Árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva anulou expulsão de Lucas Romero e aplicou vermelho apenas a Kaio Jorge por gesto de “roubo”
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou, nesta quinta-feira (16/10), o áudio completo da comunicação entre os árbitros no momento da expulsão do atacante Kaio Jorge, do Cruzeiro, durante o clássico contra o Atlético, realizado na Arena MRV, em Belo Horizonte, pelo Campeonato Brasileiro. O material revela os bastidores da confusão que envolveu também o volante Lucas Romero, inicialmente apontado como o autor de um gesto considerado ofensivo pela arbitragem.
A expulsão aconteceu logo após o gol de empate do Atlético, quando as câmeras flagraram Kaio Jorge fazendo um sinal com as mãos que foi interpretado como uma acusação de “roubo” contra a arbitragem. No calor da partida e em meio à confusão, o árbitro principal Paulo Cesar Zanovelli da Silva mostrou o cartão vermelho ao camisa 29 do Cruzeiro, Lucas Romero, por acreditar que o volante havia sido o responsável pelo gesto.
Poucos segundos depois, o VAR entrou em ação e iniciou uma checagem minuciosa das imagens. No diálogo divulgado pela CBF, é possível ouvir o momento em que os integrantes da cabine discutem sobre quem, de fato, teria realizado o sinal considerado ofensivo.
“Zanovelli, número 29 fez sinal que tá roubando. O Romero… O Romero fez sinal que tá roubando. 29, 29!”, afirma um dos integrantes do VAR.
Entretanto, após a revisão de novos ângulos, o grupo percebe o equívoco. Outro árbitro intervém imediatamente:
“Oh, peraí. Não foi o Romero. Vamos ver quem que é, vamos lá!”
Com a análise detalhada das câmeras, o lance é finalmente esclarecido: quem realizou o gesto foi o camisa 19, Kaio Jorge. O árbitro de campo, então, é orientado a corrigir a decisão e alterar a punição.
“Quem faz o sinal é o Kaio Jorge. Número 19”, confirma a equipe do VAR.
Dessa forma, a expulsão de Lucas Romero foi anulada, e o cartão vermelho foi mantido apenas para Kaio Jorge, que deixou o gramado inconformado, gesticulando e discutindo com os companheiros e adversários.
Bastidores e repercussão
O episódio rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados do pós-jogo. Enquanto o Cruzeiro lamentou o que considerou uma “interpretação exagerada” do gesto, dirigentes do Atlético cobraram uma punição exemplar ao atacante celeste. O CSO do Galo, Paulo Bracks, afirmou após a partida que o clube pretende acionar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para responsabilizar o jogador.
“O que o atleta do Cruzeiro fez foi covarde e desleal. É um gesto que desrespeita o árbitro e o futebol. Vamos levar o caso ao STJD”, declarou Bracks.
O clima tenso do clássico se estendeu também fora de campo. Nas redes sociais, torcedores de ambos os clubes dividiram opiniões: enquanto uns defenderam a punição, outros criticaram o VAR por ter demorado a corrigir o erro inicial. A discussão reacendeu o debate sobre os critérios de interpretação dos árbitros e o uso das imagens em situações de conduta antidesportiva.
Quem estava no comando do VAR
De acordo com a CBF, o responsável principal pelo VAR na partida foi Rodrigo D. Alonso Ferreira, com a assistência de Helton Nunes, Caio Max Augusto Vieira e Ítalo Medeiros de Azevedo. A equipe de vídeo revisou o lance sob múltiplos ângulos para determinar corretamente o autor do gesto.
O árbitro de campo, Paulo Cesar Zanovelli da Silva, foi orientado em tempo real a reverter a decisão inicial e aplicar o cartão vermelho ao jogador correto. O protocolo da CBF estabelece que o VAR pode intervir em casos de identidade equivocada, o que se confirmou nesse episódio.
Polêmicas anteriores e histórico
A atuação de Zanovelli e do VAR em jogos decisivos do Campeonato Brasileiro tem sido alvo de críticas recorrentes nesta temporada. Torcedores e dirigentes já questionaram, em outras ocasiões, a demora nas revisões e a falta de clareza na comunicação com o público. No caso do clássico mineiro, o erro de identificação apenas reforçou a necessidade de maior precisão nas tomadas de decisão.
A CBF, por sua vez, tem adotado a política de divulgar os áudios do VAR em lances polêmicos, numa tentativa de aumentar a transparência do processo. No entanto, especialistas em arbitragem alertam que a divulgação posterior não substitui a clareza necessária no momento em campo.
A confusão envolvendo Kaio Jorge e Lucas Romero ilustra como a pressão de um clássico pode afetar até mesmo os profissionais mais experientes da arbitragem. O gesto interpretado como “roubo” resultou na expulsão do atacante cruzeirense e acendeu um novo capítulo na rivalidade entre Atlético e Cruzeiro, marcada por tensão, emoção e, agora, também por um erro de comunicação dentro da cabine do VAR.
Enquanto o Cruzeiro deve preparar sua defesa para o julgamento no STJD, o Atlético promete levar o caso adiante. No campo, a bola parou, mas a polêmica segue rolando — e promete render novos desdobramentos nos bastidores do futebol brasileiro.


