A atividade industrial de Minas Gerais encerrou 2025 em ritmo de desaceleração. Pelo segundo mês consecutivo, a produção e o emprego no setor registraram retração, refletindo um cenário de menor demanda, redução do nível de atividade e cautela por parte dos empresários. Os dados constam da Sondagem Industrial de Minas Gerais, pesquisa mensal realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), cujos resultados foram divulgados na última sexta-feira (23).
De acordo com o levantamento, o índice de evolução da produção industrial caiu novamente em dezembro de 2025, influenciado principalmente pela menor demanda do comércio, típica do fim do ano em alguns segmentos, e pela concentração de férias coletivas no período. O desempenho confirma a perda de fôlego da atividade industrial mineira ao longo do segundo semestre, após meses de instabilidade e crescimento limitado.
O mercado de trabalho industrial também apresentou sinais claros de enfraquecimento. O índice de evolução do nível de emprego recuou, indicando redução no número de postos de trabalho pelo segundo mês seguido. O resultado reforça a postura mais cautelosa das indústrias diante de um ambiente econômico ainda desafiador, marcado por custos elevados, incertezas e dificuldades de acesso ao crédito.
Outro indicador que reforça o quadro de desaceleração é a utilização da capacidade instalada. Segundo a sondagem, as empresas operaram abaixo do padrão usual em dezembro, evidenciando ociosidade nas linhas de produção. Esse movimento está associado tanto à menor demanda quanto ao ajuste de estoques e à reorganização das operações no encerramento do ano.
Os estoques de produtos finais, por sua vez, recuaram pelo quinto mês consecutivo e permaneceram abaixo do nível considerado planejado pelas indústrias. Embora estoques menores possam indicar algum equilíbrio entre oferta e demanda, o dado também reflete a cautela das empresas em recompor volumes diante de um cenário econômico ainda incerto.
No quarto trimestre de 2025, a avaliação dos empresários mineiros sobre a situação financeira do setor permaneceu negativa. A pesquisa aponta insatisfação com as margens de lucro, dificuldades no acesso ao crédito e percepção desfavorável quanto às condições gerais de financiamento. A elevada carga tributária voltou a ser apontada como o principal entrave ao desempenho da indústria, posição que se manteve ao longo de todo o ano e segue como uma das maiores preocupações do setor produtivo em Minas Gerais.
Além da carga tributária, outros fatores estruturais também impactaram o desempenho industrial, como custos de produção elevados, juros ainda em patamar restritivo e incertezas relacionadas ao ambiente macroeconômico. Esses elementos contribuíram para limitar investimentos, frear contratações e reduzir o ritmo de expansão da atividade ao longo de 2025.
Apesar do cenário recente de enfraquecimento, as expectativas dos industriais para os próximos meses mostram sinais moderados de melhora. Para os seis meses seguintes, os empresários projetam aumento da demanda e da compra de matérias-primas, indicando uma possível retomada gradual da atividade. Ainda assim, o pessimismo em relação à evolução do emprego persiste, demonstrando que a recuperação, se confirmada, tende a ocorrer de forma cautelosa e gradual.
A intenção de investimento apresentou leve alta na comparação mensal, sinalizando alguma melhora na confiança dos empresários. No entanto, o indicador segue abaixo do nível registrado há um ano, o que mostra que o ambiente ainda não é plenamente favorável para decisões mais robustas de expansão da capacidade produtiva.
Expectativas para o início de 2026
Os dados mais recentes da sondagem revelam um cenário de maior otimismo para o início de 2026, especialmente no que se refere à demanda. Em janeiro, o índice de expectativa de demanda atingiu 52,1 pontos, superando a marca de 50 pontos, que indica perspectiva de crescimento. O indicador avançou 5,7 pontos em relação a dezembro e 0,2 ponto na comparação com janeiro de 2025, sinalizando melhora gradual do ambiente de negócios.
O índice de expectativa de compra de matérias-primas também apresentou resultado positivo, ao marcar 51,5 pontos. O dado indica aumento das compras nos próximos seis meses e representa alta de 3,9 pontos frente a dezembro, além de crescimento de 0,8 ponto em relação a janeiro do ano anterior. O movimento sugere que as indústrias começam a se preparar para um possível aquecimento da produção no primeiro semestre.
Por outro lado, o índice de expectativa em relação ao número de empregados permaneceu abaixo da linha de otimismo. Com 49,1 pontos, o indicador aponta previsão de retração do emprego industrial nos próximos meses. Apesar de ter subido 1,6 ponto na comparação mensal, o índice recuou frente a janeiro de 2025 e registrou o menor nível para o mês em nove anos, reforçando a cautela das empresas quanto à ampliação do quadro de pessoal.
A Sondagem Industrial de Minas Gerais reúne indicadores sobre nível de atividade, situação financeira, principais entraves enfrentados pelo setor, expectativas e intenções de investimento. A pesquisa é considerada uma importante ferramenta de apoio à tomada de decisões empresariais, à análise econômica e à formulação de políticas públicas, ao oferecer um retrato atualizado do desempenho e das perspectivas da indústria mineira.
Os resultados mais recentes indicam que, embora o setor tenha encerrado 2025 em ritmo mais fraco, há sinais de recuperação gradual no horizonte. Ainda assim, a consolidação de um cenário mais favorável dependerá da melhora das condições macroeconômicas, da redução de custos estruturais e da adoção de políticas que estimulem a competitividade e o investimento produtivo em Minas Gerais.


