Adelaide Valle Pires
Psicóloga de formação arqueóloga de coração
As moedas coloridas. Sua recreação era colaborar, não pedir.
Em 21 de agosto de 1995, sugeriu ao Banco Central moedas coloridas, sem valores impressos, diferenciadas pelas cores e com bordas serrilhadas — inclusão para idosos e deficientes visuais. Menos de um mês depois, a resposta chegou com respeito e rapidez. Ele sorria: sua intromissão era, na verdade, um gesto de cidadania.
No comentário sem compromisso, recordava 1930, quando Getúlio Vargas assumiu a presidência: o dinheiro circulante era o real-réis, com cédulas e níqueis de vários valores. Mas moedas abaixo de 100 réis foram descartadas. Ficava o tostão como moeda mínima, suficiente para comprar um pãozinho de 50 gramas — seu indexador para medir valores, preços e a vida cotidiana.
Ele pensava em moedas que falassem para todos os olhos e mãos. Hoje, quase não pegamos mais em moedas, o Pix domina. Mas será que, junto com a praticidade, não deixamos escapar a riqueza da inclusão? Será que a tecnologia alcança mesmo todo mundo?


