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Psiu Poético completa 40 anos levando poesia para as ruas - Rede Gazeta de Comunicação

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Psiu Poético completa 40 anos levando poesia para as ruas

Festival que nasceu como experiência de jovens poetas se transformou em movimento cultural permanente e reúne poesia, música, teatro, dança, cinema e artes visuais

Quarenta anos depois dos primeiros recitais, a poesia continua ocupando as ruas, praças, escolas, parques e espaços culturais de Montes Claros. O Psiu Poético, um dos mais tradicionais movimentos culturais da cidade, chegou à sua 40ª edição mantendo a proposta que marcou sua trajetória: transformar a poesia em encontro, convivência e expressão artística.

A edição histórica começou no sábado (3), com um sarau que reuniu poetas, artistas e público no Centro Cultural Hermes de Paula. A programação segue até 12 de outubro, tendo o espaço cultural como uma das principais bases, mas espalhando atividades por diferentes pontos de Montes Claros.

Na abertura, os criadores e participantes que ajudaram a construir as quatro décadas do festival se emocionaram ao relembrar a trajetória iniciada ainda na juventude. Durante o sarau, poetas e poetisas se revezaram no palco para declamar textos, cantar, dançar e interpretar obras próprias ou de autores que fazem parte da história do Psiu.

Para Renilson Durães, um dos fundadores, o movimento nasceu de uma experiência quase despretensiosa entre jovens que buscavam poesia e queriam levá-la para os espaços públicos da cidade.

“A gente buscava poesia no Mobral, pegava livro de poesia e trazia para a Praça da Matriz e começavam os recitais”, relembrou. Segundo ele, o que começou como uma brincadeira de juventude acabou ultrapassando as fronteiras de Montes Claros e alcançando outros públicos.

O fundador define os 40 anos como um legado que vai além da dimensão material. “Quarenta anos depois ainda estamos aqui e queremos ir um pouco mais”, afirmou.

Ao longo de quatro décadas, o Psiu Poético deixou de ser apenas um festival dedicado à poesia escrita ou declamada. O movimento incorporou diferentes linguagens artísticas e se consolidou como um espaço de experimentação cultural.

A programação reúne poesia visual e sonora, artes plásticas, teatro, dança, música, rock, blues, cinema, performances, saraus e lançamentos de livros. A proposta é justamente romper as fronteiras entre as manifestações artísticas e permitir que a poesia dialogue com outras formas de expressão.

Outra característica apontada pelos organizadores é o caráter democrático do evento. O Psiu não funciona como um concurso destinado a escolher os melhores poetas ou artistas. A proposta é criar um espaço no qual diferentes pessoas possam apresentar sua produção, independentemente de reconhecimento profissional ou de rótulos estabelecidos pelo mercado cultural.

Essa característica ajudou a transformar o festival em uma experiência geracional. Pessoas que participaram das primeiras edições ainda crianças acompanharam o movimento ao longo da vida e, posteriormente, seguiram diferentes caminhos profissionais.

Renilson destaca justamente essa dimensão como uma das maiores conquistas do projeto. Segundo ele, participantes que estiveram no Psiu aos 7 anos hoje são médicos, doutores em Letras e profissionais ligados à literatura.

“Isso mostra que cumprimos o nosso papel, que valeu a pena, porque estamos transformando positivamente a vida das pessoas”, afirmou.

A relação com a cidade é uma das marcas do Psiu Poético. Em vez de permanecer restrito a um espaço fechado, o festival ocupa Montes Claros e transforma o cotidiano da população em cenário para a manifestação artística.

Durante a 40ª edição, a poesia passa por ruas, praças, mercados, parques e escolas, além do Centro Cultural Hermes de Paula. A programação inclui apresentações, performances, lançamentos de livros, música, teatro, cinema, poesia falada e escrita.

Na noite de abertura, três livros foram lançados e uma das músicas-tema da edição comemorativa foi apresentada ao público.

A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, que participa historicamente da realização do festival como correalizadora, destacou a permanência do Psiu como parte da identidade cultural de Montes Claros.

A avaliação é de que o movimento se tornou um dos chamados mais constantes dos movimentos culturais da cidade, mantendo ao longo dos anos uma característica de descoberta e liberdade artística.

A comemoração dos 40 anos também ganhará registro audiovisual. Esta edição do Psiu Poético será transformada em um filme longa-metragem, ampliando o registro da história do movimento e de seus personagens.

Para os organizadores, chegar às quatro décadas não representa o encerramento de um ciclo, mas a abertura de uma nova etapa. A permanência do festival é sustentada justamente pela capacidade de incorporar novas linguagens e novas gerações sem abandonar a essência que marcou sua origem.

Até 12 de outubro, Montes Claros continuará sendo palco dessa experiência coletiva. Entre versos, livros, música, dança, performances e encontros, o Psiu Poético comemora 40 anos mantendo uma característica que ajudou a torná-lo parte da memória cultural da cidade: a poesia não fica presa ao papel. Ela sai para a rua, encontra gente e continua fazendo barulho.

A programação completa da 40ª edição está disponível no perfil oficial do evento, @psiupoetico.