Uma parceria entre a Universidade Estadual de Montes Claros e a Receita Federal do Brasil tem convertido equipamentos apreendidos em ferramentas de aprendizado, ampliando o acesso à tecnologia em escolas públicas do Norte de Minas. Nesta sexta-feira (20/03), representantes das instituições se reuniram em Montes Claros para marcar a conclusão da segunda etapa do projeto de pesquisa “Construção de Microcomputadores de Baixo Custo Utilizando TV Boxes Piratas”.
O encontro institucional contou com a presença do pró-reitor adjunto de Pesquisa da universidade, Álvaro Barbosa de Carvalho Júnior, do delegado da Receita Federal em Montes Claros, Filipe Araújo Florêncio, e da representante da comunicação do órgão, Pollyana Caires.
Coordenado pelo professor Álvaro Barbosa e regulamentado pela Resolução CEPEx nº 830, o projeto propõe o reaproveitamento de TV Boxes de origem irregular — equipamentos não homologados pela Agência Nacional de Telecomunicações — que, após apreensão, ganham uma nova função voltada exclusivamente à educação e à pesquisa científica.
Na prática, os dispositivos passam por um processo de reconfiguração tecnológica e são transformados em microcomputadores de baixo custo. Esses equipamentos integram kits educacionais contendo jogos interativos e conteúdos didáticos direcionados ao ensino fundamental e médio.
As ferramentas desenvolvidas abrangem diversas áreas do conhecimento, como Geografia, História, Línguas, Matemática, Física, Química, Música e Artes, contribuindo para enriquecer o ambiente escolar e apoiar o trabalho pedagógico, especialmente em instituições com acesso limitado a recursos tecnológicos.
A parceria entre a Unimontes e a Receita Federal foi articulada em 2024 pela pró-reitora de Pesquisa, Maria das Dores Magalhães Veloso, e representa um exemplo de cooperação institucional com foco em inovação e impacto social. O projeto envolve professores, pesquisadores e estudantes de diferentes áreas, promovendo uma abordagem interdisciplinar.
Com a conclusão da segunda etapa, já foram produzidos 70 kits educacionais, que estão prontos para serem distribuídos a escolas públicas da região. A expectativa é que a iniciativa contribua para a inclusão digital, democratizando o acesso à tecnologia e ampliando as possibilidades de ensino e aprendizagem.
Além dos resultados já alcançados, o encontro também abriu espaço para a discussão de novas frentes de cooperação entre as instituições. Entre as propostas em análise está o reaproveitamento de equipamentos eletrônicos apreendidos para o desenvolvimento de soluções na área de telemedicina, além de outras aplicações tecnológicas com potencial de beneficiar a população.
A iniciativa evidencia como a destinação inteligente de materiais apreendidos pode gerar benefícios concretos para a sociedade, transformando equipamentos antes ilegais em instrumentos de conhecimento, inovação e inclusão social.



