Em um cenário marcado por incertezas econômicas e crescentes tensões comerciais, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, liderou nesta semana uma intensa agenda de reuniões em Washington. O objetivo central da missão foi construir uma articulação inédita entre empresários brasileiros e norte-americanos contra as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que vêm comprometendo a competitividade internacional da indústria brasileira e afetando diretamente setores estratégicos para Minas Gerais e para o país.
As medidas protecionistas adotadas pela Casa Branca, justificadas pelo discurso de defesa da indústria norte-americana, atingem principalmente os segmentos siderúrgico, metalúrgico e agroindustrial. Minas Gerais, estado com forte tradição exportadora nesses setores, tem sido um dos mais penalizados. De acordo com análises de economistas ouvidos pela FIEMG, a manutenção dessas tarifas pode reduzir investimentos, gerar retração no comércio bilateral e provocar perdas significativas de postos de trabalho no Brasil.
Encontros estratégicos em Washington
Durante a missão, Roscoe participou de reuniões com empresários de diferentes setores produtivos dos Estados Unidos, além de encontros com representantes da Câmara de Comércio dos EUA e de organizações ligadas à indústria. Nessas ocasiões, foram apresentadas avaliações detalhadas sobre os impactos das tarifas e discutidas medidas emergenciais para mitigar prejuízos imediatos, como a busca por isenções específicas e a construção de um canal direto de diálogo com o governo norte-americano.
Segundo Roscoe, a articulação busca criar um movimento de pressão simultâneo em Washington e em Brasília:
“O setor industrial brasileiro articulou com parceiros americanos para que também pressionem o governo dos EUA, em busca de um consenso para superar a crise. Estamos trabalhando juntos para que ambos os governos sentem à mesa e encontrem uma saída para esse impasse”, afirmou.
O presidente da FIEMG também destacou que a união entre empresários de diferentes países pode gerar desdobramentos políticos relevantes:
“O resultado imediato é o fortalecimento da sinergia entre empresários e a construção de um trabalho conjunto que renderá frutos. Acredito que esse esforço em cada país será capaz de mobilizar forças políticas na direção correta para superarmos essa crise”, avaliou.
Impactos para Minas Gerais e para o Brasil
O peso das exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos é expressivo, sobretudo no setor de aço, minério processado, ligas metálicas e café. As tarifas elevaram custos de exportação e reduziram a margem de competitividade, o que levou muitas empresas a reverem contratos e redirecionarem parte da produção para outros mercados.
No entanto, especialistas lembram que a dependência brasileira do mercado norte-americano em determinados segmentos torna difícil a substituição imediata. “A imposição de tarifas em cadeias produtivas integradas afeta não apenas os exportadores brasileiros, mas também empresas americanas que dependem desses insumos”, apontou um dos consultores que acompanhou os debates em Washington.
Diplomacia empresarial em destaque
A iniciativa da FIEMG e de seu presidente insere-se em uma estratégia mais ampla de diplomacia empresarial, que tem ganhado protagonismo em momentos de crise internacional. Ao lado da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de outras federações estaduais, a FIEMG busca demonstrar que o setor produtivo pode atuar como elo de cooperação entre países, especialmente em situações em que os canais diplomáticos oficiais encontram dificuldades para avançar.
Além da questão tarifária, os encontros em Washington também abordaram perspectivas de parcerias tecnológicas, investimentos bilaterais em inovação e preservação de cadeias globais de valor, temas que se tornaram centrais em um mundo cada vez mais interdependente e competitivo.
Linha do tempo – Crise comercial entre Brasil e EUA
2023 – Reforço da política de tarifas nos EUA
O governo Trump retoma uma política protecionista mais agressiva, com o argumento de proteger empregos e a indústria nacional. Produtos siderúrgicos e metalúrgicos entram na lista de itens sobretaxados, atingindo diretamente exportações brasileiras.
2024 – Escalada das tensões
Os EUA ampliam tarifas para produtos agrícolas e derivados de minério. Empresários brasileiros relatam queda nas exportações e aumento de custos. O governo brasileiro busca negociações em Washington, mas encontra resistência.
Início de 2025 – Pressão sobre o setor industrial
Novas tarifas passam a incidir sobre ligas metálicas e insumos usados pela indústria automotiva. Federações como a FIEMG intensificam mobilizações, enquanto a CNI promove encontros internacionais para construir alternativas.
Agosto de 2025 – Cresce o diálogo com setor privado americano
Empresários dos EUA, também impactados pelo encarecimento de insumos, iniciam tratativas com brasileiros. Entidades empresariais norte-americanas passam a defender soluções conjuntas.
Setembro de 2025 – Articulação em Washington
Flávio Roscoe viaja a Washington para consolidar um plano de ação bilateral. A agenda comum resultante prevê pressão coordenada sobre governos, negociações diretas e estímulo a novas frentes de cooperação econômica.
Perspectivas futuras
Com a construção dessa agenda conjunta, o setor produtivo dos dois países espera mobilizar apoio político capaz de influenciar decisões governamentais. Para Roscoe, a participação da FIEMG nesse processo reforça o papel da entidade como defensora dos interesses da indústria mineira e brasileira, ao mesmo tempo em que amplia sua relevância no debate econômico internacional.
“A diplomacia empresarial é, hoje, uma ferramenta essencial para garantir mercados e assegurar que a voz do setor produtivo seja ouvida nos espaços de decisão. Acreditamos que a união de forças é o caminho para transformar crises em oportunidades”, concluiu o presidente da FIEMG.
Com a iniciativa, a FIEMG projeta-se como protagonista na busca de soluções para o impasse comercial, reafirmando seu compromisso com a defesa da competitividade da indústria, a geração de empregos e a construção de pontes que mantenham o Brasil inserido de forma estratégica no comércio global.


