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Semana do saco cheio: o que você anda carregando por aí? - Rede Gazeta de Comunicação

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Semana do saco cheio: o que você anda carregando por aí?

Adelaide Valle Pires

Psicóloga

Essa semana, no Pilates, o assunto era a famosa Semana do Saco Cheio. Alguém me perguntou de onde vinha esse nome. Parei para pensar. Outra pessoa arriscou uma explicação: deve ser porque as crianças ficam enchendo o saco!

Foi aí que minha cabeça começou a trabalhar. E se a gente olhasse para essa expressão por outro ângulo?

Existe um ditado popular que diz que saco vazio não para em pé. Pronto! Minha imaginação ganhou movimento.

E se o saco cheio não fosse aquele de quem perdeu a paciência, mas o de quem tem tanta coisa boa dentro que encontra forças para continuar de pé?

Comecei a imaginar um saco recheado de alegria, fartura, amizade, compaixão, brincadeiras, aprendizados, família e infância. Um saco cheio de histórias para contar, gente para abraçar, motivos para rir e oportunidades para aprender.

Afinal, que semana é essa que reúne o Dia das Crianças, Nossa Senhora Aparecida, os professores, os fisioterapeutas, os terapeutas ocupacionais e até os meteorologistas? Uma sequência de datas que nos convida a olhar para a infância, a fé, o conhecimento, o movimento e o clima das relações.

Tem criança que enche a casa de brinquedos e a vida de perguntas. Tem professor que enche a cabeça da gente de conhecimentos e abre janelas para o mundo. Tem fisioterapeuta e terapeuta ocupacional que ajudam a recuperar movimentos, autonomia e possibilidades. Tem quem cuide da fé e quem nos ensine a observar os ventos, as nuvens e as mudanças do tempo.

E tem a família, os amigos, as brincadeiras e os encontros. Tem gente que chega trazendo leveza. Tem gente que nos ensina pela diferença. Tem gente que nos provoca, nos tira do lugar e, sem perceber, ajuda a colocar alguma coisa importante dentro da nossa bagagem.

Mas é preciso cuidado: nem tudo o que enche o nosso saco merece ser guardado. Mágoas acumuladas, preconceitos, julgamentos, ressentimentos e preocupações desnecessárias pesam demais. Ocupam espaço e dificultam o movimento.

A questão, então, não é viver com o saco cheio de qualquer coisa. É fazer escolhas sobre o que queremos carregar.

E, para fechar essa semana, o calendário ainda nos presenteia, no dia 17 de outubro, com o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, data associada ao nascimento de Chiquinha Gonzaga, compositora e maestrina que abriu caminhos na música brasileira.

Olha aí mais uma oportunidade de colocar ritmo nessa história! Porque a música também enche o nosso saco de um jeito especial: de lembranças, emoções, saudades, alegrias e vontade de dançar. Há canções que nos fazem voltar à infância, outras que nos devolvem pessoas queridas e algumas que nos põem de pé quando a vida parece querer nos deixar sentados.

Pensando bem, a vida é uma grande arrumação de bagagens. A cada encontro, a cada experiência, a cada fase, escolhemos o que fica, o que sai e o que ainda cabe.

E você? Se abrisse hoje o seu saco, o que encontraria lá dentro? Mais pesos ou mais possibilidades? Mais reclamações ou mais motivos para agradecer? Mais coisas guardadas por obrigação ou lembranças que aquecem o coração?

Eu, depois dessa conversa no Pilates, fiquei com vontade de encher o meu de prosa boa, boas companhias, música, movimento, aprendizado e umas boas gargalhadas.

Porque saco vazio não para em pé. Mas saco cheio de coisas boas pode nos dar o impulso de seguir em frente.

E, se for para encher o saco de alguém, que seja de alegria, afeto, boas ideias e vontade de viver!

Afinal, há coisas que a gente precisa esvaziar. Outras, quanto mais cheias, melhor.