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Quando a gente se reconhece, fica mais leve - Rede Gazeta de Comunicação

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Quando a gente se reconhece, fica mais leve

Adelaide Valle Pires

Psicóloga

Gosto de histórias que misturam realidade e fantasia. De vez em quando, uma cena aparentemente impossível consegue dizer alguma coisa muito verdadeira sobre a vida.

Foi o que aconteceu comigo ao assistir a um homem recuperar suas memórias. À medida que começava a se lembrar de quem era, ele levitava.

Parei e pensei: quando a gente começa a se reconhecer, fica mais leve.

A cena me levou ao significado dos nomes, assunto sobre o qual meu pai, genealogista, deixou uma anotação que guardo até hoje. Para ele, o nome não servia apenas para distinguir uma pessoa. O nome personificava a família, guardava a lembrança dos antepassados e reforçava uma tradição.

Na história, quando o personagem recupera suas memórias, recupera também seu nome. E, quando pai e filho finalmente se reconhecem, um chama o outro pelo nome.

Pensei nas raízes. Pensei no meu pai. Pensei também em David Copperfield, que eu adorava assistir fazendo aquilo que parecia impossível: levitar.

De um lado, as raízes. Do outro, as asas.

De um lado, aquilo que nos lembra de onde viemos. Do outro, aquilo que nos permite seguir adiante.

Essa imagem me fez voltar a uma criação minha, o QVIDA, em que quatro movimentos formam a própria palavra VIDA:

V – VER
I – INVESTIGAR
D – DESENVOLVER
A – AGIR.

Primeiro, vemos. Depois, investigamos. Desenvolvemos possibilidades e, então, agimos.

Hoje, esses movimentos encontram um novo percurso no Trem PEP – Paradas, Escolhas e Propósitos.

O QVIDA é o guarda-chuva. O Trem PEP é uma viagem que acontece debaixo dele.

Porque viajar pela vida também exige movimento. Há momentos para olhar, compreender, desenvolver novas possibilidades e fazer escolhas.

E há momentos em que precisamos parar.

Reconhecer de onde viemos.

Perceber quem somos.

Escolher para onde queremos seguir.

Foi assim que aquela cena de levitação me fez pensar que o verdadeiro voo não é sair do chão.

É reconhecer nossas raízes, compreender quem somos e encontrar leveza para seguir adiante.