Senador Carlos Viana defende convocar irmão de Lula para depor sobre fraudes no INSS - Rede Gazeta de Comunicação

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Senador Carlos Viana defende convocar irmão de Lula para depor sobre fraudes no INSS

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta quinta-feira (9) que pretende colocar em votação, na próxima reunião deliberativa, o requerimento de convocação de Frei Chico, vice-presidente do Sindnapi e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Viana, a medida é necessária para esclarecer a possível influência política de Frei Chico nas decisões relacionadas ao Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), apontado pela comissão e pelas investigações como peça central no esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.

“É urgente voltarmos à convocação de Frei Chico para que ele possa esclarecer sua participação nas decisões que foram tomadas. A Dataprev havia recusado o cadastramento da associação, mas, poucos dias depois, os descontos voltaram de forma milionária”, disse o senador.

O parlamentar também criticou o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Carvalho, por supostamente omitir informações relevantes durante seu depoimento à CPMI. De acordo com Viana, documentos recentes indicam que a CGU já tinha conhecimento de que o sindicato usava procurações falsas, fato não informado à comissão.

Viana ainda destacou que as investigações da CPMI têm colaborado com novas ações da Polícia Federal, e reafirmou seu compromisso em manter o ritmo dos trabalhos até que todos os envolvidos sejam responsabilizados.

“Eles não são amadores. Vamos derrubar essa máfia que tomou de assalto os aposentados.”

Habeas corpus concedido a presidente do Sindnapi e nova fase da “Operação Sem Desconto”

O senador Carlos Viana criticou, também, a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu habeas corpus ao presidente do Sindnapi, Milton Cavalo, permitindo que ele permanecesse em silêncio durante o depoimento à comissão, nesta quinta-feira (9).

O parlamentar disse estranhar a decisão, especialmente porque, segundo ele, o mesmo ministro já havia impedido outro depoimento anterior. “Respeito à legalidade, mas é no mínimo estranho. Estamos diante de um grande movimento de blindagem de pessoas próximas ao governo e a sindicatos, que estão se valendo da legislação para não prestar contas ao país”, declarou.

Viana destacou que o Sindnapi movimentou mais de R$ 1,2 bilhão em descontos feitos diretamente dos benefícios de aposentados e pensionistas, muitos deles sem autorização dos titulares. O senador afirmou ainda que quase R$ 8 milhões foram sacados em dinheiro vivo, e que a CPMI busca esclarecer o destino desses recursos.

“Essas pessoas têm que explicar ao Brasil para onde foi esse dinheiro. Hoje estamos de mãos amarradas por decisões que considero, no mínimo, preocupantes. Mas nada vai nos impedir de chegar ao relatório final mostrando quem roubou, quanto roubou e para onde foi o dinheiro dos aposentados”, reforçou.

Viana também comentou a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público e com apoio da CPMI. A ação cumpriu 66 mandados de busca e apreensão em vários estados, em continuidade às investigações sobre o esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas. “Isso mostra que o nosso trabalho está no caminho certo”, disse.