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SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA | Suinocultura mineira enfrenta prejuízos e acende alerta no campo - Rede Gazeta de Comunicação

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SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA | Suinocultura mineira enfrenta prejuízos e acende alerta no campo

A situação atual contrasta fortemente com o mesmo período do ano passado, quando os preços pagos pelo suíno vivo estavam, em média, 20% acima dos custos, garantindo rentabilidade e incentivando investimentos no setor

A suinocultura em Minas Gerais atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Produtores do estado têm acumulado prejuízos diante da queda no preço pago pelo quilo do suíno vivo, que atualmente gira em torno de R$ 5,30 — valor significativamente inferior ao custo médio de produção, estimado em R$ 6,20. O cenário tem pressionado as margens de lucro e colocado em risco a sustentabilidade econômica de diversas propriedades rurais.

De acordo com a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais, a diferença negativa entre custo e receita representa um impacto direto no caixa dos produtores, que vêm operando no vermelho. A situação atual contrasta fortemente com o mesmo período do ano passado, quando os preços pagos pelo suíno vivo estavam, em média, 20% acima dos custos, garantindo rentabilidade e incentivando investimentos no setor.

Especialistas apontam que a retração nos preços é resultado de uma combinação de fatores, entre eles a oferta elevada de animais no mercado interno, a desaceleração do consumo e as oscilações no mercado internacional. Além disso, o custo de insumos essenciais, como milho e farelo de soja — principais componentes da ração — segue elevado, pressionando ainda mais os produtores.

O aumento dos custos de produção tem sido um dos principais desafios enfrentados pelos suinocultores. Despesas com alimentação animal, energia elétrica, medicamentos e logística continuam em alta, reduzindo a competitividade da atividade. Para muitos produtores, a conta simplesmente não fecha, levando à necessidade de reavaliar investimentos e, em alguns casos, reduzir o plantel.

No Norte de Minas, região que vem ampliando sua participação na suinocultura estadual, o cenário também preocupa. Pequenos e médios produtores relatam dificuldades para manter a atividade diante do atual contexto econômico. A falta de previsibilidade nos preços e a ausência de políticas públicas mais robustas para o setor agravam a situação, especialmente para aqueles com menor capacidade de absorver prejuízos prolongados.

Representantes da cadeia produtiva defendem a adoção de medidas emergenciais para mitigar os impactos da crise. Entre as propostas estão a ampliação de linhas de crédito com juros reduzidos, renegociação de dívidas, incentivos à exportação e políticas de garantia de preços mínimos. A expectativa é que ações coordenadas possam oferecer alívio ao setor e evitar o abandono da atividade por parte de produtores.

Apesar das dificuldades, a suinocultura segue sendo uma atividade estratégica para a economia mineira. O estado está entre os principais produtores de carne suína do país, com forte presença tanto no mercado interno quanto nas exportações. A cadeia produtiva gera milhares de empregos diretos e indiretos, além de movimentar diversos segmentos da economia, como transporte, indústria de alimentos e comércio.

A Asemg alerta que, sem uma reação rápida do mercado ou a implementação de medidas de apoio, o setor pode enfrentar uma retração mais acentuada nos próximos meses. O risco é de redução na produção, fechamento de granjas e impactos sociais em regiões dependentes da atividade.

Enquanto isso, produtores seguem na expectativa de uma recuperação nos preços e de melhores condições de mercado. A esperança é que a retomada do consumo, aliada a possíveis ajustes na oferta, contribua para reequilibrar a equação econômica da suinocultura mineira e devolver a competitividade ao setor.