A tarde de segunda-feira, 21 de julho de 2025, ficará marcada para sempre na memória dos moradores da Vila Castelo Branco, em Montes Claros. Depois de anos — ou melhor, décadas — de promessas não cumpridas, lamaçal nos períodos de chuva e poeira intensa nos tempos de seca, finalmente o tão esperado asfalto chegou à comunidade. A obra, executada pela Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura, começou a transformar em realidade um sonho antigo, carregado de emoção, esperança e, principalmente, resistência.
O clima nas ruas era de festa e comoção. Em vez da rotina silenciosa de poeira e buracos, as pessoas saíram de suas casas para assistir às máquinas trabalhando. Crianças, adultos e idosos acompanhavam de perto cada movimento das equipes. Era como assistir à chegada de uma conquista há muito aguardada, como descreve emocionada a dona de casa Ramony Rodrigues de Jesus, moradora da Rua Pedro Cardoso de Sá. “Quando a minha filha falou que as máquinas estavam na rua em frente à minha residência, eu saí correndo. Quase desabei de emoção. Meus olhos se encheram de lágrimas. Esperei por esse asfalto por mais de 11 anos. Agora, graças a Deus e à Prefeitura, esse sonho está se tornando realidade”, contou, com a voz embargada.
A alegria compartilhada por Ramony ecoava em toda a comunidade. Era possível sentir no ar o alívio coletivo. Wemerson das Graças, líder comunitário e uma das vozes mais ativas do bairro, resumiu o sentimento de forma direta: “A chegada do asfalto é cem por cento, é tudo de bom! Colocar um fim na poeira, na lama, nas doenças respiratórias, na desvalorização dos imóveis. Isso melhora a autoestima da comunidade e a qualidade de vida de todos nós. Essa promessa passou por muitos prefeitos que não cumpriram. E agora, sem alarde, esta administração chegou e entregou. É gratidão que sentimos”.
Outra moradora, a dona de casa Adriana Barbosa da Silva, relatou as dificuldades que enfrentava antes da obra. “Logo, logo, esse sofrimento vai acabar. Era muita poeira dentro de casa, causava alergia nas crianças. Sem falar nos buracos, que dificultavam o acesso de veículos. O Uber, por exemplo, nem aceitava corridas para cá. Mas agora, com o asfalto, tudo isso vai ficar no passado. Que felicidade!”, disse, sorrindo.
O sentimento de gratidão também é compartilhado por Edilson Augusto Rodrigues, motorista e morador da Rua Djalma Freitas. Segundo ele, a pavimentação faz parte de uma série de melhorias que vêm sendo feitas na região. “A transformação aqui é visível. Além do asfalto, temos a construção de uma escola, uma creche e, recentemente, o prefeito anunciou a construção de uma Unidade Básica de Saúde. Isso mostra que, depois de tantos anos esquecidos, o bairro está sendo visto com outros olhos. Isso dá esperança para nós, pais, mães, trabalhadores, que queremos um futuro melhor para nossas famílias.”
A obra de pavimentação em curso abrange, inicialmente, as ruas Djalma Freitas, Pedro Cardoso de Sá e Cupim, mas há expectativa de que outras vias também sejam contempladas em breve. A iniciativa faz parte do plano de reestruturação de bairros periféricos que, por anos, sofreram com o descaso do poder público.
Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura, a pavimentação no Castelo Branco representa não apenas uma resposta às reivindicações históricas dos moradores, mas também uma ação estratégica de valorização urbana, com impactos diretos na mobilidade, saúde pública e economia local.
Além do aspecto físico da obra, o simbolismo do asfalto vai muito além da camada de massa quente que cobre as ruas. Representa dignidade, respeito, voz ouvida. Uma conquista arrancada com luta, abaixo-assinados, reuniões comunitárias, ofícios, manifestações e, principalmente, esperança.
Com a poeira finalmente assentada e a lama ficando para trás, os moradores da Vila Castelo Branco agora enxergam um novo horizonte. Um futuro onde a qualidade de vida não seja um privilégio, mas um direito. Um presente onde o bairro deixa de ser sinônimo de abandono e passa a ser referência de transformação.


