chegar aos nossos olhos. Em outras palavras, cada vez que observamos o céu noturno, não vemos o presente, mas uma coleção de lembranças luminosas do passado do Universo.
Observações importantes:
*Para fins didáticos, consideramos como “semana” o período de 7 dias, iniciando na segunda-feira e terminando no domingo seguinte.
** Antes de fazer uma atividade de observação do céu, certifique-se de que você está em um local seguro.
*** Nunca olhe diretamente para o Sol – risco de danos irreversíveis à visão.
Referências:
CAMPOS, Antonio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2025. Belo Horizonte: Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CEAMIG), 2024.
Stellarium Astronomy Software, versão 24.1. Disponível em: https://stellarium.org. Acesso em: jul. 2025.
Simulação (realidade aumentada)
Rua Juventino Gomes, Vila Guilhermina. Constelação de Aquila vista da sede do Jornal Gazeta Norte Mineira.


